|
O denuncismo está fertilizando
o país para que brotem velhas pragas. Cultivadas nos cancros incompetentes
e prepotentes, ainda não extirpados do colonialismo, do coronelismo
e da ditadura, estão florescendo no charco político e até governamental.
E muda dessa praga já floresce em Maricá, plantada na horticultura
municipal.
A “flor” da praga
é a carta enviada pela Prefeitura a todos os comerciantes que anunciaram
na edição de junho-agosto da revista MaricáJá. O documento, assinado
pela assessora de Comunicação, Bernardete Barroso, é uma flagrante
intimidação aos empresários para não mais anunciarem na revista
e uma interferência sobre suas escolhas da mídia em que anunciam
suas empresas. A Prefeitura está ferindo o princípio básico de uma
democracia: o direito da liberdade de escolha, a que nenhum governante
ou seu assecla tem o direito de contestar.
O documento pode desde
já constar de uma futura biblioteca sobre as atrocidades da ditadura
no município, já que não se deve esquecer que com o mesmo método
foram extintos grandes e importantes jornais do Rio de Janeiro nos
anos 60. O caso mais conhecido é o do Correio da Manhã do qual a
ditadura retirou todos os anúncios governamentais numa alusão aos
empresários de que também deviam fazer o mesmo. Como outros documentos
daquela mesma época, ainda tem a igual característica de ser pessimamente
escrito. (Afinal, os ditadores nunca gostaram muito da cultura e
seus asseclas e aspones mal sabem escrever).
A atitude municipal
é uma represália à revista que publicou a reportagem Araruama- O
bom exemplo dos vizinhos sobre outro município que está investindo
fortemente os recursos dos royalties em turismo, lazer, cultura
e melhoria urbana. A reportagem ainda mostra um quadro demonstrativo
sobre os dois municípios em que destaca a pouca diferença de verba
advinda do petróleo repassada a uma e outra cidade.
Na contestação aos
dados, que não consegue fazer por incompetência do escrevente, o
documento se envereda por anunciar crescimentos em arrecadação de
impostos; se vangloria de uma saúde municipal “quase boa” e de realizações
no Turismo que abarcam apenas o Centro de Informações Turísticas,
anunciado para ser mantido 24 horas, mas que tem um horário tipicamente
burocrático fechando aos sábados, domingos e feriados, justamente
quando há mais turistas.
Mais do que um mecanismo
de pressão sobre empresários, o documento é um achincalhe à liberdade
perpetrado pela ditadura coronelista que até pode se estender mais
fortemente, com outros instrumentos, a toda imprensa do município,
aos professores, aos médicos, aos funcionários públicos e, quem
sabe, à população. Extirpar tais pragas é preciso. E a primeira
ação é não se acovardar diante da pressão, que tornará cidadãos
com seus deveres cumpridos e impostos pagos feridos em seus direitos
pela rataria, que sobrevive nessas velhas pragas.
(O jornal Leitores
& Livros, que não possui nenhum anunciante sediado no município
– a única vez em que tentou apoio da Prefeitura, como órgão divulgador
da cultura, foi tratado como imbecil -, se solidariza com todos
aqueles atingidos pela violência ditatorial e coronelista)
|