22/08/2005
 
EXATO
Um Jornal de Itaipuaçu e Inoã, Maricá

FONE: 2638.1427 # FAX: 3732.1995
CENSURA

NOTA DO EXATO, Um jornal de Itaipuaçu e Inoã

A Superintendência de Comunicação Social da prefeitura de Maricá deverá ter em sua equipe alguém diplomado em jornalismo e, portanto, com créditos na disciplina sobre ética profissional, onde se incluirá – obrigatoriamente – o repúdio a qualquer forma de censura, direta ou indireta, ao trabalho do profissional de imprensa. Seus funcionários devem se relacionar, por dever de ofício, com alguns jornalistas militantes que sofreram restrições a seu trabalho ao longo do regime militar e que lhes podem lhe explicar o quanto foi perniciosa a censura na construção de um país melhor. Um setor tão sensível da administração pública municipal não poderá também ignorar os preceitos constitucionais que garantem a ampla liberdade de expressão, e que é crime tentar tolhê-la sob qualquer forma e pretexto.

Ainda assim, a comunicação social da prefeitura de Maricá não teve o menor escrúpulo em mandar um documento oficial recomendando aos anunciantes da revista Maricajá que nela deixassem de veicular anúncios em razão de uma matéria elogiosa sobre Araruama. Ou seja, além de tentar intimidar os empresários de Maricá, demostrou ter um entendimento torto da relação anunciante-mídia, que é um contrato de prestação de serviços. Nenhum anunciante é responsável pela linha editorial do veículo e nele anuncia por considerá-lo uma boa mídia para divulgação de seu negócio ou produto. Tentar exercer poder econômico sobre a opinião do editor é uma deturpação do jornalismo que preferimos nem comentar.

Se o poder público de Maricá discordou do teor da matéria, são muitos os mecanismos profissionais, éticos e constitucionais para rebatê-la com propriedade; se a entendeu lesiva aos interesses da coletividade, poderá recorrer aos remédios jurídicos pertinentes; se o que está escrito na Maricajá não corresponde à verdade, poder-se-á até promover excursões à cidade vizinha para demonstrar aos maricaenses in loco os equívocos do redator.

A única coisa que não poderia ser feito pela prefeitura de Maricá era assinar e divulgar um ofício nos termos do de nº 023/2005. Pegou mal, muito mal.

Esta matéria deveria estar na edição nº 73 (agosto de 2005) de EXATO. Problemas de diagramação impediram sua publicação.