20/10/2006
Jornal Leitores & Livros
Ed. Luiz Gadelha
AINDA PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALAMOS DE FLORES

Luiz Gadelha

Maripá tem melhor qualidade de vida com flores.

A diferença de uma letra pode significar uma grande mudança em qualquer nome.

Assim também é com as cidades. O nome muda inteiramente, mostrando quão diferentes são. Umas apostam em melhor nível de vida através das árvores e das plantas, aplicam na ecologia como fonte turística de renda; outras preferem o cimento e o asfalto, que apelidam de “cidade progressista”, exploradora de recursos naturais, que ainda existem e sequer ligam para eles. Não se precisa invejar o chamado Primeiro Mundo ou os famosos jardins ingleses. Afinal qualidade de vida e flores também fazem parte do cotidiano de muito brasileiro que vive em paraísos nacionais.  

Exemplo de cidade tão diferente da quase homônima Maricá (RJ) em seus investimentos ecológicos e turísticos é Maripá, município criado há 14 anos, com 6.800 habitantes, no Oeste do Paraná, a mais de 500 km de Curitiba. A pequena cidade paranaense é um exemplo de como aproveitar seu potencial de plantas para incrementar o turismo e melhor a qualidade de vida dos seus habitantes. O investimento em flores e arborização rende atualmente ao município a invejável colocação de quinto colocado no ranking paranaense em qualidade de vida e o 49° lugar nacional.

Em setembro, promove a Festa das Orquídeas, que resultou até no título de Cidade das Flores. Nas ruas, todas arborizadas, as árvores são enfeitadas por orquídeas para receber durante uma semana aproximadamente mais de 25 mil turistas. Todas as 850 árvores localizadas em calçadas, canteiros e praças possuem um cadastro na Secretaria Municipal de Agricultura  e recebem em torno de 230 mil mudas de orquídeas, especialmente a Dendobrium Nobile, de cor acinzentada e tons de azul. A orquídea é considerada a flor-símbolo do município e a quantidade de cores chama a atenção principalmente de turistas.

Conservadora da natureza, Maripá fica colorida de flores e com os cofres públicos mais cheios apenas com a aplicação ecológica e turística de uma administração pública mais inteligente do que muitos governos municipais que deixam suas belezas naturais ao Deus dará, quando não fazem de tudo para destruir o pouco que resta.