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Dilema no Controle do
Espaço Aéreo Brasileiro
Sistema de Controle do Espaço Aéreo
Brasileiro
Segundo Aurélio Buarque de Holanda
[1], “dilema, do ponto de vista da lógica,
é o raciocínio cuja premissa é alternativa, de sorte que qualquer
dos seus termos conduz à mesma conseqüência”. Em sentido figurado,
segundo a mesma obra do autor, “dilema é uma situação embaraçosa
com duas saídas difíceis e penosas”.
Com relação ao Controle do Espaço Aéreo,
o Comando da Aeronáutica enfrenta um dilema, tanto sob o ponto de
vista lógico, quanto sobre o ponto de vista figurado.
Nos anos setenta, a Aeronáutica optou
por implantar um Sistema Integrado de Defesa Aérea e Controle do
Espaço Aéreo, cuja sigla SISDACTA passou a ser sinônimo de modernidade
e eficiência no controle do espaço aéreo. Posteriormente, Foi normatizado
um sistema mais abrangente, o Sistema de Controle do Espaço Aéreo
Brasileiro (SISCEAB), que hoje engloba, além das atividades específicas
do controle de tráfego aéreo e da defesa aérea contidas no SISDACTA,
todas as demais atividades intervenientes ao controle do espaço
aéreo. A atividade fim de controle do espaço aéreo antes afeta a
uma organização de nível Diretoria, hoje é da competência do Departamento
de Controle do Espaço Aéreo, cujo Diretor Geral é integrante do
Alto-Comando da Aeronáutica.
O sistema de controle do espaço aéreo
implantado no Brasil pode ser discutido com relação a detalhes técnicos
da sua operação, mas não quanto a sua praticidade, economicidade
e flexibilidade. Nesses aspectos, para aqueles que raciocinam o
espaço aéreo como um bem a ser explorado e preservado, o sistema
é unanimidade. Isso ocorre pela junção das atividades de controle
e de defesa do espaço aéreo, utilizando os mesmos meios de detecção
e de comunicação e operacionalizadas a partir de salas contíguas
nos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Espaço Aéreo,
I, II, III e IV (CINDACTA I sede em Brasília, II sede em Curitiba,
III sede em Recife e IV sede em Manaus).
A efetividade de tal sistema
pode ser comprovada, tanto pelos índices de segurança de vôo da
aviação comercial brasileira, quanto pelo interesse demonstrado
por autoridades aeronáuticas de diversos países. As constantes visitas
dessas autoridades às instalações dos CINDACTA, evidenciam que a
correção do sistema adotado desperta, ao menos, forte curiosidade.
Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, autoridades norte-americanas
encarregadas de estudar e propor soluções para as falhas apontadas
no controle e na defesa aérea dos EUA, naquela data, visitaram o
CINDACTA para avaliar a solução brasileira. Em 23 de outubro de
2006, o CINDACTA I recebeu a visita do General-do-Ar Francisco José
Garcia de La Vega, Chefe do Estado-Maior do Ejercito Del Aire
da Espanha[2]. No encerramento da
visita, o General do Ar Francisco José Garcia de La Vega, “enfatizou
o alto nível tecnológico e profissional deste Centro, também
a eficácia na integração do sistema de defesa aérea militar e do
controle de tráfego aéreo civil” (sublinhado pelo autor).
Apesar do interesse despertado,
apenas o Brasil adota essa filosofia de total integração e de subordinação
à sua Força Aérea, dos recursos humanos e materiais envolvidos no
controle e na defesa do espaço aéreo.
Qual seria a razão? Pretende-se
aponta-la ao longo deste texto.
Os Controladores de Tráfego
Aéreo Chamam a Atenção das Autoridades.
Na semana final do segundo
turno das eleições brasileiras de 2006, com a população ainda sobre
o impacto do acidente do Gol 1907, os controladores (civis) de trafego
aéreo, que atuam no SISCEAB, decidiram mostrar a importância da
atividade, controle de tráfego aéreo, para a vida do País.
A manifestação desses controladores
consistiu-se na realização de uma “operação padrão”, ou seja: execução
das tarefas de controle de tráfego aéreo de forma a aumentar a separação
das aeronaves, de dois minutos para até dez minutos, durante as
operações de pouso e decolagem em um aeroporto com grande número
de conexões, o aeroporto de Brasília. Tal fato produziu nas escalas
das companhias aéreas um “efeito dominó”. Não podendo receber mais
aeronaves em seu pátio, por falta de espaço para estacionamento,
uma vez que as previstas para decolar não o fizeram, pelo maior
espaçamento, os reflexos dos atrasos provocados atingiram outros
aeroportos de grande movimento, que ficaram impedidos de decolar
aeronaves com destino a Brasília ou necessitaram aguardar os vôos
em conecção que vinham daquele aeroporto. O acúmulo de aeronaves
nos pátios dos aeroportos que aguardavam vôos vindos de Brasília,
ou pretendiam decolar aeronaves para Brasília, ocasionou problemas
em outros aeroportos. Como uma teia, os problemas se espalharam
por toda a malha. E os controladores nem mesmo falaram em paralisar
suas atividades, assim como outras categorias de funcionários públicos
e privados o fazem, em total desrespeito às necessidades da população.
No dia 31 de outubro o problema se agravou. Os controladores cruzaram
os braços por duas horas.
Em função da manifestação
dos funcionários civis da Aeronáutica, que atuam como controladores
de tráfego aéreo, sem dúvida com a participação velada dos sargentos
controladores de tráfego aéreo, maioria nessa atividade, a rádio
CBN, no dia 29 de outubro de 2006, entrevistou o Sr. Jorge Carlos
Botelho, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em segurança
de vôo.
As razões apontadas pelo
Sr. Jorge para a realização dessa manifestação estavam relacionadas
à falta de condições de trabalho, muito em função da “militarização
da atividade”, segundo usas palavras. Tal falta de condições se
desdobra, ainda segundo o Sr. Jorge, em acúmulo de trabalho, traduzida
em número de aeronaves controladas sob a responsabilidade de cada
controlador, forma de tratamento dispensada aos controladores pelos
chefes (militares?), não atendimento das suas reivindicações pelos
chefes do Ministério da Defesa e do Comando da Aeronáutica, e, finalmente,
falta de reconhecimento da importância da atividade, espelhada nos
baixos salários da categoria.
A argumentação de Jorge
Botelho poderia ser contestada se a repórter que o entrevistou tivesse
algum conhecimento técnico da questão. Não era o caso.
Por desconhecer, naquela
data, o que significa o controle de tráfego realizado em Zona de
Tráfego de Aeródromo, em Área de Controle Terminal e em Região de
Informação de Vôo, a repórter não poderia avaliar a atividade de
um controlador de um Controle de Solo, de uma Torre de Controle,
de um Controle de Aproximação e de um Centro de Controle de Área.
Um leigo não pode avaliar a significância de controlar 4 (proposta
dos controladores) ou 6 (norma em vigor) aeronaves em aproximação.
Também não pode avaliar o que significa controlar 14 (proposta dos
controladores) ou 16 (norma em vigor) aeronaves em uma FIR ou UIR.
Desconhece como a atividade de controle de tráfego fica mais sensível
com as aeronaves enfrentando áreas de mau tempo e turbulência. Nada
foi dito também sobre a ativação dos espaços aéreos RVSM (Reduced
Vertical Separation Minimum). Em que condições as operações
RVSM devem ser suspensas? O que seria uma separação radar e uma
separação convencional? A modalidade de escala de serviço cumprida
pelos controladores lhes proporciona descanso suficiente? Os níveis
de stress de um controlador de uma Estação Rádio de Aerovia
e de um controlador do APP São Paulo podem ser comparados?
Segundo publicou o Correio
Brasiliense de 31 de outubro de 2006, existem no Brasil 2.759 controladores
de tráfego, sendo que 2.122 são militares. Controlador de tráfego
é aquele profissional que ocupa uma posição operacional em umas
organizações do Sistema de Tráfego Aéreo (ATS), exercendo uma tarefa
de controle direto sobre as aeronaves em operação, no solo ou em
vôo.
Mas, existe um muito maior contingente
de especialistas da Aeronáutica que dá suporte às operações das
aeronaves e às tarefas dos controladores de tráfego aéreo. Mantenedores
de equipamentos eletrônicos, tanto os que equipam os diversos controles
de tráfego, quanto os equipamentos de auxílio à navegação, espalhados
pelo Brasil. Mantenedores de motores, de grupos geradores, distribuídos
junto aos controles de tráfego e equipamentos de auxílio à navegação,
para fazer girar os radares e fazer funcionar os geradores “no-brake”,
pois vidas dependem do funcionamento dos equipamentos, que não podem
ficar sujeitos aos humores dos fornecedores comerciais de energia.
Operadores e mantenedores de estações meteorológicas, expedindo
boletins horários e realizando previsões, além de todas as demais
responsabilidades previstas em acordos internacionais, durante 365
dias no ano. Especialistas fiscais de aviação civil e operadores
de salas de tráfego nos aeroportos. Especialistas para coletar dados
cartográficos, compor, montar, atualizar e editar as cartas e publicações
de tráfego aéreo.
O Centro de Gerenciamento na Navegação
Aérea (CGNA), que tem por missão a harmonização do gerenciamento
do fluxo de tráfego aéreo, é um exemplo do serviço de especialistas
que não controlam o tráfego aéreo, diretamente, mas que o fazem
fluir com agilidade e segurança. O CGNA é composto por uma Célula
de Coordenação e Decisão – DCC e por Unidades voltadas para aspectos
específicos da atividade que incluem:
- Unidades de Gerenciamento de
Fluxo de Tráfego Aéreo – ATFMU.
- Unidades de Gerenciamento do
Espaço Aéreo – ASMU.
- Unidades de Monitoração da
Operacionalidade do Sistema _ MOSU.
- Unidade de Utilidades do Sistema
UTILU.
Quando o Sr. Jorge Carlos Botelho,
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em segurança de vôo, trata
de uma danosa militarização do sistema, ele está representando quem?
Certamente não as dezenas de milhares de especialistas da Aeronáutica,
dos diversos níveis hierárquicos, pois, por Lei, esses não pertencem
a sindicato algum.
Contudo, os vôos estão sendo
atrasados, desde o início da semana de 22 a 28 de outubro de 2006.
Questão Salarial – O
Dilema.
Foi abordada na entrevista
concedida à Rádio CBN, superficialmente, a questão salarial. Este
é o dilema da Aeronáutica. A maioria dos controladores de tráfego
aéreo ainda é militar. Envolvidos na questão baixos salários
em relação à especialização necessária para o exercício de tarefas
complexas e de grande responsabilidade, existem dezenas de milhares
de militares na Aeronáutica, e também das outras Forças.
Como sargento, o controlador
de vôo recebe o mesmo pagamento de um sargento que toca tambor em
uma banda de música na Aeronáutica. Não que o tocador de tambor
receba um bom salário para a sua atividade ou que esta não seja
importante. Acontece que os níveis técnicos das atividades, de um
(músico) e do outro (controlador de tráfego aéreo), assim como a
importância econômica e a responsabilidade das atividades, são completamente
diversos.
Um músico de alguma importante
orquestra recebe sua remuneração não por ser, simplesmente, músico.
Sua remuneração será maior ou menor conforme sua importância para
a orquestra. A Aeronáutica é uma orquestra de sargentos de diversas
especialidades que recebem o mesmo salário por serem sargentos.
Sem dúvida, esse fato ocorre
também nas demais Forças Armadas, em algumas especialidades. Pode-se
dizer que é genérico do funcionário público, seja militar ou civil.
Via de regra, percebe-se o salário pela hierarquia do cargo, não
pelo desempenho e relevância da tarefa.
A força de negociação salarial, em
geral, está ligada a maior ou menor capacidade de mobilização do
sindicato de cada classe. Os controladores de tráfego aéreo estão
mostrando que a sua capacidade de mobilização suplanta a sindicalização
ou não da classe. Sem dúvida, são observados, atentamente, por todos
os demais especialistas da Aeronáutica, cuja mobilização não teria
um resultado prático tão imediato, mas seria igualmente danosa.
Antigamente, quando algum
militar das Forças Armadas discutia a possibilidade e conseqüências
de uma greve, alguém sempre dizia, mesmo que em tom de gozação:
é melhor não fazermos greve, pois pode aparecer que resolvam nos
manter em greve. Os tempos mudaram, tanto pelo grande envolvimento
da Aeronáutica, e das outras duas Forças, em questões vitais para
a economia e desenvolvimento do país, quanto pela real impossibilidade
de substituir os profissionais citados, melhor dizendo: impossibilidade
de desmilitarizar o sistema a médio prazo.
A questão não está relacionada
à idiossincrasia de certas pessoas no trato com as Forças Armadas.
A questão é: até hoje, os militares foram mão de obra, especializada
e muito barata, cuidando de considerável parte da economia brasileira.
A questão é possibilitar uma remuneração adequada.
Como os tempos mudaram,
a legislação deve ser adaptada.
Os Tempos São Outros.
Existem pontos que devem
ser bem avaliados, no que diz respeito à junção das atividades militares
de defesa, e das atividades eminentemente civis, relacionadas á
setores da indústria privada, no caso indústria de transporte aéreo.
Na atividade de controle
do espaço aéreo, como já foi dito, a Força Aérea envolve a maioria
dos seus técnicos.
Seguindo a tendência internacional
na época da II Grande Guerra, ativar uma instituição com o comando
independente da arma aérea, o governo brasileiro foi além. Estabeleceu
que ao Ministério da Aeronáutica competisse o estudo e despacho
de todos os assuntos relativos à atividade da aviação nacional,
dirigindo-a técnica e administrativamente. Para tal, subordinou
ao’ Ministério da Aeronáutica as instituições, repartições, órgãos
e serviços referentes à atividade da aviação nacional, a época subordinados
ao Ministério da Guerra, da Marinha e da Viação e Obras Públicas.
Excetuando-se a “atividade dos pássaros”,
toda e qualquer atividade aérea passou a ser da competência do novo
Ministério. O Decreto-lei de criação ainda foi específico, no seu
artigo 26, quanto à autoridade do Ministro da Aeronáutica sobre
a exploração comercial do transporte aéreo, sobre a atividade aerodesportiva,
sobre a atividade técnica e de ensino destinadas ao estudo e aprendizagem
da aeronáutica, incluindo nesse rol de competências companhias,
empresas, instalações e outras entidades ligadas à Aeronáutica.
A leitura dos “considerandos”, que
se constituem no preâmbulo do Decreto Lei de criação do Ministério
da Aeronáutica, indica que sempre se teve em mente que operar e
manter as “Forças Aéreas Nacionais” e fomentar a iniciativa particular
para o incremento da aviação nacional seriam tarefas por demais
dispendiosas. É perfeitamente compreensível ter sido o fator econômico
um dos principais indicadores da necessidade de concentrar os meios
aéreos sob um só comando.
Mas, tanto os tempos da
criação do Ministério da Aeronáutica, quanto da ativação do SISDACTA,
eram outros. A criação do Ministério da Aeronáutica era uma demanda
da defesa nacional. A criação do SISDACTA foi uma necessidade operacional
da Força Aérea e uma necessidade da soberania nacional (Defesa Aérea).
Mas, também, foi uma demanda comercial, internacional (tratados
dos quais o Brasil era signatário). Tanto a criação do Ministério
da Aeronáutica, quanto à do SISDACTA, obedeceram a razões lógicas,
práticas e de economia de recursos.
Qual seria a lógica para
os dias de hoje? Passar todo o sistema (todo mesmo) para algum Ministério
ou Agência civil? Ou apenas adequar, por uma mudança de legislação,
a remuneração dos especialistas envolvidos no sistema?
No mundo pós guerra-fria,
época que coincide no Brasil com o chamado “período de redemocratização”,
os militares brasileiros passaram a ser vistos não mais como uma
instituição a ser preservada e prestigiada. Não se contrapondo às
ações que conduziam ao desprestígio das Forças Armadas, no Brasil,
os militares não se preparam para as mudanças que se anteviam como
certas.
A ativação do Ministério
da Defesa foi emblemática. O Ministério da Defesa poderia ter sido
aquele que, qualquer militar profissional e antenado com as necessidades
logísticas, operacionais e de inteligência de Forças Armadas modernas,
desejaria que existisse no seu país. O antigo Estado Maior das Forças
Armadas poderia ter sido o embrião desse Ministério da Defesa (MD).
A inação dos militares, incapazes de discutir tal assunto com a
sociedade civil, e, muito menos, entre as três Forças, permitiu
a criação de um MD e a sua estruturação organizacional, anteriormente
à adequação da missão das Forças Armadas a um cenário de projeção
estratégica definido para o País.
Na Aeronáutica, paralelamente
à criação do MD, aflorou a vontade, ou necessidade, de transformar
o que era Ministério da Aeronáutica em Força Aérea Brasileira (FAB).
A INFRAERO, que administra
todos os Aeroportos compartilhados pela FAB (Bases Aéreas) com a
Aviação Civil, deixou de ser uma empresa estatal vinculada à Aeronáutica
para ser uma empresa estatal vinculada ao MD. Em seguida, foi extinto
o Departamento de Aviação Civil (DAC) e criada a Agência Nacional
de Aviação Civil (ANAC), sendo essa também subordinada ao MD.
Qualquer profissional militar
concorda que tais organizações não deveriam mais pertencer ou serem
subordinadas a uma Força Armada. Mas, também, não deveriam ser subordinadas
ao MD.
Ainda menos se for considerada
que, a maior parte das atividades que envolvem o controle do espaço
aéreo permanece sob o comando, a responsabilidade, da Força Aérea.
A recente tragédia, maior acidente da aviação brasileira até os
dias de hoje, e seus desdobramentos, envolveu, diretamente a Aeronáutica.
Se não vejamos:
- Os controladores de tráfego
envolvidos são da Aeronáutica.
- A busca da aeronave e o resgate
dos corpos são responsabilidades da Aeronáutica.
- A investigação do acidente
é responsabilidade da Aeronáutica.
- A homologação dos equipamentos
que operam nas aeronaves é responsabilidade da Aeronáutica.
- A infra-estrutura de comunicações
(correm versões sobre a falha) do SISCEAB é da Aeronáutica (projeto,
instalação, manutenção e operação)
- A adequação dos planos de vôo
das duas aeronaves e sua compatibilização, em função dos horários
de sobrevôo dos pontos de controle das aerovias é responsabilidade
da Aeronáutica.
Ou seja: a responsabilidade da Aeronáutica
está presente em, praticamente, todos os possíveis “fatores contribuintes”
do acidente ocorrido entre aeronaves civis. Mas a aviação civil
não foi retirada do controle da Aeronáutica? Não existe a ANAC?
A idéia de retirar DAC e
INFRAERO do controle da Aeronáutica tinha por objetivo retirar do
controle militar atividades, eminentemente, relacionadas com a indústria
civil. Assim, o que fazer se chegarem à conclusão que os controladores
de vôo devem ser mais bem remunerados, como solução para minimizar
as perdas do movimento dos controladores de tráfego? Na Alemanha
a categoria é uma das mais bem remuneradas do país. Eles sabem a
importância desses profissionais e a responsabilidade inerente à
profissão. Por períodos de tempo, os controladores são responsáveis
pela vida de parte da elite do país.
Considerando que milhares de outros
militares atuam no SISCEAB, como tratar a remuneração desses? Como
modificar o sistema de remuneração, existente nas Forças Armadas,
de forma a atender às necessidades das diversas categorias de profissional,
que, apesar da condição de militar, são indispensáveis para a indústria
do transporte aéreo, por exemplo?
Soluções simplistas precipitarão
uma cisão interna e entre as Forças Armadas. Discutir o assunto
com a tropa, com clareza, com transparência, é fundamental.
Conselho de Antigos Instrutores
de Vôo.
Quando o aprendizado de
vôo era realizado na antiga Escola de Aeronáutica, no Campo dos
Afonsos, a realização do vôo de formatura era conduzida a extremos.
Manobras a baixa altura eram realizadas com cadetes voando solo
na ala de instrutores. Tais manobras são impensáveis na instrução
da Academia da Força Aérea nos dias de hoje, tanto por maior controle
e profissionalismo, quanto pelo tipo de aeronave utilizada na instrução.
A grande preocupação dos instrutores era que o cadete não fosse
capaz de acompanhar a manobra e viesse a “espirrar” [3] da formatura, em uma situação crítica.
O conselho dado aos jovens
cadetes era: “Antes de espirar da formatura comande a sua saída.
Se tiver que espirar, espirre controlado”.
Sempre foi um bom conselho.
Tem a ver com análise da conjuntura, com planejamento estratégico.
Tanto o MD quanto a ANAC
foram “espirradas sem controle”. O acidente do GOL 1907 está precipitando
mudanças, cujos sinais já vem sendo mostrados desde muito tempo.
Protestos de controladores de vôo já ocorreram na net. Não são,
portanto, novidade.
A baixa remuneração dos
militares, a não valorização dos cargos técnicos, o corte de gratificações
na Lei de Remuneração de Militares (LRM) que implantou o famigerado
“soldão”, são agravantes do processo.
Sem dúvida, crescer a estrutura
organizacional das Forças, sem critério administrativo que justifique,
também não ajuda em nada a solução do problema.
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