27/05/2003
Jongá

Cantos de fé, de trabalho e de orgia
Acompanhando-se com um tambor banto, ao lado do coro feminino Jongados da Vida, grupo egresso do Jongo da Serrinha, o compositor, cantor e pesquisador Délcio Teobaldo faz o pré-lançamento (segunda-feira, 30 de junho, 10 horas, Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa - Avenida Passos, 13, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro), do projeto Jongá – Cantos de fé, de trabalho e de orgia.
Projeto multimídia composto do documentário "Morre congo, fica congo", um livro homônimo e uma terreirada (ajuntamento de gentes pra prosear e cantar), muito comum em Minas Gerais, Jongá tem como base a cultura oral-ritmica do Sudeste brasileiro, especialmente da Zona da Mata mineira; norte, noroeste e sul fluminense: são cantos de louvor, de demanda e de folgança; benditos, hosanas, jongos e fulôs, resultado de 15 anos de pesquisas do artista.
ALIÁS
A escolha da Igreja da Lampadosa para o lançamento do projeto não é gratuita. Antes do culto à santa chegar ao Brasil, em 1740, a Virgem, conhecida como padroeira dos escravos, era venerada na ilha de Lampedusa, no Mar Mediterrâneo, entre a Sicília e o norte da África.
Até a construção da sede própria, que só foi entregue aos devotos no dia 31 de agosto de 1772, a Irmandade da Lampadosa ou Alampadosa, como diziam, ficou sediada na Igreja do Rosário e São Benedito, no mesmo endereço da Avenida Passos, antiga Rua do Erário. Para manter a igreja, a Irmandade, composta, basicamente, de negros-minas, percorria as ruas do centro recolhendo esmolas, cantando e dançando ao som de tambores e de "complicados instrumentos bárbaros", como os cronistas registraram na época.
ATÉ HOJE
As segundas-feiras na Lampadosa são dedicadas ao Culto das Almas. É quando os devotos visitam o Cruzeiro, uma grande cruz de ferro nos fundos da igreja, sob os pés da qual estão depositados ossos dos escravos que trabalharam na construção do templo. Também foi na Igreja da Lampadosa que, no dia 6 de outubro de 1811 foram coroados os "Reis" Caetano Lopes dos Santos e Maria Joaquina, da nação Cabundá. A coroação desses reis, um dos últimos de que se tem notícia, foi um evento de resistiu ao tempo e continua preservado pela cultura oral fluminense. Como nesse ponto de afirmação colhido em Angra dos Reis, em 1997:
"Morre o Rei do Congo
E a Rainha Cabundá
Morre congo, fica congo
Tem Congo no Lugar"
Foi este ponto que deu origem e nome ao documentário e ao livro, ligando-os à história da Igreja da Lampadosa.
POIS É
Após as honrarias aos "Reis", os "súditos" saíam cantando e dançando pelo Campo dos Ciganos (Praça Tiradentes) e se dispersavam na Rua do Piolho (atual Carioca), um percurso histórico que Teobaldo e o Jongados da Vida vão refazer no pré-lançamento do projeto.
Agenda
Junho
Igreja da Lampadosa (pré-lançamento)
Pátio externo da Igreja. Dia 30 de junho, segunda-feira, 10 horas da manhã.
Terreirada para lembrar a coroação do Rei Caetano Lopes dos Santos e da Rainha Maria Joaquina, da nação Cabundá, que ocorreu nessa Igreja, no dia 6 de outubro de 1811.
Julho
Exibição nacional do documentário "Morre congo, fica congo" na TV Cultura (ZOOM) e na TVE (Curta Brasil)
Sala Multimídia, Museu da República (Terreirada com o lançamento do livro e exibição do documentário)
ENTRADA FRANCA
Rua do Catete, 153 (dia 4, sexta-feira, 19 horas) rdosamba@ig.com.br
Artistas & Arteiros
Avenida Roberto Silveira, 2035, Flamengo, Maricá – RJ moira@marica.com.br
Sábado, dia 12, às 20 horas. Exibição do curta-metragem Morre congo, fica congo, Terreirada e lançamento do livro "Morre congo, fica congo – O Jongo Rural de Angra dos reis" (Editora E-Papers)
Domingo, dia 13, a partir das 15 horas, contação de histórias e lançamento do livro "Quatro trancados no quarto" (Editora Miguilim)
Casa de Cultura Universidade Estácio de Sá (dia 20)
Av. Érico Veríssimo, 359 – Barra da Tijuca mmaya@estacio.br
Rede Sesc/Rio de Janeiro (dia 25, sexta-feira)
Rua Dom Adriano Hipólito, 10, Nova Iguaçu
Tel: (21) 2667-2993 novaiguacu.radio@sescrj.com.br
Rede Sesc/Rio de Janeiro (dia 25, sexta-feira)
Rua Dom Adriano Hipólito, 10, Nova Iguaçu
Tel: (21) 2667-2993 delfimcomunicacao@zipmail.com.br ; novaiguacu.radio@sescrj.com.br
Agosto
IV Feira do Livro de Belo Horizonte (15 e 16 de agosto, às 15 horas). Neste evento, além de "Morre congo, fica congo", Délcio Teobaldo autografa os livros infanto-juvenis "Palavra puxa prosa" (já lançado, em 2000 na Letras & Expressões e no projeto Paixão de Ler, no Rio de Janeiro) e o inédito "Quatro trancados no quarto", Editora Miguilim miguilim@editoramiguilim.com.br
Esses livros têm, também, a cultura oral como tema.
Angra dos Reis (SEPE)
Rua Professor Lima, 150 – Centro
"Terreirada" com os jongueiros angrenses de Mambucaba, Bracuhy e Morro do Carmo
Snac Pinheiros/São Paulo
Semana de Cultura Popular.
Rede Sesc/RJ
Setembro
Quilombo Candongueiro/Niterói
Cine Teatro UFF (Niterói)
Rede Sesc/RJ
Outubro
Faculdade de Antropologia de New Orleans (EUA)
Rede Sesc/RJ
Novembro
Segundo Salão Nacional Audiovisual Zumbi dos Palmares/Rio de Janeiro
Teatro Francisco Nunes/Belo Horizonte
Museu da Imagem e do Som/Rio de Janeiro e São Paulo
Rede Sesc/RJ


MORRE CONGO, FICA CONGO
O documentário
Até os anos 70 o Jongo Rural de Angra dos Reis mantinha a comunhão dos seus praticantes nos encontros de terreiro. Esses encontros foram desfeitos a partir de 1973, durante o governo do General Emílio Garrastazu Médici, com as obras da rodovia Rio-Santos; a construção das usinas nucleares e a especulação imobiliária, que desfizeram laços sociais, trouxeram violência e obrigaram famílias inteiras a migrar de bairros como Mambucaba, Itaorna, Frade e Grataú para o Morro do Carmo, no centro de Angra.
Memória da terra, saudades do local de origem, recuperação da auto-estima, magia. "Morre congo, fica congo" é o registro raro e impressionante do Jongo Rural (manifestação oral-ritmica dos remanescentes de quilombos, com pontos falados, cantados e acompanhados de palmas e tambor), que é revelado, no filme, pelos depoimentos dos seus cinco últimos mestres praticantes: Carmo Moraes, na época, com 82 anos de idade; Dona Luisa, 67; Zady Rita, 62; Rosalvo Bernardo, 57 e Zé Adriano, 78.
Exibido até agora, em salas especiais (Museu da Imagem e do Som; Centro Cultural e Artístico Botafogo e Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante a "I Semana de Artecultura", num painel de que participaram Sílvio Tendler ("Mariguela"); Lula Buarque de Holanda ("Pierre Verger – Mensageiro entre dois mundos"); Fernando Meirelles e Kátia Lund ("Cidade de Deus") e Simplício Neto e Márcia Derraik ("Onde a coruja dorme"), o curta Morre congo, fica congo foi convidado para exibição no Encontro Latino Americano de Culturas, México e na IPCTV, de Tóquio.
Ficha:
Morre congo, fica congo. DGT-Filmes – dgt@dgtfilmes.com.br (SP), DV, 2001, cor , legendado inglês. Pesquisa, argumento, roteiro e direção geral - Délcio Teobaldo; diretor de fotografia - Toni Nogueira (Fotógrafo de publicidade – Estúdio Giró SP (1966 a 1969); Diretor de fotografia: "Mata e Silva" – Curta metragem, 16mm cores, direção Rogério Sganzerla (1976); Bandalheira Infernal – Longa metragem, 35mm preto e branco, direção de José Sette (1976); "Casa das Minas" – Curta metragem, 16mm cores, direção de Nunes Pereira (1977); "Madrepérola" – Longa metragem, 16mm cores, direção de Sérgio Bernardes (1977); "Musica para Siempre" – Longa metragem 16mm cores, direção Guará Rodrigues, Neville de Almeida e Dudi Guper (1978); assistente de Câmera: "Abismo" – Longa metragem, 35mm cores, direção de Rogério Sganzerla (1976); "Samba da Criação do Mundo" – Longa metragem, 35mm cores, direção de fotografia Dib Luft, filme de Vera Figueiredo (1978); "O Pinto Sura" – Curta metragem, 16mm cores, direção de Marcos Ribas (1978); still: "Crazy Love" – Longa metragem, preto e branco, direção de Julio Bressane (1973 - Londres); "Night Cats" – Longa metragem, preto e branco, direção de Neville de Almeida (1973 - Londres). Produção independente de documentários para TV: "Nos Confins da Terra" (Uzbequistão/Quirguistão - 2000); "Sons dos Ventos" (Equador - 2000); "Cantos da Terra", série de documentários filmados na Índia, Malásia, Cingapura,Tailândia, Cambodja, Cuba, México e Japão (2002/2003). É diretor da DGT Filmes.


MORRE CONGO, FICA CONGO
O livro
Como o documentário homônimo, o livro "Morre congo, fica congo" registra, para que não se perca a memória, os dez anos mais cruciais na história do Jongo Rural de Angra dos reis; que vai de 1973, governo do general Emílio Garrastazu Médici, a 1983. Mas o livro não se prende a este período que marca o início da especulação imobiliária na Costa Verde, uma das principais responsáveis pela desarticulação das culturas de terreiro angrenses.
"Morre congo, fica congo" remete, também, a memória para o passado mais remoto, reconstruindo, através dos depoimentos, dos contos e dos cantos de velhos mestres jongueiros, o ambiente onde os pontos rurais eram criados e sagrados nas rodas de Jongo. O livro provoca, ainda, reflexões sobre a importância e o futuro do Jongo Rural (manifestação oral-ritmica dos remanescentes de quilombos, com pontos falados, cantados e acompanhados de palmas e tambor) para as gerações jongueiras, criadas ou nascidas no Morro do Carmo, no centro de Angra dos Reis, para onde migraram várias famílias, após perder suas terras.
Apoiada nas informações colhidas no campo para o argumento e roteiro do documentário homônimo, a narrativa de "Morre congo, fica congo" é enriquecida por farto material de pesquisa.
"São fotos e dados que ajudam a traçar um paralelo entre duas realidades, injustamente, opostas: a história econômica brasileira e a perda de identidade das comunidades e culturas ligadas ao universo pastoral-agrícola, nas três últimas décadas do século passado. Comparando os dados e refletindo sobre esses fatos, comuns a todas as comunidades remanescentes de quilombos, é possível criar reações para que a história não se repita", acredita Délcio Teobaldo.
O livro é o resultado da série de nove palestras, Jongá – Cantos de fé, de trabalho e de orgia, pronunciadas no "III Fórum de Arte e Cultura Brasileira", de março a novembro de 2002. Ilustradas por contos, cantos, pontos e toques no tambor banto, essas palestras eram um estudo comparado dos fundamentos e contemporaneidade dos Jongos com a cultura universal.
Ficha:
"Morre congo, fica congo – O Jongo Rural de Angra dos Reis" - 63 páginas, R$ 20,00. E-Papers Editora. (21)2273 0138 e 2504-5618. Editor@e-papers.com.br


JONGÁ – CANTOS DE FÉ, DE TRABALHO E DE ORGIA
A TERREIRADA
Jongá – cantos de fé, de trabalho e de orgia é composto de 29 cantos de louvor, de demanda e de folgança, apresentados na sua forma original, cantados à capela, acompanhados com palmas ou com toques no tambor banto. Jongá recupera a batida matricial dos Jongos, onde as palavras são mais valorizadas que o rufar do tambor e a ritmação do canjengo. Aliás, a sabedoria ensina que Jongo é palavra e ritmo, e que essa ordem não deve ser mudada.
Além da memória dos cantos de calamboteiros, dos terços cantados, das hosanas e caxambus de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, onde o compositor nasceu e foi criado, ele acrescentou ao repertório, contos e pontos de Jongos colhidos no Vale do Paraíba (Valença, Pinheiral), e em outras comunidades do Estado do Rio de Janeiro, como Miracema, Quissamã e, principalmente Angra dos Reis, cidade que serviu de base para o documentário "Morre congo, fica congo" e o livro homônimo.
Jongá – cantos de fé, de trabalho e de orgia está dividido em três segmentos: Cantos de FÉ; Cantos de TRABALHO e Cantos de ORGIA. Esta divisão permite que o público entenda como as culturas de terreiro são estruturadas, segundo um modelo que ordena os ciclos de plantio, de colheita e de uso dos frutos da terra.
Pela Fé, segmento composto de 7 pontos ("Bendito louvado seja", "Ô Maria, ô Iaiá", "Nego que tá fazendo", "Tambor, tambor", "Já caminhei", "Vim de Angola" e "Tá lá no céu"), saúdam-se os santos do céu e os da terra. Seja a terra de origem, a terra herdada ou o desterro.
Os cantos de TRABALHO, num total de 9 ("Vô gunguná, gente", "Sou Rei do Congo", "Jongueiro cumba", "Pega a vassoura", "Sô fulano", "Água com areia", "Acorda Maria", "Segura o canjenguê" e "Dona maria Mucama") servem para identificar grupos, fazer firula à mulher amada ou entoar lamentosos para exorcizar a memória do trabalho compulsório.
No último segmento, o de ORGIA, composto de 13 pontos ("Cheguei n’angoma", "Quem bate na boca do tambor", "Casa comigo", "Moça bonita", "O galo e o pinto", "Quimbaixo moro eu", "Pau rolou", "Eu tô procurando peixe", "Banana que deu", "Dobra sino", "Cativeiro taí", "Eu vou-me embora" e "Adeus, adeus"), são louvados a folgança, o gozo, o alcance do êxtase e da santidade através do prazer pleno dos sentidos.
Nesse universo em que o pecado e o permitido dialogam com toda a liberdade e cumplicidade, é que as culturas de terreiro guardam o seu maior encantamento. É um jogo onde vida e morte (salvação e condenação) geram conflitos que nascem e se resolvem no espaço sagrado das rodas. Como é próprio de todas as culturas populares que propõem e pacificam as suas contradições num espaço cênico único, onde convivem a fé, o trabalho e a alegria.
Ficha
Jongá – Cantos de fé, de trabalho e de orgia. Délcio Teobaldo, percussão e vozes; roteiro e direção. Participação especial de cinco vozes femininas do "Jongados da vida", grupo egresso do Jongo da Serrinha. Delfim Moreira, produção e apoio à pesquisa. Duração, 70 minutos.


 
Délcio Teobaldo
É compositor (letrista, músico e arranjador), pesquisador dos cantos de fé, de trabalho e de orgia – terços cantados, novenas, hosanas, cantigas de calamboteiros, cantos de lavadeiras, Jongos, fulôs - e de outras manifestações oral-rítmicas do Sudeste Brasileiro.
Shows: No fuzuê da muvuca – Jam session na Bookmakers e temporada no Rio Jazz Club, RJ/1996. Convidado do "The Jazz Maintennance Festival", Trois-Rivière, Canadá (1997); "African’s", W/Ipanema, Rio de Janeiro/2002.
Palestras/shows: "A Filosofia das Tradições Afro-Brasileiras", Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro e Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), Bahia (1998); "Afro-Talk-Vídeo", Museu da República, Sala Edson Carneiro, Rio de Janeiro (1999); "Musicalidade Afro Brasileira - Do sagrado ao profano", UFF e GCAP (2000); "V Encontro de Jongueiros. Angra dos Reis. RJ"; "Primeiro Fórum de Debates sobre Arte e Cultura Popular" - Centro Cultural e Artístico de Botafogo (2000); Jongá – Cantos de fé, de trabalho e de orgia" (IV Fórum de Cultura Brasileira - Centro Cultural e Artístico de Botafogo, prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2001/2002); "Cultura oral e cultura dos gestos", Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002)
Escreveu: "Geração Bate-Bute", contos (Copy & Arte Editora, Rio de Janeiro, 93); "Telintérprete – O jornalista entre o poder e o público", ensaio (Litteris, RJ, 95); "Isto é coisa da idade" (Editora Miguilim, Belo Horizonte, 95; livro indicado pela Fundação Nacional do Livro para a Feira do Livro de Bolonha, Itália/99 e pela Câmara do Livro para a Feira do Livro de Guadalajara, México/99); "A filosofia das tradições afro-brasileiras", com Muniz Sodré, Roberto Moura e Pedro Moraes (EdUFF, 1998, RJ); "Palavra puxa prosa" (Editora Miguilim, 2000); "Quatro trancados no quarto" (Miguilim, 2003).
Produziu e dirigiu: "Morre congo, fica congo". Curta-metragem com os últimos cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis (2001).
"Na Pele", curtas videoclipados exibidos na TVE-Rede Brasil do Rio de Janeiro/2001.
Roteirista e editor do documentário "Infância Limitada", terceira classificação na BBC de Londres e prêmio de melhor direção (Pedro Paulo Carneiro)/2002; primeiro classificado (júri popular) do Prêmio Ayrton Senna/2002.
Roteirista da minissérie musical "A vida é um show", da TVE vshow@tvebrasil.com.br
É autor do musical "Chico Preto – O negro na obra de Chico Buarque de Hollanda". Estrelado por Zezé Motta, Iléa Ferraz (Hamlet Negro, de Antônio Abujamra) e Alexandre Henderson (Orfeu, de Cacá Diegues), o musical, com estréia prevista para junho do ano que vem, é uma homenagem aos 60 anos de idade e 40 de carreira do compositor.
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