NO
TEMPO DO CONSELHEIRO
José de Souza Soares
Dias desses,
eu estava em frente a Caixa Econômica, e olhando o busto do Conselheiro
Macedo Soares lá no outro lado da praça – rodeado de camelôs
e até de uma barraca da Kibon - comecei a pensar: o que realmente
estaria o ilustre maricaense achando desta nova Maricá, que não
tem nada mais a ver com aquela do seu tempo? Primeiro que onde
se encontra o seu busto era até a década de 60 a Estação de Trens;
as ruas não tinham calçamento; o meio de transporte era através
de tração animal; a lagoa vinha até onde fica hoje o escritório
da CERJ, e sem nenhuma poluição; a iluminação pública era na base
do lampião a gás; a presença de vendedores ambulantes não havia;
e a cidade era mais tranqüila com uma população que não conhecia
ainda a violência urbana;
Na verdade, a Maricá de hoje tem um outro visual. Tem os
automóveis que substituíram os cavalos, como meio de transporte;
a lagoa infelizmente está bastante poluída e encolheu o seu espelho
dágua ficando mais distante do centro da cidade; os lampiões a
gás deram lugar às luminárias da CERJ; a Estação foi substituída
pelo terminal rodoviário; algumas ruas têm calçamento, mas os
acidentes aumentaram por falta de um melhor ordenamento no transito;
e os camelos estão começando a tomar conta das calçadas. Ai então,
cheguei à conclusão de que um dia o Conselheiro sairá daquele
pedestal e dará um grito bem forte que acordará todos os maricaenses,
como: alô, moçada de Maricá, vamos salvar esta nossa cidade! Ela
não merece estar assim tão enxovalhada e precisamos urgentemente
savá-la das garras de quem não a ama!!!
E eu que não vivi a era do Conselheiro, mas o Maricá do
tempo em que o meu avô era ainda vivo, tenho apenas a dizer que
mesmo sem a modernidade de hoje, era bem melhor se viver nesta
cidade naquela época. Tudo era mais romântico, os políticos respeitavam
mais seus eleitores e a vida era de melhor qualidade.
Porém, brincadeiras à parte, se continuar aqui às coisas
como estão, não vai demorar muito tempo para que o Conselheiro,
não dê só um grito, mas também um adeus rotundo a àquela praça
e ir morar em outro local onde exista mais respeito ao cidadão.