A guerra
começa. O presidente norte-americano George W. Bush -sem representar
a unanimidade da opinião pública de seu país- oferta, com seu
radicalismo, um período de incertezas e privações para todos os
países do mundo.
Se os
ataques do radicalismo islâmico destruíram as torres do World
Trade Center, o radicalismo anglo-saxão, iniciado nesta quarta-feira,
vai destruir, simbolicamente, na mesma Nova York, a torre do edifício
das Nações Unidas.
A queda
de Saddam Hussein pela violência suprema vale a destruição da
ONU? Vale o desprezo pela Europa Continental e pela China? Vale
ignorar arrogantemente os apelos da consciência universal? Quando
cessarem os raides dos B-52 e B2 sobre Bagdá, estaremos vivendo
em um mundo mais seguro? Que democracia é essa que um outro fanatismo
pretende ensinar aos iraquianos?
Saddam
Hussein é um criminoso. Contra ele formava-se um cordão de isolamento.
Lideranças acreditavam em saída indolor para a crise iraquiana.
Mas, agora, o mundo está mergulhando em uma aventura bélica inglória
e sem chance de se haver vencedores. Já estamos todos perdendo,
mas os maiores perdedores serão os próprios Estados Unidos.
Perdedores
por prorrogar internamente a paranóia de atentados, perdedores
por criar um amplo ressentimento mundial, perdedores por eventuais
respostas européias e chinesas, e perdedores por quebrar a frágil
aliança das Nações Unidas -um dos últimos refúgios da pequena
esperança que restava em um mundo melhor, um mundo melhor inclusive
para os americanos