11/06/2004
Memória do fogo - Cantos de fé, de trabalho e de orgia
A LADAINHA DE MARICÁ É TEMA DE "MEMÓRIA DO FOGO - CANTOS DE FÉ, DE TRABALHO E DE ORGIA", DOCUMENTÁRIO DE DÉLCIO TEOBALDO


Com locações nos bairros de Pindobas, Caxito e Boqueirão, no município de Maricá, Área Metropolitana do Rio de Janeiro, Délcio Teobaldo
grava nos próximos dias 30 e 31 de julho, o documentário “Na intenção de...”, sobre a Ladainha de Maricá.

Rezas e cantos feitos na intenção do outro, a Ladainha é tema do primeiro documentário da série “Memória do Fogo - Cantos de fé, de trabalho e de orgia”, projeto que o documentarista mineiro radicado no Rio de Janeiro e o cinegrafista Toni Nogueira (DGT-Filmes, São Paulo www.dgtfilmes.com.br) vêm realizando há três anos, para compor um longa metragem temático sobre a perda de identidade, a reação e a resistência de quatro manifestações de culturas oral-rítmicas mais populares e espontâneas da Zona da Mata mineira e do Estado do Rio de Janeiro, como os Jongos, as toadas de trabalho e os mutirões.

Da série já foi produzido o documentário “Morre congo, fica congo”, com os últimos cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis; filme exibido em rede nacional pela TV Cultura; na Royal Shakespeare Company (Londres); além de encerrar a mostra “Da chanchada à feijoada – O cinema negro no Brasil” (Museu da Imagem e do Som, São Paulo), o “II Festival de Arte Negra – FAN” (Belo Horizonte – MG) e ser convidado para exibição no Encontro Latino Americano de Culturas, México; na IPCTV, de Tóquio e nos festivais de Waterloo (Londres) e de Udine (Itália).

Os outros dois documentários que estão sendo produzidos para compor a série são: “Cantos de calamboteiros”, sobre os cantos de trabalho nas lavouras de cana e de café, em Campos dos Goytacazes e interior de Minas Gerais e “Puti, muxi, mutirão”, os cantos de orgia do mutirões, que será gravado na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

CULTURA TERMINAL

O documentário “Na intenção de...” (Ladainha de Maricá, Rio de Janeiro) registra o ofício, o encanto e os benefícios desta cultura, misto de reza e canto adjutório feito na intenção do outro. A Ladainha, que tem uma liturgia marcada pelo sincretismo, era uma prática comum na cidade até as últimas três décadas, quando começou a perder seus fiéis para as igrejas evangélicas e o interesse das gerações mais novas que a desconhecem e, por isto, não acreditam na sua eficiência.

Quem revela isto é “Seu” Betinho, um dos últimos apontadores (rezadores) de Ladainha de Maricá. Além dos depoimentos dos fiéis e de um ofício dessa cultura, o documentário registra, também, outras práticas da região, feitas “na intenção de...” restabelecer a harmonia física e social das famílias e dos grupos, como a cura através das “benzas” e das ervas.

A SÉRIE

A série “Memória do Fogo - Cantos de fé, de trabalho e de orgia” compreende o registro audiovisual de quatro manifestações da cultura oral-ritmica brasileira, numa área específica do Sudeste brasileiro: Zona da Mata mineira, área metropolitana e sul do Estado do Rio de Janeiro. São quatro exemplos que testemunham a diversidade e a riqueza das culturas populares em que o fogo é usado na interação social, como elemento votivo e de festa.

            Nos Jongos, o fogo estimula a cultura oral, uma vez que afina o couro do angoma (tambor banto escavado em troco) e sinaliza o canto e a dança. Entre os calamboteiros (cortadores de cana-de-açúcar), o fogo aceso à hora do almoço, marca o momento em que brincam, cantam e contam casos sobre o cotidiano da lavoura. Nos mutirões, enquanto a comunidade se organiza para o trabalho cooperativo, o fogo é o anúncio da celebração, da alegria e da compensação pelo trabalho realizado. Na Ladainha, o fogo das velas sobre a mesa/altar é votivo. Aponta-se uma Ladainha para agradecer a graça recebida ou encaminhar a alma de um morto. Nos dois casos, o fogo é a principal referência do ato de contrição, esteja ele aceso no altar da sala ou na cozinha, preparando o alimento para os fiéis.

Contos, cantos, atos de fé, de trabalho e de orgia. A comunhão entre o sagrado e o profano. Em todos esses momentos, o fogo é o catalisador para a identificação de grupos. Seja em culturas terminais como o Jongo rural de Angra dos Reis; a Ladainha de Maricá, no estado do Rio de Janeiro; os Calamboteiros de Ponte Nova, em Minas Gerais; ou nas culturas em crescente processo de valorização como o trabalho comunitário dos mutirões.

OS PRODUTORES

Délcio Teobaldo (Pesquisa, roteiro e direção)

É escritor, músico, pesquisador de culturas populares, produtor, roteirista de TV e cinema; editor e diretor de TV.

Escreveu: "Isto é coisa da idade" – livro indicado pela Câmara Brasileira do Livro para a Feira de Guadalajara, México e Feira de Bolonha, Itália; “Palavra puxa prosa” e “Quatro trancados no quarto” (Miguilim, MG, 95; 2000 e 2003 – www.editoramiguilim.com.br); “A filosofia das tradições afro-brasileiras”, com Muniz Sodré, Roberto Moura e Pedro Moraes (EdUFF, RJ, 98); “Cantos de fé, de trabalho e de orgia – O jongo rural de Angra dos Reis”
(E-Papers, RJ, 2003 -
http://www.e-papers.com.br).

Shows: No fuzuê da muvuca – Jam session na Bookmakers e temporada no Rio Jazz Club, RJ, 96. “African’s”, W Ipanema, RJ, 2002. “Terreirada”, Espaço Circo. Belo Horizonte, 2003; Memo, Rio de Janeiro, 03; Museu da Imagem e do Som, São Paulo, 03; convidado do The Jazz Mainntenance Festival, Trois Revière, Canadá (97); Workshop Festival de Waterloo, Londres (2004).

Palestras musicadas: "A Filosofia das Tradições Afro-Brasileiras", Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro e Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), Bahia (1998); "Afro-Talk-Vídeo", Museu da República, Sala Edson Carneiro, Rio de Janeiro (1999); "Musicalidade Afro Brasileira - Do sagrado ao profano", UFF e GCAP (2000); "V Encontro de Jongueiros. Angra dos Reis, RJ" (2000); "Primeiro Fórum de Debates sobre Arte e Cultura Popular" - Centro Cultural e Artístico de Botafogo (2000); (III Fórum de Cultura Brasileira - Centro Cultural e Artístico de Botafogo, prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2001/2002); “Cultura oral e cultura dos gestos” – “I Semana de Artecultura” - Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002).

Produziu e dirigiu: “Morre congo, fica congo”. Curta-metragem com os últimos cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis (DGT Filmes, SP, 2001). “Na Pele”, videoclipes (Art-Vídeo/Rede Brasil, 2001). Roteirista e editor do documentário “Infância Limitada”, terceira classificação no “23° Festival Anual de Documentários” da BBC de Londres e prêmio de melhor direção, 2002.

Roteirista de “Conversa Afinada”, minissérie de Música Popular Brasileira da TVE-Brasil.

Contato:.(21) 2637 1254 dteobaldo@hotmail.com

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Toni Nogueira (Diretor de fotografia)

Vídeos - Encantos da Índia – Taj Mahal e Fahter; Jai Hind! – Viagem ao Rajastão (Índia, 2003); Varanasi- Índia Sagrada (Índia, 2003); Patrimônios da Caatinga (Piauí, Brasil, 2003); Ásia Central - Nas Fronteiras do Islã (Uzbequistão/Quirguistão, 2000); Morre Congo, Fica Congo (Angra dos Reis, 2001); Parteiras do Amapá Escola Bosque (Arquipélago do Bailique, Amapá, 2001); Teatros de Rua Recife Teatros de Rua do Rio de Janeiro (Recife e Rio de Janeiro, 2000); Uma Homenagem a David Brauer (Parques Nacionais do Oeste Americano, 2000);

Película – Curta metragem com o escritor Saul Brown (Nova York ,1980 a1990); Kabul-Goa – Longa metragem, 16mm cores, direção de Guará Rodrigues (1974 a1976); Mata e Silva – Curta metragem, 16mm cores, direção Rogério Sganzerla (1976); Bandalheira Infernal – Longa metragem, 35mm preto e branco, direção de José Sette de Barros (1976); Casa das Minas – Curta metragem, 16mm cores,  direção de Nunes Pereira (1977); Escultura e Natureza – Curta metragem, 35mm cores,  direção de José Sette de Barros (1977); O Naturalista Krajsberg – Curta metragem, 35mm cores, direção de José Sette de Barros (1977); Madrepérola – Longa metragem, 16mm cores, direção de Sérgio Bernades (1977); As Amazonas – Média metragem,  16mm cores,  direção de Túlio M.  Lopes Filho (1978); Indias do Sul do Brasil – Documentário 16mm cores, direção Dr. Cláudio Paciornik; Já era uma vez uma história – Longa metragem 16mm cores, direção de José Joaquim Sales (1979); Música para Siempre – Longa metragem 16mm cores, direção de Guará Rodrigues, Neville de Almeida e Dudi Guper. 1o Free Jazz Festival (1978)

Assistente de câmera:

Abismo – Longa metragem, 35mm cores, direção de Rogério Sganzerla (1976); Semana Santa em Prados – Curta metragem, 16mm cores, Funarte (1977); Samba da Criação do Mundo – Longa metragem, 35mm cores, direção de fotografia Dib Luft, direção de Vera Figueiredo (1978); O Pinto Sura – Curta metragem, 16mm cores, direção de Marcos Ribas (1978)

Fotógrafo Still:

Crazy Love – Longa metragem em 16mm preto e branco, direção de Julio Bressane (1973 Londres); Night Cats – Longa metragem em 16mm  preto e branco,  direção de Neville de Almeida (1973 Londres); OD – Curta-metragem de 30 minutos em Super 8, Londres (1975); Carnevale – Curta-metragem de 30 minutos em Super 8, Salvador, Bahia (1976)

Contato:.(11) 3045 0011 toni@dgtfilmes.com.br

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