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Convidado para
encerrar dois festivais: O II Festival de Arte Negra, de Belo
Horizonte, no próximo dia 23 (fan@pbh.gov.br / (31) 3277-4699) e a mostra
"Da chanchada à feijoada - O cinema negro no Brasil", no Museu da
Imagem e
do Som de São Paulo (www.mis.sp.com.br /ver programação), Délcio
Teobaldo
leva aos dois eventos o projeto "Jongá - Cantos de fé, de trabalho
e de
orgia", onde propõe reflexões sobre os louvores e os saberes dos
cantos e
das danças ligados aos ciclos de plantio, de cultivo e de colheita.
No II FAN, será exibido o curta metragem "Morre Congo, fica Congo"
(DGT
Filmes, São Paulo); lançado o livro "Cantos de fé, de trabalho e
de Orgia -
O Jongo rural de Angra dos Reis" (Editora E-Papers, Rio de Janeiro)
e feita
uma palestra sobre cultura popular e titularização da terra para
as
comunidades remanescentes de quilombos. No MIS paulista, Délcio
Teobaldo
apresenta pela primeira vez o projeto completo, com exibição do
curta,
lançamento do livro e apresentação da "Terreirada" trabalho solo
em que
canta pontos, hosanas, benditos e fulôs, acompanhando-se com o angoma
(tambor banto, escavado em tronco).
Escritor, músico, cineasta, roteirista, produtor, editor e diretor
de TV,
pesquisador de cantos populares brasileiros, Délcio Teobaldo reúne
em "Jongá
- Cantos de fé, de trabalho e de orgia", uma pesquisa de vinte anos
sobre a
cultura dos migrantes.
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O DOCUMENTÁRIO
"Morre Congo,
Fica Congo"
Até os anos 70
o Jongo Rural de Angra dos Reis mantinha a comunhão dos seus
praticantes nos encontros de terreiro. Esses encontros foram desfeitos
a
partir de 1973, durante o governo do General Emílio Garrastazu Médici,
com
as obras da rodovia Rio-Santos; a construção das usinas nucleares
e a
especulação imobiliária, que desfizeram laços sociais, trouxeram
violência e
obrigaram famílias inteiras a migrar de bairros como Mambucaba,
Itaorna,
Frade e Grataú para o Morro do Carmo, no centro de Angra.
Memória da terra, saudades do local de origem, recuperação da auto-estima,
magia. "Morre congo, fica congo" é o registro raro e impressionante
do Jongo
Rural (manifestação oral-ritmica dos remanescentes de quilombos,
com pontos
falados, cantados e acompanhados de palmas e tambor), que é revelado,
no
filme, pelos depoimentos dos seus cinco últimos mestres praticantes:
Carmo
Moraes, na época, com 82 anos de idade; Dona Luisa, 67; Zady Rita,
62;
Rosalvo Bernardo, 57 e Zé Adriano, 78.
Exibido até agora, em salas especiais (Museu da Imagem e do Som;
Centro
Cultural e Artístico Botafogo e Universidade Federal do Rio de Janeiro,
durante a "I Semana de Artecultura", num painel de que participaram
Sílvio
Tendler ("Mariguela"); Lula Buarque de Holanda ("Pierre Verger -
Mensageiro
entre dois mundos"); Fernando Meirelles e Kátia Lund ("Cidade de
Deus") e
Simplício Neto e Márcia Derraik ("Onde a coruja dorme"), o curta
Morre
congo, fica congo foi convidado para exibição no Encontro Latino
Americano
de Culturas, México e na IPCTV, de Tóquio. O documentário está agendado
para
exibição, este mês, nos programas Zoom (TV Cultura, São Paulo) e
Curta
Brasil (TVE, Rio de Janeiro).
Ficha:
Morre congo, fica congo. DGT-Filmes - www.dgtfilmes.com.br (SP), DV, 2001,
cor , legendado inglês. Pesquisa, argumento, roteiro e direção geral
-
Délcio Teobaldo; diretor de fotografia - Toni Nogueira.
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O LIVRO
"Cantos de fé,
de trabalho e de orgia
O Jongo rural de Angra dos Reis"
Como o documentário
o livro "Cantos de fé, de trabalho e de orgia - O Jongo
Rural de Angra dos reis" registra, para que não se perca a memória,
os dez
anos mais cruciais na história do Jongo Rural de Angra dos reis;
que vai de
1973, governo do general Emílio Garrastazu Médici, a 1983. Mas o
livro não
se prende a este período que marca o início da especulação imobiliária
na
Costa Verde, uma das principais responsáveis pela desarticulação
das
culturas de terreiro angrenses.
"Cantos de fé, de trabalho e de orgia" remete, também, a memória
para o
passado mais remoto, reconstruindo, através dos depoimentos, dos
contos e
dos cantos de velhos mestres jongueiros, o ambiente onde os pontos
rurais
eram criados e sagrados nas rodas de Jongo. O livro provoca, ainda,
reflexões sobre a importância e o futuro do Jongo Rural (manifestação
oral-ritmica dos remanescentes de quilombos, com pontos falados,
cantados e
acompanhados de palmas e tambor) para as gerações jongueiras, criadas
ou
nascidas no Morro do Carmo, no centro de Angra dos Reis, para onde
migraram
várias famílias, após perder suas terras.
Apoiada nas informações colhidas no campo para o argumento e roteiro
do
documentário homônimo, a narrativa de "Cantos de fé, de trabalho
e de orgia"
é enriquecida por farto material de pesquisa.
"São fotos e dados que ajudam a traçar um paralelo entre duas realidades,
injustamente, opostas: a história econômica brasileira e a perda
de
identidade das comunidades e culturas ligadas ao universo pastoral-agrícola,
nas três últimas décadas do século passado. Comparando os dados
e refletindo
sobre esses fatos, comuns a todas as comunidades remanescentes de
quilombos,
é possível criar reações para que a história não se repita", acredita
Délcio
Teobaldo.
O livro é o resultado da série de nove palestras, Jongá - Cantos
de fé, de
trabalho e de orgia, pronunciadas no "III Fórum de Arte e Cultura
Brasileira", de março a novembro de 2002. Ilustradas por contos,
cantos,
pontos e toques no tambor banto, essas palestras eram um estudo
comparado
dos fundamentos e contemporaneidade dos Jongos com a cultura universal.
Ficha:
"Cantos de fé, de trabalho e de orgia - O Jongo Rural de Angra dos
Reis" -
63 páginas, R$ 16,00. E-Papers Editora. (21)2273 0138 e 2504-5618.
www.e-papers.com.br)
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A TERREIRADA
A Terreirada (ajuntamento
de gentes pra prosear, cantar e folgar, como se
diz na Zona da Mata mineira) é composta de 30 cantos de louvor,
de demanda e
de folgança, apresentados na sua forma original, cantados à capela,
acompanhados com palmas ou com toques no tambor banto. Terreirada
recupera a
batida matricial dos Jongos, onde as palavras são mais valorizadas
que o
rufar do tambor e a ritmação do canjengo (instrumento idiofônico,
percutido
com dois pedaços de pau). Aliás, a sabedoria ensina que Jongo é
palavra e
ritmo, e que essa ordem não deve ser mudada.
Além da memória dos cantos de calamboteiros, dos terços cantados,
das
hosanas e caxambus de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, onde
o compositor
nasceu e foi criado, ele acrescentou ao repertório, contos e pontos
de
Jongos colhidos no Vale do Paraíba (Valença, Pinheiral), e em outras
comunidades do Estado do Rio de Janeiro, como Miracema, Quissamã
e,
principalmente Angra dos Reis, cidade que serviu de base para o
documentário
"Morre congo, fica congo" e o livro "Cantos de fé, de trabalho e
de orgia".
A Terreirada está dividida em três segmentos: Cantos de FÉ; Cantos
de
TRABALHO e Cantos de ORGIA. Esta divisão permite que o público entenda
como
as culturas de terreiro são estruturadas, segundo um modelo que
ordena os
ciclos de plantio, de colheita e de uso dos frutos da terra.
CANTOS DE FÉ
Pela Fé, segmento composto de 7 pontos ("Bendito louvado seja",
"Ô Maria, ô
Iaiá", "Nego que tá fazendo", "Tambor, tambor", "Já caminhei", "Vim
de
Angola", "Tá lá no céu"), saúdam-se os santos do céu e os da terra.
Seja a
terra de origem, a terra herdada ou o desterro.
CANTOS DE TRABALHO
Os cantos de TRABALHO, num total de 8 ("Vô gunguná", "Sou Rei do
Congo", "Sô
fulano", "Acorda Maria", "Segura o canjenguê", "Dona Maria Mucama",
"Pega a
vassoura", "Cativeiro taí") servem para identificar grupos, fazer
firula à
mulher amada ou entoar lamentosos para exorcizar a memória do trabalho
compulsório.
CANTOS DE ORGIA
No último segmento, o de ORGIA, composto de 15 pontos ("Cheguei
n'angoma",
"Quem bate na boca do tambor", "Jongueiro cumba", "Casa comigo",
"Moça
bonita", "O galo e o pinto", "Quimbaixo moro eu", "Tem tanto pau
no mato",
"No pau que sabiá cantô", "Pau rolou", "Eu tô procurando peixe",
"Banana que
deu", "Dobra sino", "Eu vou-me embora" e "Adeus, adeus"), são louvados
a
folgança, o gozo, o alcance do êxtase e da santidade através do
prazer pleno
dos sentidos.
Nesse universo em que o pecado e o permitido dialogam com toda a
liberdade e
cumplicidade, é que as culturas de terreiro guardam o seu maior
encantamento. É um jogo onde vida e morte (salvação e condenação)
geram
conflitos que nascem e se resolvem no espaço sagrado das rodas.
Como é
próprio de todas as culturas populares que propõem e pacificam as
suas
contradições num espaço cênico único, onde convivem a fé, o trabalho
e a
alegria.
Ficha
Jongá - Cantos de fé, de trabalho e de orgia. délcio teobaldo, percussão
e
vozes; roteiro e direção. Duração, 70 minutos.
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Délcio Teobaldo
Neto da batuqueira angolana Eva Paulina de Jesus; da cirandeira
portuguesa
Angelina Maria dos Santos e do caboclo contador de histórias, Luiz
Sabino
Soares; filho da camponesa e benzedeira, Maria Luzia; do dançador
de caxambu
e caboclinho, José Teobaldo, Délcio nasceu e cresceu em Ponte Nova,
Zona da
Mata mineira, ouvindo ladainhas, congadas, fulôs, cantos de calamboteiros
e
de lavadeiras. A sua carreira profissional tem fundamento nesses
contos,
ritmos e festas; no requinte dos doces e licores portugueses de
Algarve; no
poder dos chás, das benzas e ungüentos da tradição guarani-banta.
É escritor, jornalista, músico (percussões, violão, cantor, letrista,
arranjador), artista plástico, pesquisador de culturas populares,
produtor,
roteirista, editor e diretor de TV.
Palestras musicadas: "A Filosofia das Tradições Afro-Brasileiras",
Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro e Grupo de
Capoeira
Angola Pelourinho (GCAP), Bahia (1998); "Afro-Talk-Vídeo", Museu
da
República, Sala Edson Carneiro, Rio de Janeiro (1999); "Musicalidade
Afro
Brasileira - Do sagrado ao profano", UFF e GCAP (2000); "V Encontro
de
Jongueiros. Angra dos Reis. RJ". Palestra (2000); "Primeiro Fórum
de Debates
sobre Arte e Cultura Popular" - Centro Cultural e Artístico de Botafogo
(2000); "Cultura oral e cultura dos gestos" - "I Semana de Artecultura"
-
Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002)
Criou, coordenou e apresentou: Série de nove palestras musicadas
"Jongá -
Cantos de fé, de trabalho e de orgia", para o "III Fórum de Cultura
Brasileira", do Centro Cultural e Artístico de Botafogo, em parceria
com a
Biblioteca Municipal Machado de Assis, Secretaria das Culturas da
prefeitura
da cidade do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (2001/2002)
Shows: No fuzuê da muvuca - Jam session na Bookmakers e temporada
no Rio
Jazz Club, RJ, 96. "African's", W Ipanema, RJ, 2002. "Terreirada"
- "IV
salão do livro de Minas Gerais", Belo Horizonte, Espaço Circo, 2003.
Expôs (individuais): "Sopapos" (Galeria de Arte UFF, 88, RJ); "Urbanos"
(Casa de Cultura Laura Alvim, 92, RJ).
Escreveu: "Geração Bate-Bute", contos (Copy & Arte Editora,
RJ, 93);
"Telintérprete - O jornalista entre o poder e o público", ensaio
(Litteris,
RJ, 95 www.litteris.com.br ); "Isto é coisa da
idade"; "Palavra puxa prosa"
e "Quatro trancados no quarto" (Miguilim, MG, 95; 2000 e 2003
www.editoramiguilim.com.br ); "A
filosofia das tradições afro-brasileiras",
com Muniz Sodré, Roberto Moura e Pedro Moraes (EdUFF, RJ, 98); "Cantos
de
fé, de trabalho e de orgia - O jongo rural de Angra dos Reis" (E-Papers,
RJ,
2003 www.e-papers.com.br ).
Produziu e dirigiu: "Morre congo, fica congo". Curta-metragem com
os últimos
cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis (DGT Filmes, SP, 2001).
"Na
Pele", videoclipes (Art-Vídeo/Rede Brasil, 2001). Roteirista e editor
do
documentário "Infância Limitada", terceira classificação no "23º
Festival
Anual de Documentários" da BBC de Londres e prêmio de melhor direção,
2002.
Roteirista da minissérie musical "A vida é um show", da TVE.
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