09/12/2004
Biodiesel: emprego no campo e diversificação da matriz energética 
Recebido por mail de Ernani Carvalho
           

Editado  pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica
                                              da Presidência  da República.
                                 Nº 261 - Brasília, 08 de dezembro de 2004. 
                                                                            
                                
  Esta semana o governo  federal autorizou o uso comercial do biodiesel.   
  Feito à base de  mamona, soja, dendê, girassol (oleaginosas), o novo     
  combustível  poderá ter 2% adicionado ao diesel de petróleo para o uso   
  em veículos automotivos. Essa mistura é chamada de B2. Com  o biodiesel o
  setor de energia no Brasil inicia uma nova fase.                         
                                                                           
  O uso do novo combustível  trará ganhos sociais, econômicos e ambientais 
  para o país,  ao privilegiar a participação da agricultura familiar,     
  gerando  emprego e renda no campo, permitir a redução das importações  de
  diesel de petróleo e melhorar a qualidade do ar nos grandes  centros     
  urbanos.                                                                 
                                                                           
  A ministra de Minas  e Energia, Dilma Rousseff estima que em fevereiro de
  2005 o biodiesel  deve chegar aos postos de combustíveis da região de    
  Belém  (PA), produzido a partir de palma. Em julho do próximo ano, o     
  combustível  renovável feito da mamona será comercializado no Nordeste  e
  em agosto, nas regiões Centro-Oeste e Sul, a partir de soja e  girassol. 
  "É um programa de energia, de diversificação  da matriz, de respeito ao  
  meio ambiente e que leva em conta uma política  de inclusão social",     
  afirmou a ministra.                                                      
                                                                           
   Motoristas e montadoras  de automóveis não terão que desembolsar mais   
  recursos  com essa mudança, pois o biodiesel não exige nenhuma alteração 
  nos motores dos veículos. A Associação Nacional dos  Fabricantes de      
  Veículos Automotores (Anfavea) assegurou a garantia  dos motores para os 
  veículos que utilizarem o biodiesel misturado  ao diesel na proporção de 
  2%, como foi autorizado.                                                 
                                                                           
  Além disso,  o combustível renovável poderá ser usado na geração  de     
  energia elétrica em comunidades de difícil acesso, como  é o caso de     
  diversas localidades na região Norte, em substituição  ao óleo diesel em 
  usinas termelétricas.                                                    
                                                                           
  Para autorizar o uso  do biodiesel no mercado nacional, o governo editou 
  um conjunto de atos  legais que tratam dos percentuais de mistura do     
  biodiesel ao diesel, da  forma de utilização e do regime tributário, que 
  considera  a diferenciação das alíquotas com base na região  de plantio, 
  nas oleaginosas e na categoria de produção (agronegócio  e agricultura   
  familiar). Cria também o Selo Combustível  Social e isenta a cobrança do 
  Imposto sobre Produtos Industrializados  (IPI).                           
                                                                                                                                            
                                                                            
  Emprego  no campo                                                        
                                                                           
  As vantagens sociais  do biodiesel são principalmente na geração de      
  emprego  e renda no campo e na indústria nacional. O cultivo da mamona,  
  dendê, girassol, soja e de outras oleaginosas vão gerar emprego  e renda,
  especialmente para os agricultores familiares.                           
                                                                           
  O governo federal  está apostando no crescimento gradual da nova cadeia  
  de combustível  a partir do incentivo à inclusão social de agricultores  
  familiares e assentados da reforma agrária, principalmente no Norte  e   
  Nordeste. O biodiesel produzido a partir da mamona e dendê fornecidos    
  por agricultores familiares das regiões Norte, Nordeste e do semi-árido  
  terá 100% de redução do PIS/COFINS. Os demais agricultores  familiares de
  todo o país terão diminuição  percentual de 89,6%.                       
                                                                           
  Outro ganho é  na redução das importações de diesel. Hoje,  o Brasil     
  importa 10% desse combustível. O uso do biodiesel possibilitará  ao      
  Brasil uma economia anual de aproximadamente US$ 160 milhões  (R$ 432    
  milhões) na importação do diesel.                                        
                                                                           
  O Brasil tem potencial  para se transformar em um dos maiores produtores 
  de biodiesel do mundo  e um grande exportador. Os Estados Unidos e alguns
  países da Europa  já são consumidores do biodiesel. A União Européia     
  definiu como meta de que até 2005, 2% dos combustíveis utilizados  devem 
  ser renováveis e em 2010, esse valor deverá ser de  5,75%. Como o        
  continente não tem área de cultivo suficiente  e capacidade industrial   
  instalada para atingir esses patamares, surgem  as oportunidades de      
  exportação do combustível pelo  Brasil.                                  
                                                                           
   O biodiesel ainda  vai contribuir para melhorar a qualidade do ar nas   
  grandes cidades pela  redução do uso de combustíveis derivados de        
  petróleo.  O uso de fontes energéticas renováveis e que não  poluam o    
  meio ambiente faz parte do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo  (MDL), uma
  das diretrizes do Protocolo de Quioto.                                   
                                                                           
  Além disso,  haverá o incentivo para o aprimoramento da tecnologia       
  nacional  pela produção do novo combustível. Para o desenvolvimento  de  
  pesquisas e processos de produção foram destinados R$  16 milhões do     
  Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).  Parte destes recursos está    
  sendo aplicada na formação  da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel
  (RBTB), formada por universidades  e instituições de pesquisa de 23      
  estados, e no reforço  de infra-estrutura laboratorial para monitorar a  
  qualidade do biodiesel.                                                  
                                                                           
  Para incentivar a  fabricação do biodiesel, o Banco Nacional de          
  Desenvolvimento  Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 90% dos    
  itens  passíveis de apoio para projetos com o Selo Combustível  Social e 
  até 80% dos demais projetos. Os recursos serão  destinados a todas as    
  fases de produção, como a agrícola,  fabricação do óleo bruto,           
  armazenamento e aquisição  de máquinas. A partir do próximo ano, estarão 
  a disposição  R$ 100 milhões para linhas de financiamento pelo Programa  
  Nacional  de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para cultivo
  da matéria-prima  do combustível renovável. Estima-se que 250 mil        
  famílias  de agricultores familiares e assentados da reforma agrária     
  participem  da produção de oleaginosas para atender o mercado de B2.