19/03/2004
 DE QUEM É A CULPA?

 
         Estou escrevendo hoje, com o intuito de ver esta obra crescer. Escrevo porque a angústia que estou sentindo não me deixa mais calar. Escrevo porque ouço tantas histórias, fico sabendo de tanto absurdos e vejo que ninguém faz nada para consertar. Escrevo para tentar conseguir aliados que me ajudem, da maneira que for, a abrir os olhos do povo, a educar os que recebem esmolas e sofrem injustiças,  a mostrar que temos nossos direitos.
         Todos nós maricaenses, de “verdade” ou de coração, estamos indignados vendo a cidade morrer, ser invadida “literalmente”, vendo a lagoa apodrecer, vendo as ruas esburacadas, vendo o déficit enorme nos atendimentos básicos de água, luz, esgoto, calçamento, urbanização, saúde, etc. Vendo obras que não se concretizam, param no meio do caminho, ou quando se concretizam duram pouco tempo pela má qualidade do material, da mão-de-obra utilizada ou até do projeto mal feito. Obras que se desmancham na primeira chuva forte, obras feitas com o dinheiro público, sem o cuidado com a qualidade, sem darem a mínima importância à população. Vendo o comércio fechando, baixando as portas, pois a cidade está empobrecendo dia após dia, vendo possíveis investidores indo embora, pois não há nenhum incentivo por parte do poder público. Vendo o hospital sem remédios, sem médicos. Vendo as pessoas que não possuem planos de saúde serem obrigadas a pagar para fazer uma cirurgia, vendo a falta de gaze, soro fisiológico, analgésicos, fio para sutura, etc. no atendimento de emergência.
De quem é a culpa?
         A culpa é minha, é sua. Sim,  a culpa é de todos nós, que sabemos desses acontecimentos e continuamos calados.
         Sabemos que a verba vem sendo repassada para o governo municipal e não cobramos das autoridades a atuação necessária. Sabemos que a verba que o SUS envia para o município é fabulosa e ouvimos nossos vizinhos, conhecidos, funcionários falando do que acontece quando precisam utilizar o serviço médico do hospital municipal.
         A diretora de uma Escola Estadual sofreu um acidente de moto em frente à Viação Nossa Senhora do Amparo e foi socorrida no hospital municipal. Lá chegando não tinha ortopedista, não tinha radiografia, não tinha soro fisiológico e nem atadura para imobilizar seu braço.
         Uma médica conhecida compra com seu próprio dinheiro o Tylenol para ceder às crianças que ela atende, pois fica com pena de receitar qualquer outro remédio, pois sabe que os pais não terão dinheiro para comprar.
         Uma outra conhecida teve que pagar para a filha operar. Levaram para um hospital em Alcântara, alegando que em Maricá não teria um atendimento adequado. Tanto é sabido pelo poder público, que alguns profissionais cobram pelo atendimento médico, que no próprio hospital existem cartazes dizendo que não se deve pagar nada. Que o atendimento é gratuito. Mas o pobre, mal sabe ler, quanto mais com um familiar doente...
         Uma senhora disse em minha loja que o médico mandou  levar o título de eleitor na hora da consulta e anotou qual urna que ela vota, falando que naquela urna teria que ter votos para ele. Isso é um absurdo completo!!! A pobre coitada mal sabia ler e acreditou numa represália da parte desse “profissional”.
         Cada um de nós tem um caso parecido para contar, porém não temos coragem. De quem é a culpa? Por que não mostramos aos nossos governantes que temos direito de saber para onde está indo o dinheiro da verba do SUS? Por que não exigimos da administração do hospital que nos mostre o balanço dos gastos? Por que nós, que elegemos os nossos governantes, que recebem através de nossos impostos, logo, meros funcionários nossos, que queremos transparências nas transações de compra e venda dentro do município. Por que a Dra. Janete, que foi nomeada Secretária de Saúde, foi exonerada do cargo logo no começo desse governo? Por que o povo não sabe de toda a verdade?
         A culpa é nossa pela omissão. A culpa é dos médicos, da Associação Médica de Maricá, que sabe de toda a verdade e se cala.
         Vamos começar a denunciar esses médicos que cobram, essa falta de medicamentos no hospital. Se algum funcionário do hospital fizer alguma grosseria, prestar um mau atendimento ou cobrar alguma coisa de alguém, peça uma declaração por escrito do que ele está cobrando ou do porque não poder prestar o atendimento. Denuncie ao Conselho Regional de Medicina  (Praia de Botafogo 228 – Botafogo – RJ – CEP 22.359-900 – Fones: 2559.0018 e FAX: 2551.8020).
         Precisamos educar nosso povo. Precisamos mostrar ao povo que não necessitamos de esmola. O que o funcionalismo público faz pelo povo é menos do que a obrigação. Chamo de esmola a cesta básica, o ônibus universitário, etc. Queremos dignidade, para nós e para os mais necessitados. O que o povo precisa é de desenvolvimento. Com o desenvolvimento vem o emprego e a dignidade. Não precisamos de ônibus universitário, precisamos sim de universidades em nossa cidade. Por que não querem educar o povo?
         Não temos teatro, cinemas, espaços culturais. Não temos quadras poliesportivas, não temos eventos culturais, apenas funk e pagodes. Não temos festivais de nada. Aqui se fomenta a baderna, pois a Secretaria de Indústria, Comércio, Lazer e Turismo sé faz montar palco e desmontar palco na praça. Nossos jovens estão fadados ao fracasso, a menos que os pais tenham condições financeiras para pagar uma universidade em outro município, eles se tornarão “funcionários públicos municipais”, se apoiarem o prefeito e colarem plásticos em seus carros.
De quem é a culpa?
É nossa! Há muito tempo já deveríamos exigir uma Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Lazer atuante. Há muito tempo já deveríamos ter exigido da Secretaria de Educação e Cultura eventos que somassem. Mas estamos há muito tempo esperando acontecer e nada fazemos ou falamos para que tenhamos um governo que coloque Maricá em uma posição de destaque em algum ramo, seja ele turismo, educação, ... Estamos parados, numa inércia, vendo a cidade ir para um buraco. Muitos indo embora, outros ficando por não ter condição ou coragem para começar tudo de novo em outro lugar. Mas quem vai apagar a luz e fechar a porta?
         Sou uma pequena comerciante, com uma papelaria no centro da cidade e, dentro do meu estabelecimento que parece a “Praça da Alegria” pelo entra-e-sai de clientes/amigos, que além de consumirem sempre batem um papo, ouço diariamente histórias que me assustam, me indignam e que me fizeram escrever agora, com a intenção de fazer nosso povo falar, contar essas histórias a todos, assumindo os fatos, denunciando, cobrando seus direitos a quem quer que seja, para que se realize o tão sonhado desenvolvimento de Maricá.
         Não sou candidata a nada. Só quero passar para vocês, com palavras simples e objetivas, o que estou sentindo agora e o que espero.
         No dia-a-dia atendo pessoas de todas as classes sociais e cito aqui alguns “fuxicos” que ouço:
Aposentados da Prefeitura tirando cópia de seus documentos para pedirem empréstimos, pois a PMM, que descontou no salário dos ativos o valor do ISSM que serve para o pagamento dos inativos, não efetuou o repasse;
Outros, falando sobre valores altíssimos para “um” candidato surpreender outro com sua candidatura em último momento;
Outro, falando que como funcionário da PMM estava com salário atrasado e foi comprar Miojo para o jantar da sua família, enquanto os governantes estavam no mesmo supermercado com  carrinhos cheios;
Ouço grosserias que fazem com o povo, na Câmara Municipal, na hora em que o eleitor “ignorante” foi fazer valer o seu voto, ou seja, cobrar a promessa eleitoral feita;
Ouço histórias de subornos, falcatruas, apadrinhamentos, etc. mas não tenho provas;
Ouço dono de bar que foi ameaçado por um vendedor de caldo-de-cana ambulante, porque o mesmo pediu às autoridades que o retirassem de frente do seu bar;
Ouço professores se gabarem de já terem recebido seus salários antes das outras categorias, pois, caso contrário, fazem paralisação;
Ouço reclamações de pequenos comerciantes, que assim como eu, estão atravessando dificuldades porque o consumidor sumiu...
 
De quem é a culpa?
 
         A culpa é nossa! Toda nossa. Quando disse acima que a cidade está sendo “literalmente” invadida, é porque ninguém está fiscalizando as invasões. Aliás, estas invasões foram fomentadas com intuitos eleitoreiros. A orla da lagoa está completamente tomada de construções. Nem essa, nem as administrações anteriores tomaram nenhuma providência quanto a isso. Milhares de pessoas estão vindo morar em Maricá tomando posse de terrenos. Quem passa as informações que os terrenos estão sem pagar impostos há mais de 5 anos? Quem tem essas informações? Quem autoriza as construções? Quem dá o habite-se?
         Onde estão os nossos veranistas? Foram embora. Quem veraneia quer lazer. Qual lazer Maricá oferece? Nenhum. Todos nós sabemos disso, até nossos governantes. Até eles passam os fins-de-semana fora. Aqui, não há quem agüente. Agüentar barulho de funk à noite, agüentar queda de luz, agüentar praias sem urbanização, sem cerveja gelada, agüentar falta d’água no verão, agüentar sábado à noite sem um barzinho legal, sem um cinema, sem teatro, sem shows culturais... só quem não tem condições financeiras que tem que agüentar. Aqui não há conforto... Outros municípios oferecem tantas atividades.
         Nossa cidade está virando uma cidade dormitório, só que sem estrutura. O perfil do novo morador maricaense é o que trabalha e consome em Niterói ou Rio de Janeiro e só vem à noite, não gerando riqueza para o município.
         A maioria desses moradores são “invasores” de terrenos, logo não contribuem com o IPTU pois acredito que as obras não foram aprovadas, logo, pagamos por esse morador. Estão fazendo “GATO” em nosso IPTU.
         Cansamos de ver nos jornais locais, na www.marica.com.br , no dia-a-dia, ruas intransitáveis, lama, buracos, esgotos a céu aberto, esgoto na praça do centro, etc. Vamos exigir o retorno de nosso IPTU ou então, deposita-lo em juízo.
         De quem é a culpa?
         A culpa é nossa. Estamos cumprindo com a nossa obrigação, pagando os impostos, e não estamos cobrando nossos direitos. O que você faria se comprasse uma blusa azul e quando chegasse em casa, abrisse o pacote e encontrasse uma blusa rosa, o que faria? Pois é... Precisamos fazer isso aqui em Maricá. Estamos comprando desenvolvimento com o pagamento do IPTU e o que estamos levando para casa?
        
         As obras feitas na cidade no atual governo, foram, em quase sua totalidade para beneficiar os “currais eleitorais”. Quem paga o IPTU mais alto ainda não se beneficiou com alguma coisa. Então me pergunto? Por que não fazemos alguma coisa? Por que não reivindicamos nossos direitos? Por que continuamos calados? Temos medo de morrer? Temos medo de perder nossos empregos? Temos medo que aconteça algo com nossos filhos?
 
         Em junho de 2003 aceitei o convite para participar da chapa candidata a diretoria da Associação Comercial de Maricá. Surpresa fiquei, na semana da eleição, quando soube  que era chapa única. Vejam só: Não tínhamos nem oposição! Assumimos a diretoria da Associação Comercial com o ideal de fazer alguma coisa, qualquer que fosse, para fomentar o desenvolvimento da cidade. Mas hoje, quase um ano depois, vejo que é impossível modificar uma cidade onde o povo aceita os absurdos calado, onde o comerciante não se une para exigir uma parceria com o poder público.
         Nossa primeira providência após assumir a direção da ACM foi marcar uma audiência com o prefeito onde foi solicitado uma fiscalização efetiva sobre o comércio ambulante e os estabelecimentos comerciais que não são legalizados. Até hoje nada foi feito. Sabemos que os camelôs são um problema social, apenas queremos uma concorrência justa. Que se faça o cadastramento dos ambulantes, que eles paguem uma taxa de autonomia, que se faça um camelódromo. Queremos que eles desocupem as calçadas, que eles vendam artigos que não vendemos, que a fiscalização exija a nota fiscal de compra para que, no futuro, o problema não tome dimensões como no centro do Rio ou de outros grandes centros. Por que o prefeito de Araruama conseguiu resolver o problema dos ambulantes de lá? Porque os camelôs de lá estão vindo para Maricá, onde não há fiscalização e quando há, os camelôs são avisados com antecedência. Porque em Araruama, os vereadores não dão “ponto” para os ambulantes. É um problema social, eleitoral...
         O absurdo é tão grande que há camelôs que penduram “literalmente” suas mercadorias no portão da Associação Comercial, fazendo da mesma sua vitrine.
         Em contrapartida, o problema das Vans foi solucionado rapidamente, com a ajuda da guarda municipal e da polícia militar...
         De quem é a culpa?
         A culpa é nossa. A culpa é de quem compra mercadorias em camelô. A culpa é de quem come camarão sem refrigeração, sem vistoria da Saúde Pública. Aliás, outra coisa que inexiste em nossa cidade. Saúde Pública.  E a prefeitura ainda tem coragem de cobrar da minha loja (papelaria) taxa de inspeção sanitária.
         Queria convidar a Saúde Pública a visitar a frente da minha loja, a frente da igreja após cada fim-de-semana e ver os restos de comida dos ambulantes instalados permanentemente naquele local. A minha calçada se torna um lixão. A grama da frente da igreja chega a ter uma nata de gordura. Enquanto isso, os bares do Shopping Núbia Lafayette fecharam. As pessoas comiam nos ambulantes e nos restaurantes só usavam os banheiros. Como agora não têm mais restaurantes, o banheiro é na rua, nas calçadas, na grama da pracinha, etc.
         Um comerciante, dono do bar em frente à Casa de Cultura, já cansou de reclamar na prefeitura o comércio ilegal de alimentos. Ele não quer nem participar das reuniões da Associação Comercial, pois sabe que não somos ouvidos pelo Poder Público.
         Agora eu pergunto: Quem gera emprego? Quem paga impostos?
         Há várias peixarias sem licença para funcionar, bem como açougues, lanchonetes, etc. A saúde pública ... por onde anda?
         O cúmulo do desgoverno é o de que funcionários da PMM tiram cópias em estabelecimentos não legalizados e vão à minha loja pedir uma nota fiscal. O pior é que a Secretaria de Fazenda da Prefeitura Municipal de Maricá tem ciência do funcionamento desses estabelecimentos e nada faz. Esta fiscalização já foi pedida por mim ao Secretário de Fazenda. A quem recorrer? Será que a idéia de nossos governantes é fomentar a ilegalidade? Será que deveríamos pedir baixa de nossas firmas na Junta Comercial e continuar trabalhando com as portas abertas? Com certeza, ninguém iria nos incomodar. Será que a idéia é sonegar?
         Há ambulantes instalados na calçada da Secretaria Estadual de Fazenda. É possível isso? Um comerciante local foi ao funcionário da Secretaria (Coletoria Estadual) reclamar  e ele disse que a fiscalização de ambulantes é função da prefeitura. Isso é muito desrespeito com os comerciantes. Nem um órgão estadual pode resolver?
         Em reunião com o Secretário de Fazenda (acho que em agosto/2003) ouvi a promessa que a fiscalização seria efetiva, que a gente denunciasse, mas até agora, nada. Será que os governantes não percebem que a legalização do comércio ilegal geraria receita para o município?
         Solicitamos uma reunião com o Secretário Luiz Carlos Bittencourt e o Secretário de Fazenda Paulo Imbrózio para tratarmos desse assunto – legalização – oferecendo os serviços da Associação Comercial, com relação a documentação para a Junta Comercial, sem qualquer ônus para a Prefeitura ou para os comerciantes. Mas a reunião não aconteceu pois o Sr. Paulo Imbrózio não compareceu.
         Qual a solução?  Será que se entrarmos com uma ação de perdas e danos pelos lucros perdidos durante o Natal, Ano Novo e Carnaval alguém fará alguma coisa? Será que se depositarmos em juízo os valores do ISS, IPTU, ICM’s, Alvará, Inspeção Sanitária e qualquer outro tributo que deva ser recolhido, alguém fará alguma coisa? Se já faliram a nossa cidade, vamos falir direito!!!
         Se minhas palavras vão, de algum modo, prejudicar a relação da Associação Comercial com a Prefeitura, peço aqui mesmo a renúncia ao cargo que ocupo, pois são minhas todas essas palavras.
         Outra coisa que sempre ouço em minha loja são reclamações de crianças e de mães de alunos sobre a Casa do Futuro. Dizem que somente alunos da rede pública de ensino podem utilizar os computadores. Isso é um absurdo. Eu não posso usar? Eu que pago uma carga imensa de todo o tipo de imposto, não posso usar a CASA DO FUTURO???? Só pode usar quem não paga imposto. A Classe Média de Maricá acabou. Nós não usamos a Casa do Futuro, não temos remédio grátis nas farmácias dos postos de saúde ou hospital, não temos justiça gratuita pois temos o CPF atrelado a um CNPJ, etc. Bem, então se estou entendendo, não temos direito a nada que o poder público oferece, pois esses serviços não são para o contribuinte.
         De quem é a culpa? A culpa é nossa, por não pedirmos ao funcionário da Casa do Futuro que nos trate com educação, paciência e delicadeza. Eles são nossos funcionários. Nós, indiretamente, pagamos seus salários. Devemos pedir uma declaração por escrito do funcionário da Casa do Futuro, qual o motivo que impede o uso dos computadores por crianças que não são da rede pública de ensino.  Não devemos permitir que funcionário público algum nos trate com indelicadeza. Ele está ali para nos servir, desde o gari até o prefeito. Toda a hierarquia. Chega de desmando, chega de humilhação.
         Em novembro participei do 1º Fórum de Desenvolvimento de Maricá, promovido pela Associação Comercial, Sebrae – Maricá, FIRJAN, CDL, FACERJ e Sind. Das Panificadoras do Estado do Rio de Janeiro. Nesse evento vi que falta união do nosso povo, de nossos comerciantes e de nosso governo municipal. A Prefeitura enviou como representante o Sr. Jaderval Sá Rego, Secretário da Indústria, Comércio, Turismo e Lazer, que teve a infelicidade de informar que ninguém, nenhum governante de Maricá, nesse governo e nos governos anteriores, mandou qualquer ofício, carta, memorando, etc. solicitando a remessa de royalties para o município. Pois é... parece piada. Uma verba esperada há tanto tempo, parece mesmo piada. Isso é inadmissível.
         Bem, voltando ao Fórum de Desenvolvimento, além dos poucos comerciantes, participaram donos de Vans, ambulantes e artistas plásticos. Fiquei espantada por não ter nenhum jornalista e nenhum outro membro do governo em um evento tão importante. Para vocês terem uma idéia, o mesmo evento em Cabo Frio reuniu mais de 600 pessoas. É.. em Maricá é mesmo difícil.
         Os ambulantes estão mais interessados nesses eventos de desenvolvimento do que os comerciantes e/ou governantes. Temos que  lembrar que somos nós que pagamos impostos, conseqüentemente somos nós que pagamos parte dos salários daqueles governantes que não estão fazendo a sua parte, pois estão trabalhando contra nós. Precisamos exigir que eles cumpram sua parte. Precisamos exigir que eles atendam nossas reivindicações, que eles apliquem as leis ou sejam punidos por omissão.
         Acredito que esse tenha sido o último evento realizado pelo Sebrae em Maricá. Eles também perceberam o descaso com que os governantes e comerciantes tratam a nossa cidade.
         A hora mais concorrida foi o Cofee Break. Teve gente levando lanche para casa. Bem a cara da cidade.
         Bem, preciso falar sobre os royalties do petróleo.
         Essa verba é para ser usada em obras que tornem a cidade auto sustentável, pois ela não é eterna. Em algum momento a Petrobrás terá repassado ao município todo o valor que lhe é de direito e a partir daí, o município deverá ser auto-sustentável. Não existe uma legislação do tipo isso pode e isso não pode, porém é certo que a verba não pode ser usada para folha de pagamento, compra de automóveis, etc.
         Vamos nos unir em comissão para fiscalizar o uso dessa verba, exigindo relatórios sobre sua utilização, exigindo transparência nas licitações, acabando com a máfia de três orçamentos onde sempre duas firmas não existem. Vamos exigir carta convite para as licitações publicada em jornal de grande circulação e, principalmente, que as firmas construtoras sediadas em Maricá, inscritas na PMM, sejam convidadas a participar dessas licitações.
         Vamos exigir que o material de construção seja comprado em Maricá. Vamos fazer esse dinheiro dos Royalties “rodar” dentro de nosso município. Vamos pesquisar junto à órgãos públicos, internet, amigos, vizinhos, advogados, funcionários de empresas estatais, como é feita a fiscalização e uso dessa verba. Não vamos permitir que essa verba escoe pelo “gargalo”.
         Vamos exigir da Prefeitura que se publique em algum jornal da cidade, patrocinado ou não pela PMM, todo o emprego dessa verba e todas as realizações. Vamos ajudar a Maricá ser auto-suficiente.
         Vamos mostrar ao Povo que com dinheiro fiscalizado qualquer prefeito faz obra. Não vamos permitir que esse dinheiro seja usado como propaganda de realizações do governo atual. As obras anteriores a essa verba é que são propaganda do governo. Essa verba dos royalties é para obras na cidade e qualquer pessoa que receba X para comprar Y, sendo fiscalizado por milhares de pares de olhos, vai ter que comprar Y e nada mais do que Y. E o mérito das próximas obras é da pessoa que assinou a lei dos royalties.
         Temos que educar nosso povo. Não deixemos que essa verba seja usada para fins eleitoreiros.
         Vejam bem: o royaltes não é conquista política de qualquer prefeito de Maricá. O Royaltes é uma lei federal e é um imposto que a Petrobrás é obrigada a pagar aos municípios. O nosso só veio atrasado por omissão de nossos governantes.
Precisamos mostrar ao povo de Maricá que todo poder emana do povo!!!
 
         Por acaso, para nós, comerciantes de Maricá, foi realizada alguma obra de grande relevância? Foi realizado algum evento que tenha aumentado nossas vendas?
         Obras são feitas em locais de baixa renda onde nem 10% dos moradores pagam IPTU, cestas básicas são distribuídas, projetos sociais, ônibus universitário, programas de leite, etc. Isso tudo é esmola!!! O que nosso povo precisa é de emprego, precisa de dignidade. Precisa de indústrias, de universidades, de escolas técnicas, precisamos de desenvolvimento para que possa gerar riqueza. Por que não se cria um programa de captação de indústrias? Por que não se oferece incentivos fiscais a indústrias que queiram se instalar aqui?? Se já permitem tanta invasão de terrenos, por que não doam terrenos para que indústrias se estabeleçam? Muita gente sabe a resposta. Não posso publicar pois teria que provar. Mais muitos vereadores sabem a resposta. Por que não temos SENAI e SENAC aqui? O terreno chegou a ser limpo para esse fim. Por que o SENAC não veio para Maricá?
 
         Para a classe média nada aconteceu nessa cidade. Não tivemos urbanização, ampliação da rede de água e esgoto, melhoria nos acessos aos pontos turísticos. A Secretaria de Turismo nunca definiu a característica de Maricá. Vejamos: Saquarema – Capital do Volley; Araruama – Capital da Vela; Arraial do Cano – Capital do Mergulho;  E Maricá?  Maricá- capital do buraco, da lama, do esgoto, do mosquito, do desgoverno.
 
         De quem é a culpa?
 
         Já disse. É nossa, é minha. Somos omissos. Não nos unimos. Não formamos fóruns de discussão, não exigimos a presença do governo em reuniões. Deixamos os atuais governantes esquecerem de que quem os elegeram podem tirá-los do poder em apenas um dia através de uma simples passeata, através de denúncias, de caras pintadas, convocando toda a imprensa, juntando provas das denúncias que já foram feitas e de coisas que vemos acontecer.
         A culpa é nossa por vermos enriquecimentos fora do comum de pessoas que conhecemos desde a infância  e, temos a certeza, de que não receberam heranças ou prêmios de loteria, e mesmo assim continuamos calados, esperando outro agir.
 
A CULPA É NOSSA
 
         Chega de se venderem por cestas básicas, por enterros de familiares, por zinco ou telhas, por empregos medíocres na prefeitura, onde em cada sala há gente em pé, pois nem mesas têm para acomodar tantos funcionários. Chega de se venderem por remédios, por tijolos, por um carro velho para fazer a campanha . TENHAMOS DIGNIDADE!!!
         O que precisamos é de desenvolvimento, de emprego, de estudo e Maricá tem potencial para isto.
 
         Vamos exigir uma Universidade e acabar com essa farsa (esmola) de ônibus Universitário onde os desapadrinhados vivem tentando falsificar carteirinha para poder utilizar o transporte (claro que nem todos têm direito). Vamos exigir a exploração de um pólo aeronáutico com aluguel de hangares e conseqüente geração de empregos. Vamos exigir que se cumpra as leis eleitorais e exigir que não se faça propaganda eleitoral com dinheiro público. É uma vergonha a quantidade de automóveis com plásticos alusivos ao pleito de 2004. Todos que usam esses adesivos estão se beneficiando de alguma forma. Não é possível que haja alguém satisfeito com o atual governo sem que esteja levando vantagem. Até que esses adesivos nos mostram uma coisa: descobrimos as pessoas que vivem da política em nossa cidade.
 
VAMOS LANÇAR UMA CAMPANHA NOVA
 
REEILEÇÃO ZERO
 
         Adorei essa idéia. Foi do Fabiano Horta. Achei sensacional e poderíamos nos unir (os insatisfeitos) e fazer adesivos, colando nos nossos carros.
         Os bancos de Maricá geram um lucro considerável. É um absurdo as gigantes filas que enfrentamos diariamente. O Bradesco é o pior, seguido pelo Unibanco. Em dias de grande movimento, deixam apenas 1 caixa para atender milhares de pessoas. Quem vai ao banco não trabalha. Bastaria uma lei votada na Câmara Municipal fazendo com que os bancos fechassem as 4:00h a exemplo de outros municípios, e que se aumentasse o número de caixas funcionando.
         Alguém pode me dizer o que algum vereador fez neste mandato?
 
         Reeleição zero.
 
         A biblioteca foi derrubada e nada vai ser feito em seu lugar. Realmente, é gritante a vontade de se educar o povo. A Prefeitura conseguiu destruir o mínimo de cultura que existia na cidade. Isso é matéria para o Casseta e Planeta.
         Por falta de administração, a verba da Prefeitura acabou antes do tempo. Ninguém planejou nada, ninguém organizou nada... nunca foram usados os princípios básicos da administração, talvez por não terem objetivo final. Ninguém traçou metas, só usaram os meios e conseguiram chegar ao fim. Agora não podemos ser atendidos após as 15:00h pois a prefeitura faliu. Têm que economizar em luz (eles trabalham no ar condicionado). A casa do Futuro fecha as 15:00h, a Câmara Municipal fecha as 15:00h. Isso é muito bom para os funcionários, mas para o povo...
 
         Não estou fazendo oposição a ninguém em particular, não estou apoiando nenhum candidato, não tenho pretensão de ser candidata a nada. Até pretendo ir embora daqui se a coisa não melhorar. Recebi vários convites para ser candidata a vereadora, mas não aceito pelo simples motivo de não concordar com muita coisa que verei lá e não poderei calar... calar como calam funcionários que são postos em licença por não concordarem com coisas que acontecem. Vereadora licenciada eu nunca vi. Não serei a primeira. Escrevi isso tudo porque não agüento mais ver Maricá morrer. Chegou a hora do povo fazer alguma coisa e alguém precisa começar.
         Preciso de aliados nessa luta!  Todas essas pessoas que chegam em minha loja e contam novidades, dão idéias para Maricá crescer, etc. Nossos discursos não podem mais ser isolados. Vamos nos unir e cobrar nossos direitos.
 
 
 
Preciso de relatos/denúncias com provas, nome e nº da carteira de identidade e autorização para publicar/fotos/ para continuar essa luta e melhorar nossa cidade.
soninhamds@brasilvision.com.br
Sônia Maria Dias da Silva