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Há mais de quatro meses,
um seminário promovido na cidade denunciou o alto índice de poluição
nas águas da lagoa de Maricá. Desde aquela época, apesar da presença
de representantes da Prefeitura no seminário, a população continua
ainda sem ser alertada sobre o perigo, que não é novo, de se banhar,
principalmente na lagoa de Maricá, na área de Araçatiba. Não há
uma placa indicando água imprópria para banho.
O governo municipal,
quando se trata da lagoa, mostra o maior descaso, uma vez que nunca
desenvolveu um programa de tratamento de esgoto no município. A
lagoa sempre foi um “sanitário” a céu aberto. Os sumidouros residenciais
contaminam os lençóis freáticos e as “redes de esgotos” deságuam
nos rios ou em servidões diretamente na lagoa.
Há uma redução significativa
do espelho de água e um assoreamento cada vez mais acelerado das
margens, que não só servem para a “plantação” de taboas, principalmente
no braço de lagoa da Mumbuca-Itapeba, servida pelo rio Camburi.
No trecho citado, os pescadores já não freqüentam o local devido
à poluição estar provocando problemas de pele em quem se aventura
no local.
Sequer é possível ver
o espelho de água, pois há um “mar” de taboas de 50 metros de largura,
no ponto mínimo, margeando o que resta de água. O dano à faixa marginal
é crime ambiental e a impossibilidade de se ver tal trecho da lagoa
é condenada pela Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas
(Serla), que admite, como uma das funções em sua Gestão de Recursos
Hídricos “permitir contemplação paisagística, proporcionando uma
melhor qualidade de vida”. No entanto, a Serla parece ignorar o
assoreamento e o lixo em que, inclusive com a contribuição dos habitantes,
a Prefeitura tem transformado a lagoa.
Cada vez mais reduzida
a lagoa, nessa área, ainda é constantemente coberta por jigogas
(Eichornia crassipes), que impedem a entrada da luz solar e, por
conseqüência, reduz o oxigênio na água, provocando o desaparecimento
dos peixes, que não encontram mais alimento. Em toda a margem há
um imenso cordão de aguapés, considerada uma “planta daninha por
infestar sistemas fluviais e lacunares urbanos na ausência de peixes
e mamíferos predadores”, que tem preferência “por rios de fluxo
lento ou lagoas de água doce”.
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