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Banco
Central, mais uma vez omitindo-se de sua função fiscalizadora e
moralizadora do sistema financeiro nacional, liberou as tarifas
bancárias. Agora será um salve-se quem puder, cada um pra si, por
aí afora.
Os
bancos já ganhavam o que queriam antes e nem precisavam dessa mãozinha
santa do Banco Central para aumentarem os seus lucros.
Acontece
que os clientes devem estar preparados para questionar algumas cositas
nesse embrulho que nos prepara o governo.
Em
primeiro lugar, é muita cara-de-pau do nosso presidente e de seus
ministros da área financeira confirmar o que todo mundo pensa: que
estão pagando uma conta de campanha política para com os banqueiros.
E acrescento que estão contratando por bom dinheiro a campanha de
Serra e de outros amigos do rei Brasil afora.
Repito
que ficamos sozinhos.
Então
vamos relembrar algo que eu já disse aqui, há meses. Anote aí, para
questionar a cada talão de cheques cobrado, a cada extrato ou serviço
que lhe seja debitado em conta.
- BANCOS NÃO PAGAM UM TOSTÃO pelo seu dinheiro depositado
(depósitos à vista) em conta-corrente;
- BANCOS SÓ PAGAM UMA MISÉRIA pelo dinheiro depositado
em poupança;
- BANCOS CAPTAM DINHEIRO no mercado somente quando
estão com seus próprios apertos de caixa;
- BANCOS SÃO PARTE DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
e deveriam ficar sob fiscalização do Banco Central e, sobretudo,
não são donos do mundo;
- BANCOS NÃO PAGAM SUAS CONTAS perante o governo.
Veja exemplo do BAMERINDUS, que "rolou" sua dívida de
R$20 milhões junto ao BNDES ("Folha de S. Paulo, 25.7.96);
já os outros mortais, quando fazem o mesmo, são caloteiros;
- A SECURITIZAÇÃO E A ROLAGEM DA DÍVIDA PRIVADA não
são obrigatórias, pois o Banco Central apenas "facultou"
aos bancos renegociar ou não. Já o governo é "obrigado"
a ajudar os bancos falidos com recursos públicos;
- DEVEDORES COMUNS VÃO PARA o SERASA/CADIN/SPC. Já
os grandes bancos quebrados continuam operando no País, abençoados
e com aura de anjos.
Bem,
não posso dar conselhos nesse campo, pois também estou abismado
com o cinismo de governo e banqueiros, nesse conluio contra nós.
Uma
coisa é certa: será preciso cobrar dos bancos um pouco mais de honestidade
e a remuneração pelos nossos recursos que lá estão guardados.
Quando
falo de recursos, não me refiro apenas ao seu depósito pessoal,
mas aos recursos das prefeituras, dos órgãos públicos, Sanesul,
Enersul, Telems, etc..
Como é que fica, Malan? Como é que ficamos?
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