Na Polícia Militar do Estado
do Rio de janeiro,uma prematura promoção ao posto de coronel(máximo
na corporação),causou descontentamento geral e o deputado
Paulo Ramos ,major PM da reserva,por estar deputado estadual,registrou
o protesto na ALERJ.
TRECHO DO DISCURSO DO DEPUTADO PAULO RAMOS NA TRIBUNA
DA ALERJ SOBRE AS PROMOÇÕES
Sr. Presidente, quando imaginávamos que daquele centro
de elaboração de
maldades nada mais pudesse surgir, estamos diante de
uma situação que vem
causando uma desagregação ainda maior no seio da oficialidade
da Polícia
Militar do Estado do Rio de Janeiro. S. Exa. a Sra.
Governadora Rosinha
Garotinho, numa manifestação clara de abuso de poder,
resolveu elevar ao
posto mais alto da carreira na Polícia Militar um tenente-coronel
que já
havia sido promovido no próprio Governo Rosinha, de
major a
tenente-coronel. S. Exa. resolveu alçá-lo ao posto de
coronel, tendo o
protegido apenas 21 anos de serviço, ultrapassando mais
de dez turmas,
dando a chamada "cangalha", que é o termo
usado nas corporações militares -
alguns chamam de "carona", também.
Qual a razão disso? Como alguém - mesmo o beneficiado,
mesmo o protegido -
pode se sentir confortável diante dos seus próprios
companheiros, com quem
convive e vai continuar convivendo? Ultrapassou oficiais
muito mais antigos
e, reconhecidamente, muito mais preparados, muito mais
experientes.
Entretanto, vai, agora, ostentar o galão do último posto!
Naturalmente, não
será contemplado com o reconhecimento dos seus companheiros,
será uma
espécie de "coronel virtual". Porque aqueles
que se sentiram agredidos -
muito mais do que prejudicados - não lhe prestarão os
gestos, as
continências, os sinais de respeito constantes dos regulamentos.
Será uma
espécie de pária no seio da corporação! E mais: como
somente tem 21 anos de
serviço - e o tempo máximo de permanência no último
posto são seis anos
agora -, já há uma trama no Palácio Guanabara! Veja
V. Exa., Deputado
Sivuca, a que ponto podem chegar detentores do poder
para proteger
apaniguados! S. Exa., a Governadora Rosinha Garotinho,
pretende aumentar
para dez anos o tempo máximo de permanência no último
posto da Polícia
Militar!
Muita gente pode imaginar se tratar única e exclusivamente
de uma questão
interna. Mas isso influi na estrutura organizacional
da corporação, que se
baseia na hierarquia e na disciplina. Sem hierarquia
não há disciplina.
Estuprar a hierarquia significa aniquilar a disciplina,
com reflexos,
obviamente, na boa prestação de serviços devida pela
Polícia Militar à
população do nosso estado.
Não sei como uma governadora pode se deixar levar por
tal procedimento, não
sei. Como tudo no Governo Rosinha Garotinho é muito
suspeito, há
insinuações sobre as motivações passionais que poderiam
ter levado a
governadora a tamanha insanidade.
De qualquer maneira, fica aqui registrado o meu protesto
e a minha
solidariedade àqueles que hoje estão amargurando uma
manifestação de
prepotência, de insensibilidade e de desrespeito que
vem da governadora e
também do seu protegido. Não é a primeira vez que isso
acontece na Polícia
Militar. Entretanto, a não ser as famigeradas promoções
por bravura - outro
absurdo - ou "a pecúnia", nunca se constatou
tamanha "carona"; é a maior
"carona", a maior "cangalha"! Chegou
ao posto de coronel enquanto quase
todos os integrantes da própria turma ainda estão no
posto de major -
inclusive o primeiro da turma! Deve ser muito sabido
ou deve ter outros
atributos, que, pelo menos no seio da Polícia Militar
não foram
constatados!