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-Edenilson Sana Valadão-
É entristecedor constatar a forma como o governo e a maioria dos
veículos de comunicação estão tratando a crise da VARIG, agindo
em cumplicidade, sabe-se lá movidos por quais interesses, na busca
desenfreada de soterrar a empresa emblemática da aviação comercial
brasileira.
Mais entristecedor ainda é testemunhar o descaso com que tratam
os milhares de funcionários da VARIG, como se eles fossem apenas
um detalhe no processo. Pior ainda é que o descaso parte de um governo
ocupado por ex-sindicalistas e políticos que construíram suas carreiras
na base dos discursos humanistas, marcando posição na chamada esquerda
brasileira.
Lamentavelmente, tais práticas servem para corroborar a velha máxima
"rebeldes de ontem, tiranos de amanhã". E o pior é que
a sociedade brasileira (pra não variar), assiste a tudo, com a máxima
insensibilidade, como se o massacre dos funcionários e aposentados
da VARIG, nada tivesse a ver com a agonia do povo brasileiro, vilipendiado
pela criminosa concentração de rendas que repercute no sucateamento
de milhões de vidas.
Nas páginas dos jornais e revistas, assim como nas emissoras de
rádio e TV, o que se vê é a mais absoluta omissão quanto ao espírito
heróico dos funcionários da VARIG que, sem a percepção de seus salários,
e de forma isolada e desprovida de recursos, tratam de resistir
aos ataques covardes daqueles que, cinicamente, dizem que a morte
de uma empresa como a VARIG é coisa natural e normal.
Que esquerda é esta que iludiu o povo e se legitima a matar sonhos
e esperanças?
O corpo funcional da VARIG, ativos e aposentados, está sendo submetido
a um martírio, com requintes de crueldade. É aí que, para aguçar
ainda mais a dor de nós, humanistas, que dá para constatar que a
sociedade nada aprendeu com o grande equívoco da crucificação de
Jesus Cristo, e que Judas produziu mais discípulos do que se imaginava.
Já que o Chico Buarque, que tanto viajou pela VARIG, não tem nada
a dizer sobre o neoliberalismo que tomou conta do país (Apesar de
você amanhã há de ser um novo dia – ele fez para a ditadura militar),
prefiro buscar a ajuda do Cazuza (em outro plano), que dizia: -Vamos
pedir piedade, senhor piedade, para esta gente careta e covarde....
e torcer para que não consigam demolir os sonhos de todos aqueles
que ajudaram a transportar boa parte da história brasileira nas
asas da VARIG, na dura e cruel constatação de que realmente não
é só o sol que faz partir as asas de Ícaro.
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