Desde 1878, quando foi fundado, o jornal “O Fluminense”
ganhou fama pelas inúmeras campanhas a favor da qualidade de vida
em Niterói. Já em 1878 chegou a exigir a fiscalização das condições
de higiene dos estabelecimentos comerciais, e um ano depois deflagrou
campanha pela criação do serviço de abastecimento de água no Município.
Em janeiro de 1887, pleiteou o projeto de uma rede de esgotos para
a cidade (fato inédito, até então).
Seu ímpeto e identificação com as questões de infra-estrutura relacionadas
a sadia qualidade ambiental de logradouros públicos era motivo de
destaque jornalístico em “O Fluminense” há mais de um
século.
Destaca-se, ainda, que as notícias sobre problemas ambientais, através
dos meios de comunicação, somente começaram a ganhar impulso a partir
de 1975, após incansáveis desdobramentos políticos originados com
a realização da Primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente, em junho de 1972, em Estocolmo, Suécia.
Em abril de 1975, a imprensa nacional denunciou um cargueiro finlandês
quando tentava despejar, nas costas do Brasil, sete toneladas de arsênico.
A opinião pública e o governo reagiram, impedindo o despejo. No mesmo
mês, o petroleiro iraquiano Tarik Ibn Ziyad deixou vazar 20.000 toneladas
de óleo na Baía de Guanabara, provocando incêndios na superfície da
água e matando muitas aves.
Influenciado pelo processo de abertura política, desencadeado no final
dos anos 70, o jornal “O Fluminense” chegou a abrir espaço
para diversos segmentos sociais, inclusive ativistas ecológicos pioneiros
em manifestações públicas, viabilizando o surgimento de novas tendências
de cobertura jornalística sobre questões ambientais no Município de
Niterói.
No final da década de 80, com as constantes manifestações organizadas
por entidades civis ecológicas e a proximidade da Conferência Internacional
para Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio-92), o jornal
“O Fluminense” deu oportunidade àqueles que despontavam
como baluartes da defesa ambiental, garantindo matérias jornalísticas
com profundidade e desdobramentos.
Desde a fundação da primeira entidade ecológica de Niterói, em 1979,
“O Fluminense” vem se destacando como importante veículo
de comunicação pela defesa dos interesses difusos e coletivos, estimulando
vários segmentos em torno das questões ambientais, tendo assumido
significativo papel social em diversas vitórias pela defesa do meio
ambiente, como o embargo da fábrica de sardinha em Jurujuba, a suspensão
do projeto habitacional dentro das lagoas de Piratininga e Itaipu,
o recuo de loteamentos em áreas de Mata Atlântica, a criação de Parque
Estadual da Serra da Tiririca, a interdição de empresas de mineração
e o cancelamento do projeto de construção de garagem subterrânea no
Campo de São Bento, em Icaraí.
Ao completar 125 anos, “O Fluminense” dá, mais uma vez,
motivos de sobra para a contínua aspiração pela defesa do meio ambiente.
* Gerhard Sardo é ambientalista, jornalista, pós-graduando em Análise
e Avaliação Ambiental (PUC-Rio) e conselheiro titular no Conselho
Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. |