15/05/2003
 
Artistas & Arteiros apresenta agenda de atividades para 2003

 
Com um coquetel e presenças dos expositores, o grupo Artistas & Arteiros apresenta no sábado, 17 de maio, a partir das 19 horas – Avenida Roberto Silveira, 2035, bairro do Flamengo, Maricá - a sua agenda de exposições e de oficinas para este ano.
Formado há dois anos, numa iniciativa de intelectuais, artistas plásticos e artesãos, o Artistas & Arteiros é um grupo independente, cuja característica principal é dominar o fazer artístico como um todo: da pesquisa do material, à confecção, divulgação e venda direta ao consumidor. Trabalhando, basicamente, com material de baixo custo e reciclados, o que barateia os custos, o grupo produz as duas linhas de peças – decorativas e utilitárias – e, além do espaço permanente em Maricá, já expôs em feiras de Búzios, Riocentro e no Museu do Folclore Edson Carneiro, dentro do ”Projeto Senac Rio”, que reúne artesãos de todo o Estado do Rio de janeiro.
Para este ano, o Artistas & Arteiros investe na promoção social, um projeto iniciado ano passado, com oficinas abertas à comunidade e aplicadas pelos expositores e convidados. Este ano o projeto foi ampliado e vai atrair, também, alunos das redes pública e particular do município que, através das oficinas aprenderão, ainda, como dimensionar o aprendizado, transformando o artesanato numa fonte de renda interessante.
 
Alguns exemplos
 
Dona Benedita: Desde a sua formação, o Artistas & Arteiros reserva um espaço especial para a tapeceira Benedita Rosa do Amparo Barros. Nascida no bairro do Caju, Maricá, 53 anos, 4 filhos, sua atividade com cestaria de taboa, uma planta comum na região, é a única fonte de renda da família.
Benedita nunca foi à escola, não sabe assinar o nome mas, pela necessidade, desenvolveu e aperfeiçoou o saber orgânico, comum a vários artesãos da cidade. Como aprendeu com os pais, ela colhe a taboa, cria e confecciona as peças: cestas, tapetes, chinelos, bolsas, enfim, o que a palha lhe permite moldar de acordo com o gosto dos fregueses.
No Artistas & Arteiros ela vende sem intermediários, o que lhe facilita controlar a oferta e a procura. “É bom porque eu estou mais perto das pessoas, sei o que estão querendo e posso trabalhar de acordo com o gosto de cada uma delas e na quantidade certa”, diz ela. Isto é positivo porque Benedita conta que, uma vez, um intermediários lhe encomendou uma grande quantidade de peças que, segundo ele, já teria comprador certo.
Para atender o pedido, ela virou noites preparando as peças para, no final, descobrir que não havia encomenda nenhuma. “Perdi todo o material e noites de sono e só quem vive disso sabe o sacrifício que é achar e preparar a taboa”, lamenta.
Segundo Benedita, existem duas espécies de taboa: a seda, mais macia e ideal para a cestaria e a tiririca que só é usada na falta da primeira. Mas tanto uma quanto a outra já estão faltando em Maricá, por causa dos loteamentos e do aterro nas áreas pantanosas, onde a planta cresce. “No Caju tinha muita taboa, porque a gente corta com cuidado para deixar a nova brotação. Então, já tem um lugar certo para colher o ano todo. Mas os aterros e as queimadas acabaram com tudo. Agora, só encontro taboa na barra de Maricá, mas é muito longe“, ela conta. Também há época certa para colher e secar a palha, o que deve ser feito, de preferência, no verão.
 
Daniel Rigoberto Tavilo: Nascido na Argentina, Daniel vive em Maricá há 20 anos. Vive de artesanato e é um dos mais conhecidos artistas que trabalha com jóias de prata e pedras. Da pesquisa de material aos desenhos exclusivos das peças, ele tem total controle sobre a produção. Cada jóia custa em média de 15 a 350 reais e já foram expostas e vendidas em Ipanema, no Peru, Chile e Miami.
 
Sérgio Cruz: Depois de anos trabalhando na indústria de confecções, Sérgio descobriu o mercado de arte há 3 anos. Trabalha, basicamente, com sucatas de metal, com que constrói móveis, mosaicos e peças decorativas. Artista inquieto experimenta a textura dos metais na pintura a óleo; além de pesquisar e reproduzir peças históricas.
 
Esses Artistas & Arteiros, além de outros, participam da agenda de atividades do grupo para este ano que terá como convidado o escritor, músico e pesquisador Délcio Teobaldo. Além de duas oficinas programadas (uma de percussão, agendada para 5 de julho e outra de História em Quadrinhos, para 18 de outubro), Teobaldo vai apresentar no dia 12 de julho, no Espaço Artistas & Arteiros, um compacto do espetáculo multimídia que inclui o lançamento do documentário “Morre congo, fica congo” (DGT-Filmes, São Paulo), sobre os últimos cantadores do Jongo rural de Angra dos Rei; um livro editado pela E-Papers, sobre o mesmo tema e a palestra-show “Jongá – Cantos de Fé, de trabalho e de orgia”.
Convidado para exibição na Feria Latino-americana das Culturas, no México e na IPCTV de Tóquio, além de exibição no Festival de DV de Nova Iorque e salas do Rio de Janeiro (MIS, Centro Cultural e Artístico Botafogo, Instituto de Ação Social da UFRJ), o documentário é o destaque do evento que este ano será apresentado na Casa de Cultura Estácio de Sá, no Espaço multimídia do Museu do Catete, no Teatro Chico Nunes, de Belo Horizonte e no Cine Arte UFF.