22/02/2005
 
Recebido por mail de Daniel Cuba dos Santos
Pós-graduado em Direito do Consumidor e
Direito Administrativo e Administração Pública
MÃOS AO ALTO, ISTO É UM BANCO

 

Banco Central, mais uma vez omitindo-se de sua função fiscalizadora e moralizadora do sistema financeiro nacional, liberou as tarifas bancárias. Agora será um salve-se quem puder, cada um pra si, por aí afora.

Os bancos já ganhavam o que queriam antes e nem precisavam dessa mãozinha santa do Banco Central para aumentarem os seus lucros.

Acontece que os clientes devem estar preparados para questionar algumas cositas nesse embrulho que nos prepara o governo.

Em primeiro lugar, é muita cara-de-pau do nosso presidente e de seus ministros da área financeira confirmar o que todo mundo pensa: que estão pagando uma conta de campanha política para com os banqueiros. E acrescento que estão contratando por bom dinheiro a campanha de Serra e de outros amigos do rei Brasil afora.

Repito que ficamos sozinhos.

Então vamos relembrar algo que eu já disse aqui, há meses. Anote aí, para questionar a cada talão de cheques cobrado, a cada extrato ou serviço que lhe seja debitado em conta.

  1. BANCOS NÃO PAGAM UM TOSTÃO pelo seu dinheiro depositado (depósitos à vista) em conta-corrente;
  1. BANCOS SÓ PAGAM UMA MISÉRIA pelo dinheiro depositado em poupança;
  1. BANCOS CAPTAM DINHEIRO no mercado somente quando estão com seus próprios apertos de caixa;
  1. BANCOS SÃO PARTE DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL e deveriam ficar sob fiscalização do Banco Central e, sobretudo, não são donos do mundo;
  1. BANCOS NÃO PAGAM SUAS CONTAS perante o governo. Veja exemplo do BAMERINDUS, que "rolou" sua dívida de R$20 milhões junto ao BNDES ("Folha de S. Paulo, 25.7.96); já os outros mortais, quando fazem o mesmo, são caloteiros;
  1. A SECURITIZAÇÃO E A ROLAGEM DA DÍVIDA PRIVADA não são obrigatórias, pois o Banco Central apenas "facultou" aos bancos renegociar ou não. Já o governo é "obrigado" a ajudar os bancos falidos com recursos públicos;
  1. DEVEDORES COMUNS VÃO PARA o SERASA/CADIN/SPC. Já os grandes bancos quebrados continuam operando no País, abençoados e com aura de anjos.

Bem, não posso dar conselhos nesse campo, pois também estou abismado com o cinismo de governo e banqueiros, nesse conluio contra nós.

Uma coisa é certa: será preciso cobrar dos bancos um pouco mais de honestidade e a remuneração pelos nossos recursos que lá estão guardados.

Quando falo de recursos, não me refiro apenas ao seu depósito pessoal, mas aos recursos das prefeituras, dos órgãos públicos, Sanesul, Enersul, Telems, etc..

Como é que fica, Malan? Como é que ficamos?

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