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Repassando
matéria para mostrar, corroborar e justificar a indignação com as entidades reguladoras e fiscalizadoras
do meio ambiente, responsáveis pela preservação e conservação da mata
atlântica ainda existente na cidade de Niterói, que nada fazem para conter
a expansão dos condomínios de luxo e das favelas sobre as florestas do município,
haja vista os últimos crimes ambientais ocorridos após aprovação
de loteamentos em Itaipu (Cond. Praias Oceânicas) e Pendotiba (Sítio Santo
Antônio).
RAUL
FERNANDO PORTUGAL
cel: 9922.9406
> Ameaçada, a floresta tenta sobreviver após 500 anos de devastação
> Quinhentos anos de desmatamentos sumários para abrir lavouras,
pastagens,
> explorar madeira ou erguer cidades acabaram por ameaçar drasticamente
uma
> das maiores biodiversidades do planeta: a Mata Atlântica. Antes
um
> gigantesco tapete verdejante que ocupava 1,29 milhão de quilômetros
> quadrados ao longo de 17 Estados brasileiros, vizinha ao oceano
Atlântico,
> hoje seus remanescentes somados são calculados em meros 7,3%
em todo o
> País. Apesar das rigorosas leis de proteção implantadas na
segunda metade
> do século 20, o risco de extinção permanece: ainda há muito
o que fazer
> para conter a atividade irregular dos madeireiros, o avanço
mal planejado
> dos meios urbanos e o tráfico de espécies animais e vegetais.
Considerada
> por entidades internacionais como um dos biomas prioritários
para execução
> de políticas de conservação, a Mata Atlântica, que já cobriu
quase todo o
> território catarinense, hoje ocupa apenas 17,4% do Estado.
Mas, segundo
> levantamentos recentes, dá sinais incontestáveis de que tem,
sim,
> capacidade de se recuperar.
> Ecossistema
> Mata Atlântica está
> ameaçada de extinção
> Florianópolis - Reduzida a 7,3% de seu território original
(que era de
> 1,29 milhão de quilômetros quadrados, ou 12% do território
nacional), a
> Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados de extinção
do mundo.
> Hoje, restam 94 mil quilômetros quadrados de sua cobertura
original. Mas
> esses 7,3% de áreas remanescentes - e muito fragmentadas -
não estão
> distribuídos uniformemente para todos os conjuntos florestais
que compõem
> o bioma. Vários deles estão mal conservados, quase extintos,
ou ainda
> sub-representados nas unidades de conservação.
> Mesmo com a devastação acentuada, a Mata Atlântica ainda abriga
uma
> parcela significativa da diversidade biológica brasileira.
O total de
> mamíferos, aves, répteis e anfíbios que ali ocorrem alcança
1.361
> espécies, sendo 567 endêmicas (que só ocorrem ali), representando
2% de
> todas as espécies do planeta. Mas mesmo com a grande biodiversidade,
171
> espécies da Mata Atlântica estão na lista oficial das 202 ameaçadas
de
> extinção no Brasil. A Mata Atlântica ainda possui 20 mil espécies
de
> plantas - das quais 8 mil são endêmicas - e se constitui no
segundo maior
> bloco de floresta tropical do País. Levantamento realizado
em 1996 na
> Estação Biológica de Santa Lúcia, no Espírito Santo, mostrou
que, em
> apenas um hectare de Mata Atlântica, foram encontradas 476
espécies de
> árvores. É a maior diversidade arbórea do mundo, superando
todos os
> números conhecidos da Amazônia.
> Além da importância biológica, esse conjunto de ecossistemas
é fundamental
> à manutenção do equilíbrio sócio-ambiental. Para cerca de 70%
da população
> brasileira (mais de 100 milhões de pessoas) que vive em seu
domínio, ela
> regula o fluxo dos mananciais hídricos (nela nascem ou passam
diversos
> rios importantes, entre eles o Paraná, Tietê, São Francisco,
Paranapanema,
> Itajaí-Açu e Cubatão), assegura a fertilidade do solo, controla
o clima e
> protege escarpas e encostas das serras, além de preservar um
grande
> patrimônio histórico e cultural. Recentemente foi considerada,
a partir de
> estudos realizados por agências de fomento e grupos de especialistas,
uma
> das grandes prioridades para a conservação de biodiversidade
nas Américas.
> (FL)
> Formações florestais são
> encontradas em
> 17 Estados brasileiros
> A área de domínio do bioma Mata Atlântica compreende um conjunto
de
> formações florestais que abrangem total ou parcialmente 17
Estados
> brasileiros situados ao longo da costa atlântica, do Rio Grande
do Norte
> ao Rio Grande do Sul, além dos Estados de Goiás e Mato Grosso
do Sul. A
> floresta ombrófila mista, onde predomina o pinheiro-brasileiro,
é a
> formação mais ameaçada da Mata Atlâtica, com apenas 3% de remanescentes
da
> estrutura original.
> De acordo com o último levantamento publicado pela Fundação
SOS Mata
> Atlântica em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA)
e o Instituto
> Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento,
feito em nove
> Estados, o Rio de Janeiro foi o que mais perdeu essa cobertura
florestal.
> Em números absolutos, o Estado teve sua área florestal reduzida
em mais de
> 140 mil hectares, representando uma perda de 13% com relação
ao
> levantamento anterior (entre 1985 e 1990). O segundo Estado
que mais
> devastou foi Minas Gerais, que perdeu 88.951 mil dos hectares
existentes
> em 1990, restando hoje 7,32% da estrutura original. Os nove
Estados
> estudados também destruíram outros 14.392 hectares de manguezais
e
> restingas, ecossistemas associados à Mata Atlântica.
> Os Estados do Nordeste não foram mapeados mas nessa região,
segundo a
> entidade, a situação não é melhor. No Sul da Bahia, por exemplo,
> concentra-se um dos maiores focos de desmatamento da atualidade.
O
> Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) interveio através
da aprovação
> da resolução 240, suspendendo todos os planos de manejo aprovados
pelo
> Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
> (Ibama) para madeireiros da região. (FL)
> Desmatamento reflete falta de
> controle dos órgãos ambientais
> Os 7,3% restantes da estrutura original da Mata Atlântica refletem
o
> desmatamento - e a conseqüente perda de hábitat - ainda acelerado
e fora
> do controle dos órgãos ambientais públicos responsáveis. Embora
esse
> complexo florestal esteja reconhecido como patrimônio nacional
desde 1988,
> com a promulgação da Constituição Brasileira, um monitoramento
feito pela
> Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional
de
> Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Socioambiental (ISA),
mostrou que
> somente entre 1990 e 1995 mais de meio milhão de hectares de
florestas
> foram destruídos em nove Estados das regiões Sul, Sudeste e
Centro-oeste -
> que concentram aproximadamente 90% do restante da Mata Atlântica.
> Esse valor é equivalente a mais de 714 mil campos de futebol
eliminados do
> mapa em cinco anos, a uma velocidade de um campo de futebol
derrubado a
> cada quatro minutos - uma destruição proporcionalmente três
vezes maior do
> que a verificada na Amazônia no mesmo período. Somando-se esses
números
> aos do estudo anterior, referente ao período 1985-1990, chega-se
à cifra
> de 11% de Mata Atlântica destruída em dez anos, provocando
uma queda de
> 8,8% para 7,3% na estimativa de mata primária e secundária
em regeneração
> remanescente em todo o País.
> De acordo com o Centro de Pesquisas Iracambi, de Minas Gerais,
esses 500
> mil hectares de matas derrubadas entre 1985 e 1990 "desapareceram
porque
> na década de 80 a economia brasileira estava muito fraca. O
Brasil começou
> a ter que pagar os empréstimos feitos durante a ditadura militar.
> Subsídios para agricultura foram cortados e a inflação aumentou
muito, ao
> mesmo tempo em que o mercado mundial se virou contra a agricultura.
A
> pressão em cima dos fazendeiros brasileiros para que explorassem
ainda
> mais os recursos de suas terras foi imensa. A conseqüência
disso foi a
> derrubada da floresta, o cultivo intenso das terras e o desgaste
do solo.
> A vegetação virou pasto e foi consumida pelo gado. O que restou
foi levado
> pela chuva e iniciou o processo de erosão do solo, tornando-o
inadequado
> para o plantio. Com isso o fazendeiro acabava derrubando mais
florestas
> para plantar".
> Um novo levantamento sobre os remanescentes de Mata Atlântica
em dez
> Estados do Centro-sul, relativo ao período de 1995 a 2000,
começou a ser
> divulgado no mês passado pela Fundação SOS Mata Atlântica e
pelo Inpe. Por
> enquanto os únicos números conhecidos são os do Rio de Janeiro,
que, de
> acordo com o levantamento anterior, foi o que mais desmatou
entre 1990 e
> 95. Pelo novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica,
nesse
> Estado restam hoje 16,7% dos mais de 734 mil hectares originais.
Os
> números relativos a Santa Catarina devem ser divulgados pela
Fundação SOS
> Mata Atlântica no final de maio, em Florianópolis.
> RIQUEZA BIOLÓGICA
> Os índices preliminares de remanescentes apontam para uma redução
no ritmo
> de desmatamentos. No entanto, descobriu-se que a floresta remanescente
> está bastante fragmentada e esse processo continua ocorrendo
em muitas
> regiões, comprometendo a conservação da fauna e da flora. Estudos
> comprovam que a floresta fragmentada perde sua riqueza biológica
causando,
> em muitos casos, quadros irreversíveis.
> Cem hectares de Mata Atlântica contínua não são iguais a dez
fragmentos de
> dez hectares. Nos pequenos remanescentes os animais maiores
e os
> predadores não se sustentam e migram para outra região ou morrem.
Alguns
> pequenos animais desaparecem, dependendo de sua dieta e/ou
das
> necessidades de abrigo que tenham. Matas pequenas também têm
menos chance
> de renovação. Em geral, as estratégias de reprodução das árvores,
> desenvolvida ao longo de milhares de anos, incluem a dispersão
de suas
> sementes num raio muito grande em seu entorno, seja através
dos animais,
> da água ou do vento. (FL)
> SAIBA MAIS
> Abrangência da Mata Atlântica no Brasil
> Estados com domínio da Mata Atlântica
> Rio Grande do Sul
> Santa Catarina
> Paraná
> São Paulo
> Goiás
> Mato Grosso do Sul
> Rio de Janeiro
> Minas Gerais
> Espírito Santo
> Bahia
> Alagoas
> Sergipe
> Paraíba
> Pernambuco
> Rio Grande do Norte
> Ceará
> Piauí
> Fonte: Apremavi
> Quadro dos Remanescentes no Brasil
> UF Área (ha) DMA* UF Área (ha) 1990 Mata (ha) 1995 Desmata-
> mento ha %
> ES 4.661.522 4.611.522 409.741 387.313 22.428 5,47
> GO 3.918.711 3.055.677 7.119 6.471 648 9,10
> MS 4.757.315 1.842.821 43.752 39.555 4.197 9,59
> MG 43.339.165 27.539.709 1.214.059 1.125.108
> 88.951 7,32
> PR 19.808.603 19.315.664 1.815.137 1.730.528
> 84.609 4,66
> RJ 4.408.111 4.408.111 1.069.230 928.858 140.372
> 13,13
> RS 16.128.695 8.758.533 535.255 506.462 28.793 5,38
> SC 9.571.647 9.571.647 1.729.160 1.666.241
> 62.919 3,64
> SP 24.175.211 19.595.899 1.858.959 1.791.559
> 67.400 3,62
> Total 130.718.980 98.699.583 8.682.412 8.182.095
> 500.317 -
> *DMA - Domínio da Mata Atlântica
> Fontes: Fundação SOS Mata Atlântica
> ISA - Instituto SOcioambiental
> INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
> Reproduzido da homepage da Apremavi
> SC tem apenas 17,4% da floresta original
> Florianópolis - Todas as formações florestais de Santa Catarina
estão
> inseridas no domínio do bioma da Mata Atlântica. Mas hoje,
segundo a
> Fundação SOS Mata Atlântica, resta apenas 17,4% dos 85% da
estrutura
> original desta cobertura florestal. Da extensão territorial
do Estado - de
> 95.985 quilômetros quadrados - 81.587 quilômetros quadrados
eram de
> domínio da Mata Atlântica. Pelos últimos levantamentos publicados
pela
> fundação, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais
> (Inpe) e o Instituto Socioambiental (ISA), Santa Catarina perdeu,
somente
> entre os anos de 1990 e 1995, mais de 70 mil hectares. Esse
número
> equivale a 55 campos de futebol por dia.
> O município que mais desmatou foi Abelardo Luz, no Oeste do
Estado, onde
> sumiram 4,5 mil hectares de floresta ombrófila mista (onde
predomina a
> araucária). Nesse município foram implantados 16 assentamentos
de reforma
> agrária, com 2,2 mil famílias assentadas.
> RECORDE
> Das perdas referentes ao início da década de 90 mais de 8.694
hectares
> foram de restingas e 155 de manguezais. Isso rendeu a Santa
Catarina o
> título de Estado campeão em desmatamento de restinga entre
1990 e 1995,
> especialmente na região de Joinville. O dado é ressaltado pelo
presidente
> da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani.
> "Houve grande desmatamento de restinga nesta região. Além disso,
tem o
> problema de que o Ibama da região não concorda com alguns pontos
do
> Decreto 750, de 1993, que define quais vegetações estão inclusas
na Mata
> Atlântica", considera.
> Além dos assentamentos de reforma agrária, da fumicultura no
Sul do Brasil
> e da expansão agropecuária, a especulação imobiliária foi uma
das
> principais causas dos desmatamentos que culminaram nos atuais
- e
> drásticos - índices de remanescentes florestais. Em Santa Catarina
eles
> estão concentrados, em sua maioria, em propriedades privadas
e em áreas
> dominadas por indústrias madeireiras.
> EXPECTATIVA
> A boa notícia, sinalizada pelos dados divulgados pela equipe
da Fundação
> SOS Mata Atlântica, é a redução no ritmo de devastação nos
Estados em que,
> entre 1985 e 1990, foram os que mais desmataram: Santa Catarina
e Paraná.
> Apesar disso, os números absolutos são bastante elevados, considerando
que
> o primeiro continua sendo o maior devastador de restinga e
o segundo, de
> pinheirais.
> Atualmente, as três entidades trabalham na finalização dos
dados
> referentes ao período entre 1995 e 2000. Foram adotadas novas
tecnologias
> e metodologias e o aperfeiçoamento incluiu o uso de imagens
digitais, o
> que permitiu ampliar a escala de mapeamento de 1:250.000 para
1:50.000 e
> reduzir a área mínima monitorada para dez hectares. (FL)
> SANTA CATARINA
> O quadro da destruição
> Desmatamento - 1990 a 1995
> Classes de mapeamento 1990 1995 1990-95
> (ha) (%) (ha) (%) (ha) (%)
> Remanescentes florestais 1.729.160 18,57 1.666.241
> 18,46 62.919 3,64
> Restinga 100.519 1,08 91.825 1,02 8.694 8,65
> Mangue 6.776 0,07 6.621 0,07 155 2,29
> Evolução histórica do desmatamento no Estado
> Ano Área (ha) Cobertura florestal natural em relação à área
do
> estado (%)
> 1500 7.768.440 81,50
> 1912 7.498.690 78,67
> 1959 2.859.550 30,00
> 1985 1.831.950 19,14
> 1990 1.725.638 18,03
> 1995 1.666.241 17,41
>
> Fonte: Apremavi
>
> IMPORTÂNCIA - Cem milhões de brasileiros vivem na área de domínio
do bioma
> Mata Atlântica. Os remanescentes são responsáveis pela manutenção
de
> nascentes e mananciais de água que abastecem as cidades e comunidades
do
> interior.
> DIVERSIDADE - A Mata Atlântica abriga mais de 20 mil espécies
de plantas,
> 8 mil delas endêmicas (que só ocorrem nesse ambiente). É a
floresta mais
> rica do mundo em espécies arbóreas por unidade de área: 454
por hectare
> (Sul da Bahia).
> FAUNA - Vivem no domínio da Mata Atlântica 1.361 espécies de
mamíferos,
> aves, répteis e anfíbios (567 endêmicas), o que representa
2% de todas as
> espécies do planeta. Das 202 ameaçadas oficialmente de extinção,
171 vivem
> na floresta.
> LIMITE - A maioria dos remanescentes florestais de Santa Catarina
está em
> propriedades privadas. Os parques e reservas nacionais, estaduais,
> municipais e particulares não representam garantia de sobrevivência
da
> biodiversidade.
> ESFORÇO 1 - A mais dispendiosa e determinada campanha de reintrodução
de
> espécie ameaçada de extinção na Mata Atlântica foi a reprodução
em
> cativeiro e a soltura de micos-leões dourados, primatas quase
extintos das
> florestas.
> ESFORÇO 2 - A reintrodução foi extremamente difícil. Poucos
sobreviviam ao
> choque da soltura até que se conceberam métodos para ajudar
sua adaptação
> à selva. Foram necessários oito anos para se estabelecer 35
micos na
> floresta.
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