01/12/2003
JUSTIFICATIVA DA MOÇÃO à 12ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE
 
Somos do GHAPHAF Grupo de Apoio aos Portadores do HIV/AIDS e Familiares, organização da sociedade civil, de Maricá, no Estado do Rio de Janeiro, usuários do SUS, particularmente do Programa DST/Aids.
Notamos que nossos amigos, profissionais de atendimento em saúde precisam de um trabalho de sensibilização e informação que os levem a evitar a discriminação dos pacientes que, temporária ou definitivamente, deixam de procurar o atendimento, e que por vezes, só voltam ao ambulatório por ocasião de alguma doença oportunista. Nessas oportunidades, muito comumente, somos recebidos como se houvéssemos perdido nossos direitos de cidadão. Existe, sim, reconhecemos, uma "rebeldia" involuntária fruto da própria condição de paciente. São causas físicas, financeiras, psíquicas e sociais que não são levadas em conta pelos atendentes.
Some-se a isso, a maior punição possível e levada a efeito, que é a exclusão do Cadastro Nacional. Exemplificando algumas dificuldades enfrentadas pela maioria desses pacientes,  que os levam a  abandonar o tratamento, temos :
- a falta de recursos para locomoção, haja vista a suspensão do cadastramento para obtenção de passes livres aos doentes crônicos.
-  impedimentos, tais como, deixar de ganhar sua "diária" ou falta de alguém que fique com as crianças;
- ingestão de verdadeiras "bombas de efeitos colaterais" sem adequada alimentação;
- vida social comprometida pelos mesmos efeitos colaterais (diarréias, vômitos, cefaléias etc.);
- distrofia estética causadora de reflexos na auto-estima e complexos de rejeição;
 
Todos esses fatores, além de inúmeros outros, influem na aceitação ou rejeição do tratamento químico disponível e, infelizmente, temos observado mais e mais pacientes sucumbindo aos efeitos colaterais, que o enfraquecem a ponto de impossibilitar uma  resposta à altura ao tratamento das doenças oportunistas. Tornam-se prioridades :
- Implantação, de fato, de Programas DSTs/Aids, completos ( Psicologia, Assistência Social e Nutrição);
 - Criação de um CARTÃO-ALIMENTAÇÃO, como parte do tratamento;
- Distribuição garantida de medicação natural (afinal, não cabe mais química) que estimule o Sistema Imunológico. O SUS só vem garantindo o controle viral e tratamento de doenças oportunistas, porém os complementos vitamínicos e estimulantes da reprodução de células CD-4 devem ser, obrigatoriamente, distribuídos a todos os inscritos no Cadastro Nacional;
- Disponibilização de opção de tratamento alternativo aos que, temporária ou definitivamente, seja por que razões afastam-se do tratamento químico; .
- Oferecimento, pelo SUS, de terapias e medicações naturais, de eficácia já comprovadas, atendendo desse modo ao “mudo apelo” dos pacientes-rebeldes.
 

Rio de Janeiro, 13 de Novembro de 2003

Rita Torres,
Presidente do GHAPHAF


4ª Conferência Estadual de Saúde do Rio de Janeiro