Editado pela Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão
Estratégica da Presidência da República.
Nº 248 - Brasília, 04 de novembro de 2004.
Os primeiros comitês estaduais de apoio ao Desarmamento
reuniram-se quinta-feira (04/11) pela primeira vez para
traçar estratégias de interiorização da campanha. A criação
dos comitês foi proposta pelo ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, durante as visitas da Caravana do
Desarmamento, com o objetivo de envolver a população na busca
de uma cultura de paz e estimular e acompanhar ações para
fortalecer a política de desarmar a população. Com isso, o
governo federal pretende reforçar a idéia de que o
desarmamento deve ser abraçado por toda a sociedade civil.
Os comitês são formados por representantes das polícias
Civil, Militar e Federal, OAB, Conselho Nacional das
Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), igrejas e
organizações não-governamentais. A caravana já passou, desde
o dia 7 de outubro, por 16 estados, além do Distrito Federal:
Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio Grande do
Norte, Ceará, Piauí, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Rondônia,
Maranhão, Pernambuco e Minas Gerais. Esta semana, a Caravana
esteve em Alagoas, Sergipe e Bahia. O secretário nacional de
Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, o diretor-geral da
Polícia Federal, Paulo Lacerda, parlamentares e
representantes de organizações não-governamentais acompanham
o ministro.
A criação dos Comitês é um dos principais resultados da
Caravana do Desarmamento. De acordo com o ministro, a
caravana tem dois objetivos principais: o prático, de
recolher armas, e o simbólico, de promover uma cultura de
paz. A Caravana começou pela região Sul, onde o ministro
visitou Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. "É uma
campanha que só tende a aumentar os resultados" afirmou
Márcio Thomaz Bastos. O ministro referiu-se aos dados
considerados extremamente positivos da Campanha de
Desarmamento, criada para facilitar a entrega voluntária de
armas com indenização. Inicialmente o governo esperava
recolher 80 mil armas em todo o país até o dia 23 de
dezembro, mas logo nas primeiras semanas as expectativas foram
superadas. Esta semana, os postos de recolhimento da PF e do
Exército já contabilizavam mais de 160 mil armas entregues e
agora as autoridades acreditam que esse número deve superar
a
marca de 200 mil armas até o final do prazo.
Para estimular mais a campanha, o governo quer facilitar a
devolução, permitindo que sejam criados locais alternativos
para a entrega, como igrejas e centros comunitários, sempre
com o apoio de autoridade policial, com o estímulo dos
Comitês pelo Desarmamento. Caberá aos comitês discutir e
aprovar os locais, firmando convênios com a Polícia Federal,
que acompanhará as ações de recolhimento.
A entrega de arma de fogo e a respectiva indenização foi
regulamentada pela portaria nº 364/2004 -DG-DPF em 14 de
julho deste ano. O texto determina que para cada arma
entregue seja paga uma indenização, que varia entre R$100 e
R$300, dependendo do tipo e calibre da arma. O dinheiro é
depositado 30 dias após a entrega da arma em conta bancária
determinada pelo entregador ou por intermédio de ordem
bancária, conforme portaria 441 da Polícia Federal publicada
em 30/09/2004. O governo garante que não faltará dinheiro
para o pagamento das indenizações. Até agora já foram pagos
mais de R$ 11,3 milhões. O orçamento total para a indenização
é de R$30 milhões. Antes de fazer a entrega da arma, o
portador deverá solicitar na delegacia da Polícia Federal ou
posto credenciado uma guia de transporte. O documento é
essencial para que o interessado não tenha problemas caso
seja parado em uma blitz policial.
A Caravana do Desarmamento deverá ser encerrada no final de
novembro, quando todas as capitais terão sido visitadas.
Durante a caravana o ministro da Justiça tem deixado claro
que a campanha de desarmamento é apenas um dos lados da
política de contenção da violência. "Arma de bandido deve ser
tomada pela polícia. É isso que o governo federal está
fazendo", afirmou. O ministro cita como exemplos as
constantes ações da Polícia Federal de combate ao crime
organizado, como o trabalho da Missão Suporte da PF no Rio de
Janeiro. Esta semana, uma ação da Suporte desbaratou uma
quadrilha com 16 pessoas e apreendeu armamento pesado de uso
exclusivo do Estado e Forças Armadas, como fuzis, granadas e
pistolas, além de munição e até colete a prova de balas.
Outro destaque recente do trabalho para desarmar e
desarticular quadrilhas foi a operação Esteira Livre. Ação
de inteligência, envolvendo quase um ano de investigação, a
operação prendeu 21 acusados de tráfico internacional,
suspeitos de fornecer armas a favelas cariocas.
Além de reforçar as ações da Polícia Federal, o governo segue
com o trabalho de apoio às ações na área da segurança
pública dos governos estaduais. Durante as visitas das
caravanas, o ministro Márcio Thomaz Bastos também tem
assinado os convênios para financiar projetos com recursos do
Fundo Nacional de Segurança Pública. Este ano, serão
repassados R$ 305 milhões para o financiamento dos projetos
aprovados dentro das diretrizes do Sistema Único de Segurança
Pública (SUSP), além da execução direta do orçamento, que
inclui a entrega de 1,4 mil viaturas para os governos
estaduais e a construção de cinco laboratórios de DNA , que
atenderão todas as regiões do Brasil.
Um dos principais alicerces do trabalho do governo federal na
área da segurança publica, a campanha de desarmamento foi
reconhecida pela UNESCO, que premiou o governo pela
iniciativa. No último dia 13 de outubro o ministro da
justiça, Márcio Thomaz Bastos, recebeu o prêmio na categoria
de Direitos Humanos e Cultura da Paz. A campanha foi
considerada uma das melhores estratégias de promoção da paz
já desenvolvidas na história brasileira.
Toda a estratégia da campanha foi montada para esclarecer a
população e fazer cumprir o Estatuto do Desarmamento, lei
sancionada pelo presidente da República no dia 22 de dezembro
de 2003. Entre os principais pontos, o estatuto proíbe como
regra o cidadão comum de portar armas de fogo. O estatuto
também estabelece a idade mínima de 25 anos para comprar e
portar armas, e a população brasileira é quem vai decidir
sobre o comércio de armas e munições no país. Está previsto
um referendo popular para o primeiro domingo de outubro de
2005 quando o eleitor vai responder se é contra ou a favor da
proibição total do comércio de armas e munição em nosso país.
Para que seja realizado, o referendo depende de
regulamentação do Congresso Nacional.
Os números sobre a entrega de armas no país são atualizados
diariamente pela Polícia Federal. Os dados podem ser
conferidos no site www.dpf.gov.br
. O ministério da Justiça
também disponibilizou um número de telefone para
esclarecimento de dúvidas sobre o Estatuto do Desarmamento e
a campanha - 0800-729 0038. |