|
O Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 (RDH), apresentado nesta
quinta-feira, mostrou que, mesmo com a melhora de alguns indicadores,
o
Brasil não deve atingir a meta de saneamento básico estabelecida
pelas
Nações Unidas (ONU) até o ano de 2015.
Embora Brasil tenha atingido 75% dos domicílios com serviço de
coleta de
esgoto, segundo o RDH 2006, feito pelo Programa das Nações Unidas
para o
Desenvolvimento (PNUD), o País ainda precisa de 10,5 pontos percentuais
para
atingir a meta de 85,5% estabelecida para 2015. Segundo o relatório,
os
índices de acesso à água e coleta de esgoto evoluíram de 1990 a
2004. Em
1990, o percentual da população que tinha acesso a serviços de
saneamento
adequado, de acordo com o relatório, era de 71%.
A proporção de brasileiros com acesso à água potável, por exemplo,
aumentou,
no período, 8%, chegando a 90%. Com isso, o Brasil ficou bem perto
da meta
de 91,5%, estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
O Relatório
O índice é semelhante ao de países com alto IDH, como Coréia do
Sul e Cuba.
O IDH do Brasil, de 0,792, é considerado médio. Quanto à coleta
de esgoto,
no entanto, o país tem uma taxa de atendimento inferior à do Paraguai
e à do
México.
Os objetivos do milênio são uma série de metas socioeconômicas
que os países
que integram a ONU se comprometeram a atingir até 2015.
Apesar do alto índice de acesso à água, o Brasil está no 74° lugar
do
ranking de 159 países onde o índice é medido para compor o RDH.
A lista
exclui os países com alto IDH. No ranking de saneamento, a posição
brasileira é a de número 67, entre as 149 nações pesquisadas. Ficam
de fora
do levantamento as 24 com maior IDH.
O estudo das Nações Unidas indica que há uma relação muito próxima
entre
nível de pobreza, acesso à água e acesso a serviços de saneamento.
Nesse
sentido, a situação brasileira não é das melhores. Registra o relatório:
“à
medida que a renda aumenta, a cobertura média melhora. Mesmo uma
renda
nacional média relativamente alta não é garantia de uma alta taxa
de
cobertura entre os pobres. No Brasil, os 20% mais ricos desfrutam
de níveis
de acesso à água e a saneamento geralmente comparáveis ao de países
ricos.
Enquanto isso, os 20% mais pobres têm uma cobertura, tanto de água
como de
esgoto, inferior à do Vietnã”.
Apontado no RDH 2006 como um dos países com maior disponibilidade
de água,
inclusive superior ao que precisa consumir, o Brasil, no entanto,
não
conseguiu superar o desabastecimento em regiões secas e entre a
população de
baixa renda. De acordo com o relatório, milhões de pessoas vivem
na região
conhecida como Polígono da Seca, uma área de 940 mil quilômetros
quadrados
na região Nordeste, e enfrentam a falta crônica de água.
As Nações Unidas definem a água como uma necessidade humana elementar
e um
direito humano fundamental. Sem água, não há desenvolvimento. “Quando
se
trata de água, existe o reconhecimento de que o mundo enfrenta
uma crise
que, se não for controlada, vai por em perigo o progresso em direção
aos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e atrasar o desenvolvimento
humano”,
concluem os técnicos. O relatório registra também que, em geral,
os mais
pobres pagam os preços mais altos pela água no mundo e as pessoas
que mais
sofrem com a crise de água e do saneamento são as mais carentes.
Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a água potável no mundo,
por
viverem em regiões secas ou pelo fato dos rios estarem poluídos.
E cerca de
2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento adequado. Como
conseqüência, 1,8 milhão de crianças morrem, no mundo, em decorrência
de
problemas como diarréia e outras doenças provocadas por água suja
e más
condições de saneamento.
|