Em assembléia realizada hoje (10/2) no auditório Belisário Souza,
na
Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que contou com a participação
dos
presidentes do PDT, Leonel Brizola, do PCB, Zuleide Faria de Melo,
do PC do B-
RJ, Ana Rocha, do PDT-RJ, Carlos Lupi, e de parlamentares como a deputada
federal Jandira Feghali, deputada estadual Jurema Batista, e do vereador
Fernando Gusmão, foi criado o Comitê Rio Pela Paz e traçadas estratégias
para
a realização de uma grande manifestação no próximo sábado, dia 15
de
fevereiro, às 15 horas, a partir do Leme, contra a anunciada guerra
do
governo dos Estados Unidos contra o Iraque. O ato foi presidido pelo
vice-
presidente da ABI, Henrique Miranda.
A presidente do Conselho de Administração da ABI, jornalista Ana Arruda
Callado, disse que “este é o primeiro passo; hoje, estamos unificando
os
movimentos, o que é essencial, mas a passeata de Sábado precisa ser
gigantesca, para não ser ignorada”. Ela declarou que a ABI está
à disposição
de todos os que estão na luta contra esta guerra, “que não é
contra o Iraque,
mas contra todo o mundo e que pode chegar muito mais perto de nós
do que se
imagina”.
União contra uma insanidade
O ex-governador Leonel Brizola lembrou que, pelos dois anos vividos
nos
Estados Unidos, pode garantir que a guerra não é um pensamento do
povo norte-
americano e tem apenas uma inovação, que é a tese do governo Bush
de combate
ao terrorismo. “Vocês se recordam da luta contra o comunismo,
que era
considerado um mal contra a humanidade? Pois, agora, a queda das torres
de
Nova York deram esta nova motivação aos atos de guerra”.
“Eu tenho uma desconfiança sobre aquele episódio e vejo que
há uma espécie de
proibição de falar sobre isso. Os atentados foram tão bem feitos,
que tenho a
impressão de que foi planejado por eles próprios. Também por isso,
temos que
nos levantar contra esta insanidade, contra esta covardia, que acaba
tendo a
conivência da mídia, para justificar a guerra”. Para Brizola,
mesmo que o
Iraque estivesse fazendo tudo de que é acusado, não há justificativa
para um
ataque contra o seu povo.
Na realidade, afirma o dirigente pedetista, “trata-se de uma
guerra podre, de
uma guerra de conquista, sem nenhuma causa humanitária, nobre, de
um ato sem
igual na história da humanidade”. Ele afirmou que todo o PDT
será mobilizado
contra mais esta tentativa de abuso de poder. Depois de dizer que
estranha o
fato de o governo brasileiro não ter ainda se manifestado firmemente
contra
os objetivos do governo dos Estados Unidos, Brizola manifestou que
chegou a
hora de demonstrar que o povo brasileiro está ao lado da paz.
Entidades caladas
O advogado e ex-governador Nilo Batista considera a declaração de
guerra dos
Estados Unidos ao Iraque um ato de arrogância e insensatez do presidente
norte-americano, George W. Bush, em um evidente sinal da decadência
econômica
que afeta o país. Ele criticou as entidade que se dizem defensoras
dos
direitos humanos em todo o mundo e estão caladas frente a arbitrariedades
como o governo norte-americano comete atualmente em Guantânamo, que
se
transformou em um setor autorizado de tortura internacional, que tem
levado
muitos prisioneiros feitos no Afganistão ao suicídio.
Na opinião do jurista, o governo Bush apropriou-se do discurso das
entidades
de direitos humanos, em nome da defesa contra o terrorismo e as academias
dos
Estados Unidos, da Europa e quase a totalidade das brasileiras dizem
“amém”
a “esta nova forma de disfarçar esta violação à autodeterminação
Dos povos”. Ele alertou ainda que há riscos de que a recém criada
Sociedade
Penal Internacional também acabe servindo a estes propósitos.
A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) comentou que o ideário de
Bush prevê
um comando único no mundo nas áreas financeira, cultural, política
e,
principalmente, bélica, perante qualquer força que se confronte ao
capital
norte-americano. Ao lembrar o que o governo dos Estados Unidos fez
no
Afganistão, na Líbia, na Palestina, sendo conivente com o governo
israelense,
e pretende fazer no Iraque, ela questionou: “quem deu este direito
aos
Estados Unidos, ao império norte-americano?”
Já a deputada estadual Jurema Batista (PT) declarou que é hora de
quebrar o
silêncio, lembrando as manifestações da década de 80, quando era dito
que “o
silêncio é cúmplice da violência”. Ao destacar que os meios
de comunicação,
hoje, dão destaque ao individualismo, é preciso que forças como as
igrejas
católicas e evangélicas também participem da manifestação de sábado.
Alertou
que, para o Brasil, as principais conseqüências serão o aumento da
fome e do
desemprego e que as mais afetadas serão as mulheres e seus filhos,
pela
possibilidade de ficarem sem seus maridos e seus pais. Ao encerrar
seu
pronunciamento, ela foi taxativa: “Bush tire a sua pata e respeite
os povos
internacionais”.
Destaques
Em meio a diversos pronunciamentos, dois destaques foram dados à mensagem
enviada por Oscar Niemeyer, como conselheiro da ABI, e à manifestação
do ator
Marcos Winter. O arquiteto, um dos idealizadores de Brasília, no recado
lido
por Sabino Barbosa, afirma que “infelizmente não posso comparecer.
Estou com
vocês contra a guerra, contra o Bush, contra tudo que ofender a dignidade
do
ser humano, o Brasil e a dignidade do nosso povo”.
O ator destacou a importância da comunicação e da religiosidade em
um momento
como o atual. Afirmou que o papel da imprensa e do jornalismo investigativo
é
da maior importância, pois são eles que dão a informação verdadeira;
já a
real religiosidade deve combater deuses que não existem e que só servem
para
mantê-los à parte. Na sua opinião, os dois fatores são formas de tirar
a
população da ignorância em que vive e que faz com que, atualmente,
em todo o
mundo, haja mais escravos do que no tempo da escravatura.
Winter disse que é preciso que as manifestações em todo o mundo ganhem
corpo
para evitar o primeiro dia, pois, no seu entender, a retaliação será
implacável, com muitos atos terroristas. Ele anunciou que, junto com
outros
atores, escritores e jornalistas está criando uma entidade que pretende
lutar
pelos direitos humanos no Brasil, incluindo aí até os crimes contra
o meio
ambiente e a pedofilia.
Propostas para uma ação prática
Durante a reunião, foram apresentadas algumas propostas pelo plenário,
para
uma ação prática, agora e após o início de uma possível guerra:
boicote ao consumo de produtos e serviços de empresas sediadas nos
Estados
Unidos e nos países que lhe dão apoio;
boicote imediato ao consumo de combustíveis das empresas Texaco, Esso
e
Shell, por ser claro que o objetivo principal da guerra é o domínio
dos poços
de petróleo;
que, quando as primeiras bombas forem atiradas contra o Iraque, os
sacerdotes
façam soar os sinos de suas igrejas por cinco minutos;
que os atletas suspendam suas competições, nacionais e internacionais,
por
cinco minutos, como forma de protesto;
que os teatros suspendam suas representações para denunciar a guerra;
que os professores parem as aulas e discutam as causas e conseqüências
do
conflito com seus alunos.
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