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EXATO
Um Jornal de Itaipuaçu, Maricá
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| Editor:
Alberto Gentile |
Abril
de 2003
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FONE:
2638-0259
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INADIMPLÊNCIA EM ITAIPUAÇU: OBSERVAÇÕES NECESSÁRIAS
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A Prefeitura tem seguidamente utilizado suas estatísticas
para apontar o alto índice de inadimplência de Itaipuaçu no pagamento
do IPTU. Recentemente, em reunião com líderes da comunidade, Ricardo
Queiroz calculou em 50% a evasão fiscal na região. Pode até ser verdade,
em termos absolutos, mas alguns dados deveriam ser levados em consideração
antes de se acusar de caloteira a população de Itaipuaçu. EXATO os
aponta, a seguir.
Por suas características, boa parte dos terrenos –
principalmente no Jardim Atlântico, na área alagável – foi comprada
há décadas, a preço de banana, e muitos compradores não se deram ao
trabalho de regularizar seus títulos em cartório. Alguns até já se
esqueceram de que os compraram ou, quando faleceram, estes não foram
incluídos em seus espólios ou testamentos.
O sistema de arrecadação da prefeitura considera erroneamente
os valores relativos a estes terrenos na sua previsão orçamentária,
sem levar em consideração que historicamente eles nunca geraram receita.
Um erro que só poderá ser corrigido com o cadastramento no registro
de imóveis, o levantamento dos débitos, a cobrança de IPTU progressivo
e a inclusão na dívida ativa para hasta pública. Aliás, há algum tempo
a prefeitura comemorou uma parceria com o Tribuna de Justiça do Estado
para agilizar a dívida ativa do município sem que os resultados fossem
visíveis até agora.
Temos ainda um outro complicador, conseqüência de uma
prática politiqueira e clientelista, muito utilizada pela prefeitura:
a anistia fiscal. Muitos proprietários de grandes áreas simplesmente
não pagam os impostos devidos, aguardando a valorização e posterior
venda de seus terrenos para transferir o ônus fiscal para os compradores
ou embuti-lo no preço. De tempos em tempos, faziam-se acertos convenientes,
negociando-se o alto valor acumulado com os órgãos arrecadadores da
prefeitura, em troca de generosos descontos para um lado e belos presentes
para o outro. É possível que a recente Lei de Responsabilidade Fiscal
tenha limitado a possibilidade de tais acordos, mas, ao aceitar as
regras este jogo, a prefeitura premiou e incentivou a inadimplência
de que se queixa, reproduzindo-a indefinidamente. Mesmo que esteja
disposta a corrigir esta distorção administrativa, vai demandar tempo
mudar a cultura do jeitinho fiscal.
O movimento contra o pagamento do IPTU de 1998, incentivado
por políticos irresponsáveis (muitos dos quais hoje estão no governo)
que prometeram revisões e anistias causou uma inadimplência por parte
dos que neles acreditaram, que agora está sendo cobrada, e com juros.
Já não deve ser um volume muito alto, mas a cobrança destes atrasados
poderia merecer um estudo político e não financeiro, como prometeu
o candidato Ricardo Queiroz quando em campanha. Este ano, em que pese
o arrocho salarial que acomete o povo brasileiro há quase uma década,
a prefeitura promoveu uma majoração dos valores venais sobre os quais
incide o tributo, provocando outro grande aumento no IPTU. Sem dúvida
poucos contribuintes tiveram condições financeiras de buscar o desconto
(que não foi nenhuma maravilha) e estão recorrendo ao parcelamento,
quando não esperando uma melhoria de condições para ficar em dia.
Esta é a realidade dos fatos. Embora a grana ande curta,
a esmagadora maioria dos moradores em Itaipuaçu se esforça por ter
em dia seus compromissos. Neste segmento – o dos cidadãos comuns
– a inadimplência não seria significativa, mas residual. Não
há porque penaliza-lo com o abandono e a incúria administrativa. |
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