01/09/2006
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AFILHADÃO!

Na Polícia Militar do Estado do Rio de janeiro,uma prematura promoção ao posto de coronel(máximo na corporação),causou descontentamento geral e o deputado Paulo Ramos ,major PM da reserva,por estar deputado estadual,registrou o protesto na ALERJ.

 

 

TRECHO DO DISCURSO DO DEPUTADO PAULO RAMOS NA TRIBUNA DA ALERJ SOBRE AS  PROMOÇÕES

  

 Sr. Presidente, quando imaginávamos que daquele centro de elaboração de

 maldades nada mais pudesse surgir, estamos diante de uma situação que vem

 causando uma desagregação ainda maior no seio da oficialidade da Polícia

 Militar do Estado do Rio de Janeiro. S. Exa. a Sra. Governadora Rosinha

 Garotinho, numa manifestação clara de abuso de poder, resolveu elevar ao

 posto mais alto da carreira na Polícia Militar um tenente-coronel que já

 havia sido promovido no próprio Governo Rosinha, de major a

 tenente-coronel. S. Exa. resolveu alçá-lo ao posto de coronel, tendo o

 protegido apenas 21 anos de serviço, ultrapassando mais de dez turmas,

 dando a chamada "cangalha", que é o termo usado nas corporações militares -

 alguns chamam de "carona", também.

 

 Qual a razão disso? Como alguém - mesmo o beneficiado, mesmo o protegido -

 pode se sentir confortável diante dos seus próprios companheiros, com quem

 convive e vai continuar convivendo? Ultrapassou oficiais muito mais antigos

 e, reconhecidamente, muito mais preparados, muito mais experientes.

 

 Entretanto, vai, agora, ostentar o galão do último posto! Naturalmente, não

 será contemplado com o reconhecimento dos seus companheiros, será uma

 espécie de "coronel virtual". Porque aqueles que se sentiram agredidos -

 muito mais do que prejudicados - não lhe prestarão os gestos, as

 continências, os sinais de respeito constantes dos regulamentos. Será uma

 espécie de pária no seio da corporação! E mais: como somente tem 21 anos de

 serviço - e o tempo máximo de permanência no último posto são seis anos

 agora -, já há uma trama no Palácio Guanabara! Veja V. Exa., Deputado

 Sivuca, a que ponto podem chegar detentores do poder para proteger

 apaniguados! S. Exa., a Governadora Rosinha Garotinho, pretende aumentar

 para dez anos o tempo máximo de permanência no último posto da Polícia

 Militar!

 

 Muita gente pode imaginar se tratar única e exclusivamente de uma questão

 interna. Mas isso influi na estrutura organizacional da corporação, que se

 baseia na hierarquia e na disciplina. Sem hierarquia não há disciplina.

 Estuprar a hierarquia significa aniquilar a disciplina, com reflexos,

 obviamente, na boa prestação de serviços devida pela Polícia Militar à

 população do nosso estado.

 

 Não sei como uma governadora pode se deixar levar por tal procedimento, não

 sei. Como tudo no Governo Rosinha Garotinho é muito suspeito, há

 insinuações sobre as motivações passionais que poderiam ter levado a

 governadora a tamanha insanidade.

 

 De qualquer maneira, fica aqui registrado o meu protesto e a minha

 solidariedade àqueles que hoje estão amargurando uma manifestação de

 prepotência, de insensibilidade e de desrespeito que vem da governadora e

 também do seu protegido. Não é a primeira vez que isso acontece na Polícia

 Militar. Entretanto, a não ser as famigeradas promoções por bravura - outro

 absurdo - ou "a pecúnia", nunca se constatou tamanha "carona"; é a maior

 "carona", a maior "cangalha"! Chegou ao posto de coronel enquanto quase

 todos os integrantes da própria turma ainda estão no posto de major -

 inclusive o primeiro da turma! Deve ser muito sabido ou deve ter outros

 atributos, que, pelo menos no seio da Polícia Militar não foram

 constatados!

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