20/07/2003
E A LUTA CONTINUA!

 

                                   NO TEMPO DO CONSELHEIRO

 

                                                                              José de Souza Soares

 

                                   Dias desses, eu estava em frente a Caixa Econômica, e olhando o busto do Conselheiro Macedo Soares lá no outro lado da praça – rodeado de camelôs e até de uma barraca da Kibon - comecei a pensar: o que realmente estaria o ilustre maricaense achando desta nova Maricá, que não tem nada mais a ver com aquela do seu tempo? Primeiro que onde se encontra o seu busto era até a década de 60 a Estação de Trens; as ruas não tinham calçamento; o meio de transporte era através de tração animal; a lagoa vinha até onde fica hoje o escritório da CERJ, e sem nenhuma poluição; a iluminação pública era na base do lampião a gás; a presença de vendedores ambulantes não havia; e a cidade era mais tranqüila com uma população que não conhecia ainda a violência urbana;

                                   Na verdade, a Maricá de hoje tem um outro visual. Tem os automóveis que substituíram os cavalos, como meio de transporte; a lagoa infelizmente está bastante poluída e encolheu o seu espelho dágua ficando mais distante do centro da cidade; os lampiões a gás deram lugar às luminárias da CERJ; a Estação foi substituída pelo terminal rodoviário; algumas ruas têm calçamento, mas os acidentes aumentaram por falta de um melhor ordenamento no transito; e os camelos estão começando a tomar conta das calçadas. Ai então, cheguei à conclusão de que um dia o Conselheiro sairá daquele pedestal e dará um grito bem forte que acordará todos os maricaenses, como: alô, moçada de Maricá, vamos salvar esta nossa cidade! Ela não merece estar assim tão enxovalhada e precisamos urgentemente savá-la das garras de quem não a ama!!!

                                   E eu que não vivi a era do Conselheiro, mas o Maricá do tempo em que o meu avô era ainda vivo, tenho apenas a dizer que mesmo sem a modernidade de hoje, era bem melhor se viver nesta cidade naquela época. Tudo era mais romântico, os políticos respeitavam mais seus eleitores e a vida era de melhor qualidade.

                                   Porém, brincadeiras à parte, se continuar aqui às coisas como estão, não vai demorar muito tempo para que o Conselheiro, não dê só um grito, mas também um adeus rotundo a àquela praça e ir morar em outro local onde exista mais respeito ao cidadão.