30/04/2002
Jornal Costa Verde
Editor: Elmo Pedroso
Fone 9714-0980
Abril/Maio de 2003 - Ano XI - Nº 86
SUSPEITA DE ERRO MÉDICO EM MARICÁ
Foto: Elmo Pedroso

      Dia 6 de abril seria o dia mais feliz da vida da secretária Lizandra Rangel dos Santos, 24 anos e do pintor Alexandre Barros dos Santos, de 30, moradores de Inoã, terceiro distrito de Maricá. Isso porque daria a luz a sua primeira filha, Vitória. Deu entrada dia 5 de abril, as 21:30h, no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, sentindo as primeiras dores do parto.
      "Apesar de Lizandra estar gritando de dor, o médico se limitou a dizer que o parto seria realizado durante a madrugada e foi embora, alegando que iria descansar. Reclamamos atendimento, mas ele simplesmente pediu que uma auxiliar de enfermagem examinasse ela", contou Denise Barros, cunhada da secretária.       "Desesperada, minha cunhada repetia que estava com medo de perder a criança", lembrou Denise, que também é auxiliar de enfermagem. "Conheço os procedimentos. Quem deveria ter examinado Lizandra era o médico", reclamou.
      O pré-natal, segundo familiares, foi realizado no próprio hospital com a medica Claudia Rogéria Leite. Foram feitos exames detalhados de ultra-sonografia que não apontaram nenhuma anormalidade.
      De acordo com a cunhada, o médico foi acordado pelos gritos da paciente, no fim da madrugada. Lizandra já estava em trabalho de parto. "Uma enfermeira ainda teve a cara de pau de reclamar que ela estava gritando, pois estava acordando os outros bebes e poderia também interromper o descanso do médico", contou indignada. "Finalmente, quando o médico atendeu minha cunhada, ainda disse de forma grosseira: "Se não está preparada para ter filhos, eu não tenho culpa"', acrescentou Denise.
      Na sala de parto, o médico teria solicitado a presença de dois pediatras na tentativa de reanimar o bebe, no entanto, sem êxito. "Durante o trabalho de sutura em Lizandra, ela perguntou o que havia acontecido e o médico respondeu que havia ocorrido um problema com o bebe. Quando minha c u n h a d a perguntou se a criança estava viva, o médico respondeu com frieza, que não. Duas hiras após o parto ele deu alta para Lizandra afirmando que nem sabia o que havia acontecido, pois estava tudo certo", relatou Denise.
      Lizandra vai denunciar ao Conselho Regional de Medicina (Cremerj) o obstetra Dr. Albertinho, do Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá. Ela acusa o médico de omissão e imperícia, responsabilizando-o pela morte de seu filho durante o parto, realizado. Ainda abalada com a tragédia, ela registrou queixa contra o cirurgião na 82ª DP (Maricá)
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