Editado pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica
da Presidência da República.
Nº 261 - Brasília, 08 de dezembro de 2004.
Esta semana o governo federal autorizou o uso comercial
do biodiesel.
Feito à base de mamona, soja, dendê, girassol (oleaginosas),
o novo
combustível poderá ter 2% adicionado ao diesel de petróleo
para o uso
em veículos automotivos. Essa mistura é chamada de B2. Com
o biodiesel o
setor de energia no Brasil inicia uma nova fase.
O uso do novo combustível trará ganhos sociais, econômicos
e ambientais
para o país, ao privilegiar a participação da agricultura
familiar,
gerando emprego e renda no campo, permitir a redução
das importações de
diesel de petróleo e melhorar a qualidade do ar nos grandes
centros
urbanos.
A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff estima
que em fevereiro de
2005 o biodiesel deve chegar aos postos de combustíveis
da região de
Belém (PA), produzido a partir de palma. Em julho do
próximo ano, o
combustível renovável feito da mamona será comercializado
no Nordeste e
em agosto, nas regiões Centro-Oeste e Sul, a partir de soja
e girassol.
"É um programa de energia, de diversificação da matriz,
de respeito ao
meio ambiente e que leva em conta uma política de inclusão
social",
afirmou a ministra.
Motoristas e montadoras de automóveis não terão
que desembolsar mais
recursos com essa mudança, pois o biodiesel não exige
nenhuma alteração
nos motores dos veículos. A Associação Nacional dos Fabricantes
de
Veículos Automotores (Anfavea) assegurou a garantia dos
motores para os
veículos que utilizarem o biodiesel misturado ao diesel
na proporção de
2%, como foi autorizado.
Além disso, o combustível renovável poderá ser usado
na geração de
energia elétrica em comunidades de difícil acesso, como
é o caso de
diversas localidades na região Norte, em substituição
ao óleo diesel em
usinas termelétricas.
Para autorizar o uso do biodiesel no mercado nacional,
o governo editou
um conjunto de atos legais que tratam dos percentuais
de mistura do
biodiesel ao diesel, da forma de utilização e do regime
tributário, que
considera a diferenciação das alíquotas com base na região
de plantio,
nas oleaginosas e na categoria de produção (agronegócio
e agricultura
familiar). Cria também o Selo Combustível Social e isenta
a cobrança do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Emprego no campo
As vantagens sociais do biodiesel são principalmente
na geração de
emprego e renda no campo e na indústria nacional. O cultivo
da mamona,
dendê, girassol, soja e de outras oleaginosas vão gerar emprego
e renda,
especialmente para os agricultores familiares.
O governo federal está apostando no crescimento gradual
da nova cadeia
de combustível a partir do incentivo à inclusão social
de agricultores
familiares e assentados da reforma agrária, principalmente
no Norte e
Nordeste. O biodiesel produzido a partir da mamona e dendê
fornecidos
por agricultores familiares das regiões Norte, Nordeste e do
semi-árido
terá 100% de redução do PIS/COFINS. Os demais agricultores
familiares de
todo o país terão diminuição percentual de 89,6%.
Outro ganho é na redução das importações de diesel. Hoje,
o Brasil
importa 10% desse combustível. O uso do biodiesel possibilitará
ao
Brasil uma economia anual de aproximadamente US$ 160 milhões
(R$ 432
milhões) na importação do diesel.
O Brasil tem potencial para se transformar em um dos
maiores produtores
de biodiesel do mundo e um grande exportador. Os Estados
Unidos e alguns
países da Europa já são consumidores do biodiesel. A
União Européia
definiu como meta de que até 2005, 2% dos combustíveis utilizados
devem
ser renováveis e em 2010, esse valor deverá ser de 5,75%.
Como o
continente não tem área de cultivo suficiente e capacidade
industrial
instalada para atingir esses patamares, surgem as oportunidades
de
exportação do combustível pelo Brasil.
O biodiesel ainda vai contribuir para melhorar
a qualidade do ar nas
grandes cidades pela redução do uso de combustíveis derivados
de
petróleo. O uso de fontes energéticas renováveis e que
não poluam o
meio ambiente faz parte do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL), uma
das diretrizes do Protocolo de Quioto.
Além disso, haverá o incentivo para o aprimoramento da
tecnologia
nacional pela produção do novo combustível. Para o desenvolvimento
de
pesquisas e processos de produção foram destinados R$
16 milhões do
Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Parte destes
recursos está
sendo aplicada na formação da Rede Brasileira de Tecnologia
de Biodiesel
(RBTB), formada por universidades e instituições de pesquisa
de 23
estados, e no reforço de infra-estrutura laboratorial
para monitorar a
qualidade do biodiesel.
Para incentivar a fabricação do biodiesel, o Banco Nacional
de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar
até 90% dos
itens passíveis de apoio para projetos com o Selo Combustível
Social e
até 80% dos demais projetos. Os recursos serão destinados
a todas as
fases de produção, como a agrícola, fabricação do óleo
bruto,
armazenamento e aquisição de máquinas. A partir do próximo
ano, estarão
a disposição R$ 100 milhões para linhas de financiamento
pelo Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
para cultivo
da matéria-prima do combustível renovável. Estima-se
que 250 mil
famílias de agricultores familiares e assentados da reforma
agrária
participem da produção de oleaginosas para atender o
mercado de B2. |