Hoje faço das palavras do morador de Itaipuaçu Ermes
Lucas, minhas palavras. Enviou-nos dois artigos , um falando
sobre inadimplência e IPTU e outro sobre quebra molas.A
verdade é que hoje Itaipuaçu mudou, os caiçaras de outrora
estão dando lugar a pessoas cultas e com uma ótica bem voltada
para os seus direitos de cidadãos. Os artigos do Sr. Lucas
são dígnos de ampla divulgação pela maneira objetiva com
que enfoca os problemas.
INADIMPLÊNCIA E
IPTU
Tenho visto nos últimos números dos jornais locais, matérias
sobre a inadimplência do IPTU em nosso bairro que, infelizmente,
ficaram bastante incompletas. Os jornais engolem o sofisma
martelado pelos políticos incompetentes que têm tomado conta
do poder em nossa cidade ao veicular a idéia de que a única
fonte de recursos da prefeitura é o malfadado imposto. Tais
políticos insistem em vender a idéia de que não fazem nada
pelo município porque grande parte dos cidadãos (inclusive
eu) não paga o IPTU. Ora bolas! E o ICMS, que é arrecadado
pelo Estado e em parte repassado para os Municípios? Só
nas contas telefônicas pagamos 30% de ICMS. Já perceberam
o incremento de renda de Marica só com os novos telefones
instalados nos últimos 3 anos aqui em Itaipuaçu? E o ICMS
das contas de luz que é altíssimo? Já imaginaram a renda
que geraram os novos milhares de residências construídas
aqui nos últimos anos? E o comércio? Todos que moram aqui
há algum tempo (como eu há 8 anos) sabe como cresceu o comércio
em nosso bairro. Isso é renda para o município.
Outro imposto que gera renda para o município é o IPVA.
Metade do imposto que pagamos anualmente pelos nossos carros
é do município onde ele é emplacado. E o FPM? Fundo de Participação
dos Municípios, arrecadado pelo Governo Federal através
de inúmeros impostos (Renda, IOF, IPI, etc) e repassado,
em parte, aos Municípios.
Por fim, o Município tem ainda as taxas de serviços municipais,
sendo a mais importante delas a taxa para construção de
novos imóveis. Quantos novos milhares de imóveis foram construídos
em Marica nos últimos anos? Só em Itaipuaçu, que é onde
vivemos, a especulação imobiliária já está causando preocupação
em todos que amam o lugar e fazem questão de um mínimo de
qualidade de vida.
E o que tem feito a Prefeitura de Marica com todos esses
recursos que recebe? Em Itaipuaçu posso afirmar que ABSOLUTAMENTE
NADA.
Não calça ruas, não ensaibra ruas, não ilumina ruas, não
constrói acostamento e calçadas na Estrada de Itaipuaçu
para retirar os pedestres da via, não costrói rede de água,
não constrói rede de esgoto... não faz NADA. ABSOLUTAMENTE
NADA. E ainda quer o IPTU. O único imposto que lhe cabe
arrecadar o Prefeito não consegue. Receber dinheiro mole
e sem esforço, como recebe do Estado e da União é fácil,
mas quando tem que mostrar competência e legitimidade para
conquistar o contribuinte, ele falha. O Prefeito tem que
mostrar serviço primeiro com o dinheiro que já recebe. O
contribuinte tem que ver resultados, tem que ver para onde
e para quem vai o seu dinheiro. Pagar pelo quê? Por nada
Se quiser sair de casa em dia de chuva eu tenho que comprar
saibro com meu dinheiro para espalhar na rua. Se quiser
acabar com os buracos que arrebentam com o meu carro, eu
tenho que pagar a máquina com meu dinheiro para ela passar
na minha rua, já que a máquina da Prefeitura só passa na
rua onde passa o ônibus.
Cadê a legitimidade do Prefeito? Eu quero pagar IPTU. Só
não tenho para quem pagar. Para esse sujeito aí? Que até
hoje não disse para que veio? Que, ao invés de trabalhar,
fica botando a culpa da própria incompetência nos outros
e fazendo ameaças?
Assim não dá!
Espero que esses jornais - em cujos conselhos editoriais
tem pessoas que admiro - não comprem as idéias de políticos
incompetentes e desonestos e mostrem sempre todos os lados
das questões que afetam o nosso querido bairro. Só assim
melhoraremos o nível de consciência de todos. Ermes Lucas
QUEBRA MOLAS QUEBRA MOLAS
Hoje ao passar em frente dos novos quebra-molas de Itaipuaçu
cheguei à conclusão que o esculacho está definitivamente
estabelecido em nosso bairro. Em frente ao novo quebra-molas
do Barroco o proprietário do imóvel construiu uma mureta,
no que deveria ser calçada e acostamento, que obriga aos
velhos, os que estão com carrinhos de compras, carrinhos
de bebê e cadeira de rodas a passar pela via arriscando
suas vidas e atrapalhando o trânsito.
No novo quebra-molas em frente à nova escola próxima à ponte,
estava um carro da Secretaria Municipal de Trânsito pintando
faixas de sinalização, após dois dias de construção dos
trambolhos e referendando, assim, o descalabro. A dona da
escola estava na porta, com as mãos nas cadeiras, gritando
para quem passasse, em alto e bom tom, que quem não estivesse
gostando que fosse reclamar na Prefeitura. Plenamente consciente
de que tem costas quentes.
Eu me pergunto que tipo de aluno será formado por essa escola.
Será a nova geração de admiradores de quebra- molas, da
força-bruta como solução para tudo, de que lei é feita para
otários obedecerem, de que o espaço público é para ser utilizado
por quem pode mais, de que a administração pública é para
ser usada por poucos. Tal pedagoga - se é pedagoga - não
conhece a Lei de Trânsito que disciplina a construção do
tranbolho chamado quebra- molas. E, se conhece, já está
acostumada a ficar por cima da lei, além do bem e do mal,
porque sabe, arrogantemente, que não adianta reclamar na
Prefeitura - como ela mandou a quem reclamou - porque aquele
órgão está aqui em benefício de poucos. Poucos esses em
que deve estar incluso o ex-vereador e ex-candidato a vice-
prefeito de Marica que eu vi ontem à noite postado em frente
a essa escola, com um sorriso de orelha à orelha, contente
com sua nova realização: o mais novo novo instrumento de
infernização dos moradores de Itaipuaçu.
O monumento à ausência do poder público.
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