10/04/2006
Jornal Leitores & Livros
Ed. Luiz Gadelha
Lagoa é dos bois e plantas daninhas
Luiz Gadelha

Há mais de quatro meses, um seminário promovido na cidade denunciou o alto índice de poluição nas águas da lagoa de Maricá. Desde aquela época, apesar da presença de representantes da Prefeitura no seminário, a população continua ainda sem ser alertada sobre o perigo, que não é novo, de se banhar, principalmente na lagoa de Maricá, na área de Araçatiba. Não há uma placa indicando água imprópria para banho.

O governo municipal, quando se trata da lagoa, mostra o maior descaso, uma vez que nunca desenvolveu um programa de tratamento de esgoto no município. A lagoa sempre foi um “sanitário” a céu aberto. Os sumidouros residenciais contaminam os lençóis freáticos e as “redes de esgotos” deságuam nos rios ou em servidões diretamente na lagoa.

Há uma redução significativa do espelho de água e um assoreamento cada vez mais acelerado das margens, que não só servem para a “plantação” de taboas, principalmente no braço de lagoa da Mumbuca-Itapeba, servida pelo rio Camburi. No trecho citado, os pescadores já não freqüentam o local devido à poluição estar provocando problemas de pele em quem se aventura no local.

Sequer é possível ver o espelho de água, pois há um “mar” de taboas de 50 metros de largura, no ponto mínimo, margeando o que resta de água. O dano à faixa marginal é crime ambiental e a impossibilidade de se ver tal trecho da lagoa é condenada pela Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), que admite, como uma das funções em sua Gestão de Recursos Hídricos “permitir contemplação paisagística, proporcionando uma melhor qualidade de vida”. No entanto, a Serla parece ignorar o assoreamento e o lixo em que, inclusive com a contribuição dos habitantes, a Prefeitura tem transformado a lagoa.

Cada vez mais reduzida a lagoa, nessa área, ainda é constantemente coberta por jigogas (Eichornia crassipes), que impedem a entrada da luz solar e, por conseqüência, reduz o oxigênio na água, provocando o desaparecimento dos peixes, que não encontram mais alimento. Em toda a margem há um imenso cordão de aguapés, considerada uma “planta daninha por infestar sistemas fluviais e lacunares urbanos na ausência de peixes e mamíferos predadores”, que tem preferência “por rios de fluxo lento ou lagoas de água doce”.

O assoreamento das margens com acumulo de esgoto, taboas (Typha domingensis)  - são aproximadamente 90 mil m² de cultura da taboa - e jigogas tem permitido se criar animais em uma faixa de 50 metros, na parte mais estreita, em torno da lagoa. A área tem servido para muito estancieiro de beira-lagoa deixar seus animais pastando e estrumando as águas.      

Os governos municipal e estadual, através da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), anunciaram, em maio, a liberação de R$ 5,5 milhões para revitalização do sistema lagunar com o projeto Maricá – Veneza brasileira, mas as áreas de lagoa que mais sofrem com a poluição não viram qualquer obra. No entanto, ainda não foi feito qualquer trabalho em relação às áreas tomadas por gigogas e taboas, que só são “dragadas” quando há uma iniciativa popular e a população resolve limpar a lagoa com as mãos.   

Boi pastando na lagoa