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DOMÍCIO
DA GAMA
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Texto
do livro "Maricá meu Amor", de Paulo Batista Machado
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Nasceu
em Ponta Negra, Maricá, aos 23 de outubro de 1863, sendo filho de
Domingos Afonso Forneiro, pequeno comerciante, e de Mariana Rosa Loreto.
De origem humilde, desde a infância mostrava uma inteligência viva
e brilhante.
O sobrenome Gama, que sempre trouxe consigo, herdou-o de seu padrinho,
o Pe. Sebastião de Azevedo Araújo e Gama, vigário de Maricá durante
41 anos, no período de 1851 a 1892.
Seus
primeiros estudos se passaram no Colégio Henrique, no Rio de Janeiro.
Matriculou-se posteriormente na Escola Politécnica, mais precisamente
em 1878, mas desistiu logo a seguir, ao perceber que sua vocação não
era lidar com ciências exatas. Dedicou-se com sucesso ao estudo de
Literatura e Geografia, que realmente o apaixonavam.Não contando
com a ajuda de pessoas importantes, foi vencendo sozinho, em decorrência
de seus esforços e de sua inteligência singular. Mesmo sem recursos,
fez-se repórter da "Gazeta de Notícias",exercendo o cargo com eficiência,
tornando-se amigo e auxiliar do famoso jornalista Ferreira de Araújo. |
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| Em
1888 encontramo-lo na Europa, correspondente internacional da Gazeta
de Notícias. Durante este tempo aprofundou mais os seus estudos de
Literatura e Geografia. Membro integrante do Sindicato da Imprensa
Estrangeira, atuou com brilho durante a célebre Exposição de Paris,
ano 1889. Motivado pelo Barão do Rio Branco, de quem era amigo particular,
trabalhou no Comissariado da Emigração da Europa. |
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Lidou
na Política Exterior Brasileira, consagrando-se ao lado do Barão do
Rio Branco. Diplomata arguto e competente, era sempre lembrado nos
casos mais exigentes da Diplomacia Brasileira. É assim que o
vemos auxiliando o Barão do Rio Branco nas questões do Amapá, Missões
e Acre.
Pertencem-lhe,
na história da Diplomacia do País, as boas relações com o Peru, em
1906, e com a Argentina, pouco depois. Com larga visão política e
grande capacidade, houve-se bem ao substituir Joaquim Nabuco, em Washington. |
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Domício
da Gama é o primeiro em pé, a esquerda.
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Sua
atuação como Embaixador Brasileiro em Londres valeu-lhe as seguintes
observações, feitas por Pandiá Calógeras, em sua obra "Estudos
Históricos e Políticos": "só quem conhece os meios oficiais londrinos
pode apreciar o prestígio que cercava esse diplomata calmo, sisudo,
inimigo da ostentação e atento a quanto interessasse ao Brasil". E
disse ainda mais: "a sua perda é um empobrecimento mental e moral
para o País".
Designado
pelo Presidente Rodrigues Alves, em 1908, para Ministro das Relações
Exteriores, só não exerceu tal designação com maior brilho porque
sua gestão foi tão curta quanto do Presidente. |
Escritor,
pertenceu à Academia Brasileira de Letras, sendo um de seus membros
fundadores, e ocupou a cadeira n° 33, cujo patrono era Raul Pompéia.
Escreveu "Contos a Meia Tinta" (1891 ) e "Histórias Curtas" ( 1901
). Foi ainda Diretor de Publicação do Atlas de Geografia Física e
Política e do Atlas de História Antiga e Moderna. O seu estilo é primoroso,
leve e sutil, prenhe de originalidade, e revela o espírito profundamente
observador do literato. |
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E.
E. Domício da Gama
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Como tantos outros vultos ilustres, faleceu esquecido depois de tão
numerosos serviços, aos 8 de novembro de 1925, na cidade do Rio de
Janeiro. |
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