21/02/2004
O ENXAME PELA CULATRA
Recebido de Sérgio Mesquita

Abelhas acabam com a concentração do Bloco da Mudança, mas animação e o
desejo de mudança botam o Bloco na rua.
Corria tudo bem, 3000 camisas distribuídas, alimentos recolhidos na sede do
PT e a cervejinha bem gelada. Acontecia em Maricá uma grande festa. A festa
do Bloco da Mudança.
Picadas a parte, ninguém entendeu o que um carro do Fumace, por volta das
18hs (o expediente termina às 17hs), na chuva, abriu a fumaça em toda a sua
força. Teve gente que pensou, inicialmente, tratar-se de um incêndio. Dúvida
logo desfeita pelo cheiro da neblina que tomou conta do local. Dúvidas
sanadas, o alívio pela continuidade da festa não durou 1 minuto.
Em um dos pontos de distribuição da cerveja, eu observava a festa e um
sentimento de tristeza tomou conta de mim: pronto, começou uma briga.
Observando melhor aí que não entendi nada: as pessoas estão se imolando? A
ficha caiu. Levei a primeira de um sem número de picadas no corpo,
principalmente na cabeça.
O caos tomou conta do Clube, portões abertos e a correria tomou conta da
Praça. Um sem número de pessoas picadas e muitas como no meu caso, com muitas
picadas.
Mas Carnaval é Carnaval. O desejo da mudança, aliado a revolta geral dos
presentes colocou o Bloco na rua com ou sem picada. Pois o acontecido só
mostrou aos poucos que tinham alguma dúvida a real necessidade de mudança em
nosso Município.

A DELEGACIA
Muito revoltado, com muita dor, fui imediatamente na Delegacia para dar parte
ou ocorrência (não sei o termo, sou leigo no assunto) para que se fosse
cobrada a responsabilidade pelo ato ocorrido, ou pelo menos que fosse
explicado o porque do carro naquelas condições de climas e horário soltando
aquela fumaça toda em direção há um agrupamento de pelo menos 2000 pessoas.
Foi me recusado registro, pois eu não tinha o prontuário médico com descrição
do meu atendimento. Depois fiquei sabendo que se a Delegacia quisesse poderia
fazer o registro e exigir do Hospital o tal papel, caso me fosse recusado,
mas como já colocado sou leigo.
No final, fiquei sem o registro.

O HOSPITAL
1 - O Hospital lotou, o atendimento dados pelas meninas foi o mais prestativo
e profissional possível. Possível porque se percebeu claramente a falta de
material, não o de medicamento, pois enquanto estava lá, todos estavam sendo
medicados, mas as luvas e torniquetes...
2 : Por mais de uma oportunidade tentei conseguir o tal papel com a descrição
de medicamento usado e o porque de sua necessidade para levar a Delegacia.
Médico empurrava para o Secretário de Saúde e este, por sua vez para o
médico. Formou-se uma grande rede de empurra-empurra. Ao final informaram-me
que deveria voltar em horário de expediente normal e requerer na Secretaria
do Hospital o documento. Resultado : sem registro policial e documento do
hospital.

O DESFILE
Como já exposto, o tiro saiu pela culatra. O Bloco foi para a rua, tomou
conta do Centro e a festa teve continuidade apesar das picadas. Neste
momento, apesar da dor na cabeça, lembrei de uma das inúmeras histórias que
Vladimir Palmeira nos brindava em suas palestras e reuniões sobre o movimento
estudantil de 68. Contou ele, que do nada, ao saírem para mais uma passeata
contra a Ditadura, perguntaram para ele, qual seria o trajeto. Vladimir
indicou com um simples por aqui: e saíram pela contramão do trânsito. O
engarrafamento que se formou, foi tão grande que o exército e a cavalaria não
conseguiram chegar para bater. Aqui, se as abelhas, atiçadas pelo Fumace, não
tivessem aparecido, e picado, seria mais um belo Bloco desfilando em Maricá
onde o enredo era o da Mudança. E o foi. Um belo Bloco que desfilou, agora
mais do que nunca, para os poucos que ainda tinham dúvida, com a certeza que
Maricá não só deve mudar, como nós, sua população e alma, merecemos esta
chance.
Feliz resto de carnaval para todos.


Sérgio Mesquita
Analista de Sistemas