14/11/2006
CARTA ABERTA DE INDIGNAÇÃO À DIRETORIA DA ACM

 

 (Ou porque cancelamos nossa participação na Expo 2006)

Nós, empresários estabelecidos e regularizados (livraria Canto do Livro), lamentamos o ocorrido na reunião do dia 9 de novembro, quando ficou claro que, na própria casa do empresário, há apenas uma voz para a defesa intransigente de um ponto de vista contrário ao empresariado. A Associação Comercial de Maricá, com seu silêncio, naquele momento, admitiu que qualquer um, mesmo ambulante informal, pode entrar gratuitamente em evento pago por empresários para fazer marketing pessoal, o que para a competência suprema do organizador não está ocorrendo.

Lamentamos também que a diretoria, em nenhum momento, pensou em colocar em discussão nosso ponto de vista, acatando a autoritária e exclusiva “competência” do organizador da Expo 2006. Em qualquer outro evento de classe, há um conselho organizador formado por associados e qualquer um deles tem sua opinião discutida e levada a plenário. Não acontece aqui, quando a ACM silenciou sobre a inclusão de ambulante informal na festa do empresário, mesmo que seja para falar como “cidadão”. No entanto, a empresa organizadora colocou no Fórum de Idéias, no site da Expo 2006, como palestrante a logomarca do ambulante informal, em nítida caracterização de merchandising, quando o correto seria o nome do palestrante como constam outros nomes. Como se vê, é uma questão de “competência” imensurável!

Ao sugerirmos a restrição na participação no Fórum de Idéias, queríamos evitar que, num futuro talvez até próximo, os empresários maricaenses apareçam como “avalistas” de ideais defendidos pelos ambulantes. Tal atitude é um precedente perigoso, uma vez que o empresariado não mais terá a mesma autoridade, quando tentar defender seus interesses afetados pelo mercado informal tão combatido pela própria ACM, e que sempre teve nossa participação e apoio.

Também lamentamos que dar exclusividade ao organizador para gerir e decidir sobre quem participa do evento do empresariado é, no mínimo, pagar a festa para a empresa organizadora. O que nos transparece é que a ACM cede apenas nome para uma empresa organizar a festa sem a mínima consideração com as opiniões dos empresários. Assim a ACM também se exime de sair em defesa do mercado do empresário.

No caso citado, não apenas em cidades civilizadas, mas em todas no entorno do município, há um movimento que fortalece as livrarias e as bibliotecas. Dão voz e voto cultural aos livreiros, reconhecidamente capazes de discutir assuntos como livro e cultura. No entanto, Maricá prefere a tradição da adesão cartorial e escancara as portas, com o aval do empresariado, para até ambulantes informais se promoverem em temas tão importantes como livro e cultura.

Como já tomamos tanto o tempo do presidente, aqui lembramos aquele Inimigo Público N° 1 da ditadura militar, Carlos Marighella, que em seu “Rondó da Liberdade” afirmou:

 

“É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer”

 

Em razão dos motivos expostos acima, não concordando em momento algum com uma “competência” exclusivista e a complacência da diretoria em relação ao fato, nos considerando pagantes de uma promoção pessoal de ambulante informal, solicitamos o nosso desligamento da Associação Comercial de Maricá, na qual sempre batalhamos pela defesa do interesse empresarial, a partir dessa data e nos reservamos o direito de tornar esta carta pública inclusive em nosso site.

 

Luiz Cláudio Sandy Gadelha – jornalista - MT – 13.335

Regina Rodrigues de Castro – advogada - OAB/RJ 33298