10/03/2006
 
"Morre Congo, Fica Congo"

.O DOCUMENTÁRIO

Até os anos 70 o Jongo Rural de Angra dos Reis mantinha a comunhão dos seus
praticantes nos encontros de terreiro. Esses encontros foram desfeitos a
partir de 1973, durante o governo do General Emílio Garrastazu Médici, com
as obras da rodovia Rio-Santos; a construção das usinas nucleares e a
especulação imobiliária, que desfizeram laços sociais, trouxeram violência e
obrigaram famílias inteiras a migrar de bairros como Mambucaba, Itaorna,
Frade e Grataú para o Morro do Carmo, no centro de Angra.
Memória da terra, saudades do local de origem, recuperação da auto-estima,
magia. "Morre congo, fica congo" é o registro raro e impressionante do Jongo
Rural (manifestação oral-ritmica dos remanescentes de quilombos, com pontos
falados, cantados e acompanhados de palmas e tambor), que é revelado, no
filme, pelos depoimentos dos seus cinco últimos mestres praticantes: Carmo
Moraes, na época, com 82 anos de idade; Dona Luisa, 67; Zady Rita, 62;
Rosalvo Bernardo, 57 e Zé Adriano, 78.
Exibido até agora, em salas especiais (Museu da Imagem e do Som; Centro
Cultural e Artístico Botafogo e Universidade Federal do Rio de Janeiro,
durante a "I Semana de Artecultura", num painel de que participaram Sílvio
Tendler ("Mariguela"); Lula Buarque de Holanda ("Pierre Verger - Mensageiro
entre dois mundos"); Fernando Meirelles e Kátia Lund ("Cidade de Deus") e
Simplício Neto e Márcia Derraik ("Onde a coruja dorme"), o curta Morre
congo, fica congo foi convidado para exibição no Encontro Latino Americano
de Culturas, México e na IPCTV, de Tóquio. O documentário está agendado para
exibição, este mês, nos programas Zoom (TV Cultura, São Paulo) e Curta
Brasil (TVE, Rio de Janeiro).

Ficha:
Morre congo, fica congo. DGT-Filmes - www.dgtfilmes.com.br (SP), DV, 2001,
cor , legendado inglês. Pesquisa, argumento, roteiro e direção geral -
Délcio Teobaldo; diretor de fotografia - Toni Nogueira.

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Délcio Teobaldo
Neto da batuqueira angolana Eva Paulina de Jesus; da cirandeira portuguesa
Angelina Maria dos Santos e do caboclo contador de histórias, Luiz Sabino
Soares; filho da camponesa e benzedeira, Maria Luzia; do dançador de caxambu
e caboclinho, José Teobaldo, Délcio nasceu e cresceu em Ponte Nova, Zona da
Mata mineira, ouvindo ladainhas, congadas, fulôs, cantos de calamboteiros e
de lavadeiras. A sua carreira profissional tem fundamento nesses contos,
ritmos e festas; no requinte dos doces e licores portugueses de Algarve; no
poder dos chás, das benzas e ungüentos da tradição guarani-banta.
É escritor, jornalista, músico (percussões, violão, cantor, letrista,
arranjador), artista plástico, pesquisador de culturas populares, produtor,
roteirista, editor e diretor de TV.
Palestras musicadas: "A Filosofia das Tradições Afro-Brasileiras",
Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro e Grupo de Capoeira
Angola Pelourinho (GCAP), Bahia (1998); "Afro-Talk-Vídeo", Museu da
República, Sala Edson Carneiro, Rio de Janeiro (1999); "Musicalidade Afro
Brasileira - Do sagrado ao profano", UFF e GCAP (2000); "V Encontro de
Jongueiros. Angra dos Reis. RJ". Palestra (2000); "Primeiro Fórum de Debates
sobre Arte e Cultura Popular" - Centro Cultural e Artístico de Botafogo
(2000); "Cultura oral e cultura dos gestos" - "I Semana de Artecultura" -
Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002)
Criou, coordenou e apresentou: Série de nove palestras musicadas "Jongá -
Cantos de fé, de trabalho e de orgia", para o "III Fórum de Cultura
Brasileira", do Centro Cultural e Artístico de Botafogo, em parceria com a
Biblioteca Municipal Machado de Assis, Secretaria das Culturas da prefeitura
da cidade do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (2001/2002)
Shows: No fuzuê da muvuca - Jam session na Bookmakers e temporada no Rio
Jazz Club, RJ, 96. "African's", W Ipanema, RJ, 2002. "Terreirada" - "IV
salão do livro de Minas Gerais", Belo Horizonte, Espaço Circo, 2003.
Expôs (individuais): "Sopapos" (Galeria de Arte UFF, 88, RJ); "Urbanos"
(Casa de Cultura Laura Alvim, 92, RJ).
Escreveu: "Geração Bate-Bute", contos (Copy & Arte Editora, RJ, 93);
"Telintérprete - O jornalista entre o poder e o público", ensaio (Litteris,
RJ, 95 www.litteris.com.br ); "Isto é coisa da idade"; "Palavra puxa prosa"
e "Quatro trancados no quarto" (Miguilim, MG, 95; 2000 e 2003
www.editoramiguilim.com.br ); "A filosofia das tradições afro-brasileiras",
com Muniz Sodré, Roberto Moura e Pedro Moraes (EdUFF, RJ, 98); "Cantos de
fé, de trabalho e de orgia - O jongo rural de Angra dos Reis" (E-Papers, RJ,
2003 www.e-papers.com.br ).
Produziu e dirigiu: "Morre congo, fica congo". Curta-metragem com os últimos
cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis (DGT Filmes, SP, 2001). "Na
Pele", videoclipes (Art-Vídeo/Rede Brasil, 2001). Roteirista e editor do
documentário "Infância Limitada", terceira classificação no "23º Festival
Anual de Documentários" da BBC de Londres e prêmio de melhor direção, 2002.
Roteirista da minissérie musical "A vida é um show", da TVE.

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