06/11/2006
Jornal Leitores & Livros
Ed. Luiz Gadelha
Canto do Livro Informa:
MANIFESTO A FAVOR DE EMIR SADER

 

Segue abaixo o texto da Carta Maior solicitandoadesão ao manifesto contra

a condenação do sociólogo Emir Sader, professor da Uerj, por assinar um

artigo na revista contra o senador Bornhausen. O professor foi condenado a

perda do emprego. Um absurdo que um senador, muito camisa verde, conseguiu

como se fosse o "dono da pátria".

Emir Sader é condenado em processo movido por Bornhausen; cabe recurso

11ª Vara Criminal de São Paulo condena colunista a um ano de prestação de

serviços à comunidade e à perda de seu cargo de professor na Uerj por ter

chamado senador de 'racista'.

Marcel Gomes* – Carta Maior

SÃO PAULO – O cientista social e colunista da Carta Maior Emir Sader foi

condenado à perda de seu cargo de professor na Universidade Estadual do

Rio de Janeiro (Uerj) e a um ano de detenção, em regime aberto,

conversível à prestação de serviços à comunidade, pela 11ª Vara Criminal

de São Paulo, que julgou um processo de injúria movido pelo senador Jorge

Bornhausen (PFL-SC). Cabe recurso à decisão, ainda em primeira instância.

Na sentença, o juiz Rodrigo César Muller Valente avaliou que Sader cometeu

crime ao tratar Bornhausen como “racista” em um artigo publicado na Carta

Maior em 28 de agosto do ano passado. O colunista se referia a uma

manifestação pública do senador feita dois dia antes, na qual, ao ser

questionado em um evento com empresários se estava desencantado com a

crise política, ele respondeu: “Desencantado? Pelo contrário. Estou é

encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

Marcelo Bettamio, advogado de Sader, disse que irá recorrer da decisão,

que só passa a valer após o trânsito em julgado da sentença. Segundo ele,

houve cerceamento do direito de defesa durante o trâmite do processo. “O

juiz não intimou as testemunhas de defesa, cujo comparecimento ao tribunal

fora pedido pelo defendente”, alega. Sobre a cassação do professor de seu

cargo na Uerj, Bettamio considera a decisão descabida, uma vez que o

artigo assinado por Sader não teria relação com sua função docente naquela

universidade.

O senador Jorge Bornhausen foi procurado para se manifestar sobre o caso,

mas sua assessoria disse que ele não comentaria o caso. O juiz Rodrigo

César Muller Valente também foi contatado através de sua secretária, mas

não respondeu à solicitação de entrevista.

A polêmica

Na época, ao explicar a declaração, Bornhausen disse se referia aos

petistas e à expectativa de que Lula fosse derrotado nas eleições deste

ano. A expressão “raça” utilizada por ele gerou manifestações de repúdio

no governo, no PT e em esferas da esquerda. Cartazes acusando o senador de

racismo chegaram a ser distribuídos em Brasília. Diante da repercussão, o

senador, que também é presidente do PFL, publicou um artigo no jornal

Folha de S. Paulo, em 29 de setembro, em que tentava explicar o uso da

expressão.

“Quanto a ter usado a palavra ‘raça’ – não como designação preconceituosa

de etnia, ideologia, religião, caracteres, mas como camarilha, quadrilha,

grupo localizado –, tão logo alguns falsos intelectuais surgiram,

incriminando-me, apareceram preciosos testemunhos a meu favor. Confesso

que falei "dessa raça" espontaneamente, sem premeditação, usando meu

modesto universo vocabular, a linguagem coloquial brasileira com que me

expresso, embora meus adversários tentem me isolar numa aristocracia

fantasiosa”, escreveu Bornhausen.

Segundo o advogado Marcelo Bettamio, na apresentação de sua defesa, Emir

Sader alegou que, ao usar o termo racismo, “não visou ofender a honra nem

subjetiva nem objetiva do senador, mas sim fazer uma crítica a um

parlamentar que fez uma declaração pública, perante a mídia, com termos

preconceituosos”. Bettamio considera que, através do artigo na Folha de S.

Paulo, o próprio senador se retratou. “O prof. Emir Sader apenas exerceu o

direito à livre manifestação e à crítica, salvaguardado na Constituição”,

disse o advogado.

* Colaborou Flávio Aguiar

Manifesto pró-Emir Sader: clique aqui para

(assinar http://www.petitiononline.com/emir/petition.html)