06/05/2003
"O Fluminense" e o meio ambiente
Por Gerhard Sardo*
 
Desde 1878, quando foi fundado, o jornal “O Fluminense” ganhou fama pelas inúmeras campanhas a favor da qualidade de vida em Niterói. Já em 1878 chegou a exigir a fiscalização das condições de higiene dos estabelecimentos comerciais, e um ano depois deflagrou campanha pela criação do serviço de abastecimento de água no Município. Em janeiro de 1887, pleiteou o projeto de uma rede de esgotos para a cidade (fato inédito, até então). 
Seu ímpeto e identificação com as questões de infra-estrutura relacionadas a sadia qualidade ambiental de logradouros públicos era motivo de destaque jornalístico em “O Fluminense” há mais de um século.
Destaca-se, ainda, que as notícias sobre problemas ambientais, através dos meios de comunicação, somente começaram a ganhar impulso a partir de 1975, após incansáveis desdobramentos políticos originados com a realização da Primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em junho de 1972, em Estocolmo, Suécia.
Em abril de 1975, a imprensa nacional denunciou um cargueiro finlandês quando tentava despejar, nas costas do Brasil, sete toneladas de arsênico. A opinião pública e o governo reagiram, impedindo o despejo. No mesmo mês, o petroleiro iraquiano Tarik Ibn Ziyad deixou vazar 20.000 toneladas de óleo na Baía de Guanabara, provocando incêndios na superfície da água e matando muitas aves.
Influenciado pelo processo de abertura política, desencadeado no final dos anos 70, o jornal “O Fluminense” chegou a abrir espaço para diversos segmentos sociais, inclusive ativistas ecológicos pioneiros em manifestações públicas, viabilizando o surgimento de novas tendências de cobertura jornalística sobre questões ambientais no Município de Niterói.
No final da década de 80, com as constantes manifestações organizadas por entidades civis ecológicas e a proximidade da Conferência Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio-92), o jornal “O Fluminense” deu oportunidade àqueles que despontavam como baluartes da defesa ambiental, garantindo matérias jornalísticas com profundidade e desdobramentos.
            Desde a fundação da primeira entidade ecológica de Niterói, em 1979, “O Fluminense” vem se destacando como importante veículo de comunicação pela defesa dos interesses difusos e coletivos, estimulando vários segmentos em torno das questões ambientais, tendo assumido significativo papel social em diversas vitórias pela defesa do meio ambiente, como o embargo da fábrica de sardinha em Jurujuba, a suspensão do projeto habitacional dentro das lagoas de Piratininga e Itaipu, o recuo de loteamentos em áreas de Mata Atlântica, a criação de Parque Estadual da Serra da Tiririca, a interdição de empresas de mineração e o cancelamento do projeto de construção de garagem subterrânea no Campo de São Bento, em Icaraí.
            Ao completar 125 anos, “O Fluminense” dá, mais uma vez, motivos de sobra para a contínua aspiração pela defesa do meio ambiente.
 
* Gerhard Sardo é ambientalista, jornalista, pós-graduando em Análise e Avaliação Ambiental (PUC-Rio) e conselheiro titular no Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.