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(Ou porque cancelamos
nossa participação na Expo 2006)
Nós, empresários
estabelecidos e regularizados (livraria Canto do Livro), lamentamos
o ocorrido na reunião do dia 9 de novembro, quando ficou claro que,
na própria casa do empresário, há apenas uma voz para a defesa intransigente
de um ponto de vista contrário ao empresariado. A Associação Comercial
de Maricá, com seu silêncio, naquele momento, admitiu que qualquer
um, mesmo ambulante informal, pode entrar gratuitamente em evento
pago por empresários para fazer marketing pessoal, o que para a
competência suprema do organizador não está ocorrendo.
Lamentamos também
que a diretoria, em nenhum momento, pensou em colocar em discussão
nosso ponto de vista, acatando a autoritária e exclusiva “competência”
do organizador da Expo 2006. Em qualquer outro evento de classe,
há um conselho organizador formado por associados e qualquer um
deles tem sua opinião discutida e levada a plenário. Não acontece
aqui, quando a ACM silenciou sobre a inclusão de ambulante informal
na festa do empresário, mesmo que seja para falar como “cidadão”.
No entanto, a empresa organizadora colocou no Fórum de Idéias, no
site da Expo 2006, como palestrante a logomarca do ambulante informal,
em nítida caracterização de merchandising, quando o correto seria
o nome do palestrante como constam outros nomes. Como se vê, é uma
questão de “competência” imensurável!
Ao sugerirmos a restrição
na participação no Fórum de Idéias, queríamos evitar que, num futuro
talvez até próximo, os empresários maricaenses apareçam como “avalistas”
de ideais defendidos pelos ambulantes. Tal atitude é um precedente
perigoso, uma vez que o empresariado não mais terá a mesma autoridade,
quando tentar defender seus interesses afetados pelo mercado informal
tão combatido pela própria ACM, e que sempre teve nossa participação
e apoio.
Também lamentamos
que dar exclusividade ao organizador para gerir e decidir sobre
quem participa do evento do empresariado é, no mínimo, pagar a festa
para a empresa organizadora. O que nos transparece é que a ACM cede
apenas nome para uma empresa organizar a festa sem a mínima consideração
com as opiniões dos empresários. Assim a ACM também se exime de
sair em defesa do mercado do empresário.
No caso citado, não
apenas em cidades civilizadas, mas em todas no entorno do município,
há um movimento que fortalece as livrarias e as bibliotecas. Dão
voz e voto cultural aos livreiros, reconhecidamente capazes de discutir
assuntos como livro e cultura. No entanto, Maricá prefere a tradição
da adesão cartorial e escancara as portas, com o aval do empresariado,
para até ambulantes informais se promoverem em temas tão importantes
como livro e cultura.
Como já tomamos tanto
o tempo do presidente, aqui lembramos aquele Inimigo Público N°
1 da ditadura militar, Carlos Marighella, que em seu “Rondó da Liberdade”
afirmou:
“É preciso não ter
medo,
é preciso ter a coragem
de dizer”
Em razão dos motivos
expostos acima, não concordando em momento algum com uma “competência”
exclusivista e a complacência da diretoria em relação ao fato, nos
considerando pagantes de uma promoção pessoal de ambulante informal,
solicitamos o nosso desligamento da Associação Comercial de Maricá,
na qual sempre batalhamos pela defesa do interesse empresarial,
a partir dessa data e nos reservamos o direito de tornar esta carta
pública inclusive em nosso site.
Luiz Cláudio Sandy
Gadelha – jornalista - MT – 13.335
Regina Rodrigues
de Castro – advogada - OAB/RJ 33298
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