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Editado pela
Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência
da República. Nº 6- Brasília, 29 de agosto de 2004.
Ministro Jaques
Vagner Secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social-
"O Brasil passou da fase de arrumar a casa e chegou à hora de construir
o desenvolviment o" - "O governo estuda projeto para estimular a
legalização de empreendedores de baixa renda que estão na informalidade".
O Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) é o espaço de diálogo
social entre o governo e a sociedade no aconselhamento do presidente
da República. "Esta é uma casa de formulação, articulação, negociação
e mediação. Não se produz crescimento sustentado e soluções duradouras
a não ser pela via do diálogo social" Se quando foi criado o objetivo
era discutir pontos específicos sobre as mudanças que dariam novos
horizontes à Administração federal - e neste contexto, as reformas
tributária e da previdência foram amplamente debatidas -, agora,
a tarefa é mais abrangente. "Tudo o que é negociado demora um pouco
mais, mas resulta em solução melhor." "O desenvolvimento sustentado
somente virá quando a sociedade organizada estabelecer como construir
o País que deseja numa agenda comum. O CDES trabalha para que o
crescimento venha acompanhado de desenvolvimento." Nas palavras
do ministro responsável pela Secretaria Especial do CDES, Jaques
Wagner, "o Brasil passou da fase de arrumar a casa e chegou à hora
de construir o desenvolvimento". "O crescimento da economia de um
país é medido essencialmente pelos indicadores econômicos, enquanto
o desenvolvimento pressupõe o avanço dos indicadores sociais" .
Numa entrevista
exclusiva ao Em Questão, Wagner fala deste novo momento e comenta
o trabalho desenvolvido pelos 102 conselheiros (90 deles escolhidos
por Lula entre membros de vários segmentos da sociedade e 12 do
governo).
Em Questão
- O sr. vem falando que a maior tarefa do Conselho neste ano é a
construção da Agenda Nacional de Desenvolviment o. O que é isso?
Jaques Wagner
- É o tema que consome a maior energia e volume de trabalho atualmente.
Fizemos uma consulta aos conselheiros sobre a visão deles da realidade
brasileira, sobre os problemas mais relevantes do país, as potencialidade
s de melhoria dos padrões de desenvolviment o socioeconômico e as
característica s que definiriam um Brasil ideal. A desigualdade
social e as deficiências na educação foram apontadas como as principais
preocupações, seguidas da estagnação econômica e desemprego, dívida
pública e dependência do capital estrangeiro, segurança, ineficiência
do Estado, carga tributária, marcos regulatórios, poupança e necessidade
de mais investimentos. A partir dessas respostas, estamos elaborando
a Agenda.
EQ - Já há
um prazo para que fique pronta?
JW - Está
em processo de construção, estamos só no começo. Não podemos marcar
data, mas o fato é que mudanças já estão acontecendo. Os conselheiros
participam da elaboração com sugestões em plenário e nas reuniões
do Grupo Temático Fundamentos Estratégicos para o Desenvolviment
o. Os debates resultam em relatórios, cartas, sugestões, pareceres
que são encaminhados aos ministérios competentes, remetidos ao plenário
e depois ao Presidente. Essa é a base da Agenda, a ser pactuada
entre o governo e a sociedade, para a retomada do desenvolviment
o com inclusão social, preservando as conquistas da economia.
EQ - Como
acontece o processo de discussão?
JW - Temos
grupos temáticos para acompanhamento de cada área, fundamentos estratégicos,
acompanhamento da conjuntura econômica, da questão ambiental, da
política social. Foram promovidas três grandes plenárias sobre o
desenvolviment o, abordando a Política Industrial, Tecnológica e
de Comércio Exterior, a macroeconomia, e o novo modelo energético.
Tivemos colóquios sobre o licenciamento ambiental, habitação popular
e o projeto de planejamento estratégico para o futuro do país. Há
diálogos de concertação, nos municípios e a participação do CDES
em eventos internacionais . A próxima reunião do CDES, no dia 2
de setembro, tratará da Política Nacional de Desenvolviment o Regional,
com a presença do ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional.
EQ - No CDES
funciona um GT sobre micro, pequenas empresas, autogestão e informalidade
que busca instrumentos para formalizar os empreendedores de baixa
renda. Já se atingiu algum resultado prático nessa área? Em que
proporção? Quais dessas soluções estão sendo analisadas pelo CDES?
JW - O governo
estuda projeto para estimular a legalização de empreendedores de
baixa renda que estão na informalidade. O presidente Lula deverá
enviar projeto ao Congresso Nacional reduzindo as alíquotas de tributos
federais, como IPI, e FGTS. Ao mesmo tempo reduzirá a documentação,
simplificará os procedimentos de criação de microempresas com receita
até R$ 36 mil. Criará ainda um único ponto de atendimento para quem
desejar se formalizar.
EQ - De que
forma um conselho consultivo, nos moldes do CDES, ajuda o estabeleciment
o da democracia?
JW - Essa
é uma tendência das democracias mais sólidas do mundo. O grupo busca
a convergência de idéias e sugestões para a interação do Estado
brasileiro com a sociedade na retomada do desenvolviment o sustentado
com inclusão social, compatibilizan do a preservação da estabilidade
econômica com a retomada do crescimento, por meio da pactuação e
da coesão social.
EQ - Mas muitas
vezes essa convergência pode demandar um longo tempo...
JW - Esta
é uma casa de formulação, articulação, negociação e mediação. Não
se produz crescimento sustentado e soluções duradouras a não ser
pela via do diálogo social. O presidente crê nessa ferramenta de
negociação. Tudo o que é negociado demora um pouco mais, mas resulta
em solução melhor. O CDES é plural, é híbrido e demanda articulação.
Na última plenária do CDES, em 4 de agosto, o presidente colocou
bem o papel do Conselho, ao afirmar que o desenvolviment o se constrói
a partir de consensos. E considerou o Conselho um espaço fundamental
para essa finalidade.
EQ - Como
exemplos, que decisões do presidente foram baseadas em pareceres
do CDES?
JW - O Conselho
Nacional de Políticas de Desenvolviment o Industrial foi uma idéia
brotada dentro do CDES, assim como a portaria do ministro Antonio
Palocci, que abre a possibilidade do tomador de empréstimo por meio
de microcrédito não pagar a CPMF. O desconto em folha do empréstimo
em consignação ficou isento da contribuição, o que beneficiou a
população de baixa renda.
EQ - Qual
a prioridade para um país como o Brasil para ter o crescimento de
forma sustentada?
JW - Não existe
crescimento sustentado e ao ritmo necessário, se não elevarmos as
taxas de investimento. Mas as condições apropriadas têm de existir
e o governo vem conseguindo redução dos juros, equilíbrio fiscal,
investimentos, incentivos às exportações e expressivos saldos comerciais.
A carga tributária está inclusive sendo reduzida de forma seletiva
para favorecer o investimento e a produção. Mas, o desenvolviment
o sustentado somente virá quando a sociedade organizada estabelecer
como construir o País que deseja numa agenda comum. O CDES trabalha
para que o crescimento venha acompanhado de desenvolviment o.
EQ - O senhor.
difere os dois termos?
JW - Existe
certa confusão entre crescimento e desenvolviment o. O crescimento
da economia de um país é medido essencialmente pelos indicadores
econômicos, enquanto o desenvolviment o pressupõe o avanço dos indicadores
sociais. A economia pode crescer bastante, com pouco, ou quase nenhum,
desenvolviment o. A tese foi defendida pelo professor Celso Furtado
(ex-ministro do Planejamento no governo de João Goulart) para os
conselheiros da mesa redonda internacional promovida pelo CDES.
Na minha opinião, o País deve apostar mais no termo desenvolviment
o, porque implica avanços, principalmente , na questão social e
na criação de empregos. Emprego, aliás, é uma palavra que aparece
em todas as nossas reuniões.
EQ - Falando
nisso, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), Juan Somavia, disse ao CDES que é preciso enfrentar os efeitos
nocivos da globalização para crescer com qualidade e criar postos
de trabalho decentes. O governo brasileiro tem se inspirado nas
recomendações da OIT?
JW - Sim.
Somavia enfatizou a importância do diálogo social entre os povos
como instrumento de mudança para superar problemas e encontrar caminhos
para o desenvolviment o com inclusão social. E o CDES é exatamente
o espaço para protagonizar o diálogo com a sociedade civil.
EQ - Na ocasião,
o presidente Lula assinou um decreto criando uma comissão interministeri
al tripartite formada por ministros de estado, presidentes das centrais
sindicais de trabalhadores e das confederações de empregadores para
reforçar a igualdade de oportunidades de gênero e raça no mercado
de trabalho. Que resultados são esperados desse grupo?
JW - Os resultados
devem trazer um maior entendimento para a igualdade de oportunidades
a todos, e em especial, para mulheres e negros. Com a comissão,
o Brasil estará associando-se aos seus pares no Cone Sul, cumprindo
os princípios das convenções sobre liberdade sindical e negociação
coletiva, trabalho escravo e eliminação do trabalho infantil.
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