Com um coquetel e presenças dos expositores,
o grupo Artistas & Arteiros apresenta no sábado, 17 de maio, a
partir das 19 horas – Avenida Roberto Silveira, 2035, bairro
do Flamengo, Maricá - a sua agenda de exposições e de oficinas para
este ano.
Formado há dois anos, numa iniciativa de intelectuais, artistas plásticos
e artesãos, o Artistas & Arteiros é um grupo independente, cuja
característica principal é dominar o fazer artístico como um todo:
da pesquisa do material, à confecção, divulgação e venda direta ao
consumidor. Trabalhando, basicamente, com material de baixo custo
e reciclados, o que barateia os custos, o grupo produz as duas linhas
de peças – decorativas e utilitárias – e, além do espaço
permanente em Maricá, já expôs em feiras de Búzios, Riocentro e no
Museu do Folclore Edson Carneiro, dentro do ”Projeto Senac Rio”,
que reúne artesãos de todo o Estado do Rio de janeiro.
Para este ano, o Artistas & Arteiros investe na promoção social,
um projeto iniciado ano passado, com oficinas abertas à comunidade
e aplicadas pelos expositores e convidados. Este ano o projeto foi
ampliado e vai atrair, também, alunos das redes pública e particular
do município que, através das oficinas aprenderão, ainda, como dimensionar
o aprendizado, transformando o artesanato numa fonte de renda interessante.
Alguns exemplos
Dona Benedita: Desde a sua formação, o Artistas & Arteiros
reserva um espaço especial para a tapeceira Benedita Rosa do Amparo
Barros. Nascida no bairro do Caju, Maricá, 53 anos, 4 filhos, sua
atividade com cestaria de taboa, uma planta comum na região, é a única
fonte de renda da família.
Benedita nunca foi à escola, não sabe assinar o nome mas, pela necessidade,
desenvolveu e aperfeiçoou o saber orgânico, comum a vários artesãos
da cidade. Como aprendeu com os pais, ela colhe a taboa, cria e confecciona
as peças: cestas, tapetes, chinelos, bolsas, enfim, o que a palha
lhe permite moldar de acordo com o gosto dos fregueses.
No Artistas & Arteiros ela vende sem intermediários, o que lhe
facilita controlar a oferta e a procura. “É bom porque eu estou
mais perto das pessoas, sei o que estão querendo e posso trabalhar
de acordo com o gosto de cada uma delas e na quantidade certa”,
diz ela. Isto é positivo porque Benedita conta que, uma vez, um intermediários
lhe encomendou uma grande quantidade de peças que, segundo ele, já
teria comprador certo.
Para atender o pedido, ela virou noites preparando as peças para,
no final, descobrir que não havia encomenda nenhuma. “Perdi
todo o material e noites de sono e só quem vive disso sabe o sacrifício
que é achar e preparar a taboa”, lamenta.
Segundo Benedita, existem duas espécies de taboa: a seda, mais macia
e ideal para a cestaria e a tiririca que só é usada na falta da primeira.
Mas tanto uma quanto a outra já estão faltando em Maricá, por causa
dos loteamentos e do aterro nas áreas pantanosas, onde a planta cresce.
“No Caju tinha muita taboa, porque a gente corta com cuidado
para deixar a nova brotação. Então, já tem um lugar certo para colher
o ano todo. Mas os aterros e as queimadas acabaram com tudo. Agora,
só encontro taboa na barra de Maricá, mas é muito longe“, ela
conta. Também há época certa para colher e secar a palha, o que deve
ser feito, de preferência, no verão.
Daniel Rigoberto Tavilo: Nascido na Argentina, Daniel vive
em Maricá há 20 anos. Vive de artesanato e é um dos mais conhecidos
artistas que trabalha com jóias de prata e pedras. Da pesquisa de
material aos desenhos exclusivos das peças, ele tem total controle
sobre a produção. Cada jóia custa em média de 15 a 350 reais e já
foram expostas e vendidas em Ipanema, no Peru, Chile e Miami.
Sérgio Cruz: Depois de anos trabalhando na indústria de confecções,
Sérgio descobriu o mercado de arte há 3 anos. Trabalha, basicamente,
com sucatas de metal, com que constrói móveis, mosaicos e peças decorativas.
Artista inquieto experimenta a textura dos metais na pintura a óleo;
além de pesquisar e reproduzir peças históricas.
Esses Artistas & Arteiros, além de outros, participam da agenda
de atividades do grupo para este ano que terá como convidado o escritor,
músico e pesquisador Délcio Teobaldo. Além de duas oficinas programadas
(uma de percussão, agendada para 5 de julho e outra de História em
Quadrinhos, para 18 de outubro), Teobaldo vai apresentar no dia 12
de julho, no Espaço Artistas & Arteiros, um compacto do espetáculo
multimídia que inclui o lançamento do documentário “Morre congo,
fica congo” (DGT-Filmes, São Paulo), sobre os últimos cantadores
do Jongo rural de Angra dos Rei; um livro editado pela E-Papers, sobre
o mesmo tema e a palestra-show “Jongá – Cantos de Fé,
de trabalho e de orgia”.
Convidado para exibição na Feria Latino-americana das Culturas, no
México e na IPCTV de Tóquio, além de exibição no Festival de DV de
Nova Iorque e salas do Rio de Janeiro (MIS, Centro Cultural e Artístico
Botafogo, Instituto de Ação Social da UFRJ), o documentário é o destaque
do evento que este ano será apresentado na Casa de Cultura Estácio
de Sá, no Espaço multimídia do Museu do Catete, no Teatro Chico Nunes,
de Belo Horizonte e no Cine Arte UFF.
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