Quando o Rio vive a euforia de dois eventos relacionados ao livro,
com apoio da Prefeitura, o governo municipal de Maricá, a dez dias
da abertura, adiou a realização da III Bienal do Livro, que estava
programada para se realizar entre os dias 23 e 26, no ginásio do Esporte
Clube Maricá, com 25 estandes de editores e livreiros. Segundo a superintendente
geral de Comunicação Social, Bernardete Barroso Bento, e o secretário
de Cultura, Walter Guedes, o adiamento teria sido determinado por
uma portaria recentíssima do TRE, que impede a Prefeitura de promover
eventos neste período eleitoral, mas nenhum dos dois informou o número
da portaria.
O prefeito Ricardo Queiroz, que ainda não sabia do adiamento, considerou
a explicação da superintendente e do secretário “plausível”,
em contato mantido na noite do dia 12 durante palestra para a Associação
Comercial de Maricá, e sugeriu que, após as eleições, em outubro,
no mesmo período, seja promovida a Bienal. No entanto ainda não foi
determinada uma nova data, uma semana depois do governo municipal
considerar a Bienal adiada.
O adiamento, depois de um ano de preparação, mesmo sabendo que este
seria um ano eleitoral, desconsidera o prejuízo que a maioria dos
participantes sofreu se programando para o evento, inclusive, no caso
de palestrantes, cancelando compromissos em outros estados para vir
a Maricá, uma vez que o convite oficial para a participação foi datado
de julho.
Segundo fontes extra-oficiais, o adiamento estaria relacionado ao
patrocínio apesar da Prefeitura ter se empenhado em cobrir 70% dos
gastos. Um dos patrocinadores, que presta serviços à Prefeitura, na
última semana teria cancelado o apoio. Também o Banco do Brasil retirou
o patrocínio, alegando ser ano eleitoral.
Em consulta ao TRE, se constatou que não há qualquer portaria que
impeça a promoção da Bienal através da Prefeitura. No Rio, o prefeito
Cesar Maia, que concorre também à reeleição, dá seu apoio a duas iniciativas
paralelas que foram abertas na última semana: a Primavera dos Livros,
no Jockey Club Brasileiro, e o Salão Nacional do Livro Infantil e
Juvenil, no Museu de Arte Moderna.
Na contra-mão da leitura no país, quando os governos estaduais e o
Palácio do Planalto procuram investir no programa Fome de Ler, o governo
de Maricá mais uma vez dá passo de caranguejo. Ao adiamento da Bienal,
deve-se somar a derrubada há mais de um ano da Biblioteca Municipal,
que está "encaixotada" na Legião da Boa Vontade à espera da finalização
da obra do anfiteatro-biblioteca na Praça Orlando de Barros Pimentel.
Segundo fontes oficiais, a obra estava para ser concluída no final
do semestre passado. |