29/10/2003
DOMÍCIO DA GAMA
Texto do livro "Maricá meu Amor", de Paulo Batista Machado
        Nasceu em Ponta Negra, Maricá, aos 23 de outubro de 1863, sendo filho de Domingos Afonso Forneiro, pequeno comerciante, e de Mariana Rosa Loreto. De origem humilde, desde a infância mostrava uma inteligência viva e brilhante.
O sobrenome Gama, que sempre trouxe consigo, herdou-o de seu padrinho, o Pe. Sebastião de Azevedo Araújo e Gama, vigário de Maricá durante 41 anos, no período de 1851 a 1892.
        Seus primeiros estudos se passaram no Colégio Henrique, no Rio de Janeiro. Matriculou-se posteriormente na Escola Politécnica, mais precisamente em 1878, mas desistiu logo a seguir, ao perceber que sua vocação não era lidar com ciências exatas. Dedicou-se com sucesso ao estudo de Literatura e Geografia, que real­mente o apaixonavam.Não contando com a ajuda de pessoas importantes, foi vencendo sozinho, em decorrência de seus esforços e de sua inteligência singular. Mesmo sem recursos, fez-se repórter da "Gazeta de Notícias",exercendo o cargo com eficiência, tornando-se amigo e auxiliar do famoso jornalista Ferreira de Araújo.
        Em 1888 encontramo-lo na Europa, correspondente internacional da Gazeta de Notícias. Durante este tempo aprofundou mais os seus estudos de Literatura e Geografia. Membro integrante do Sindicato da Imprensa Estrangeira, atuou com brilho durante a célebre Exposição de Paris, ano 1889. Motivado pelo Barão do Rio Branco, de quem era amigo particular, trabalhou no Comissariado da Emigração da Europa.
        Lidou na Política Exterior Brasileira, consagrando-se ao lado do Barão do Rio Branco. Diplomata arguto e competente, era sempre lembrado nos casos mais exigentes da Diplomacia Brasileira.  É assim que o vemos auxiliando o Barão do Rio Branco nas questões do Amapá, Missões e Acre.
      Pertencem-lhe, na história da Diplomacia do País, as boas relações com o Peru, em 1906, e com a Argentina, pouco depois. Com larga visão política e grande capacidade, houve-se bem ao substituir Joaquim Nabuco, em Washington.
Domício da Gama é o primeiro em pé, a esquerda.
        Sua atuação como Embaixador Brasileiro em Londres valeu­-lhe as seguintes observações, feitas por Pandiá Calógeras, em sua  obra "Estudos Históricos e Políticos": "só quem conhece os meios oficiais londrinos pode apreciar o prestígio que cercava esse diplomata calmo, sisudo, inimigo da ostentação e atento a quanto interessasse ao Brasil". E disse ainda mais: "a sua perda é um empobrecimento mental e moral para o País".
        Designado pelo Presidente Rodrigues Alves, em 1908, para Ministro das Relações Exteriores, só não exerceu tal designação com maior brilho porque sua gestão foi tão curta quanto  do Presidente.
        Escritor, pertenceu à Academia Brasileira de Letras, sendo um de seus membros fundadores, e ocupou a cadeira n° 33, cujo patrono era Raul Pompéia.
         Escreveu "Contos a Meia Tinta" (1891 ) e "Histórias Curtas" ( 1901 ). Foi ainda Diretor de Publicação do Atlas de Geografia Física e Política e do Atlas de História Antiga e Moderna. O seu estilo é primoroso, leve e sutil, prenhe de originalidade, e revela o espírito profundamente observador do literato.
E. E. Domício da Gama
:         Como tantos outros vultos ilustres, faleceu esquecido depois de tão numerosos serviços, aos 8 de novembro de 1925, na cidade do Rio de Janeiro.
 
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