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Relatório
reunião GT Assuntos Econômicos do CONAMA
Prezados Ambientalistas, Voluntários e Simpatizantes,
Segue, abaixo, relatório desenvolvido pelo economista
e mestre em Ciências Ambientais Sérgio de Mattos Fonseca, na qualidade
de colaborador eventual, que representou a APEDEMA/RJ (por delegação)
da 1ª reunião do Grupo de Trabalho para desenvolvimento de estudos
relacionados com a análise econômica da aplicabilidade das decisões
do CONAMA, ocorrida no dia 23/10/02 na sede do Ministério do Meio
Ambiente, em Brasília-DF.
Um forte abraço,
Gerhard Sardo
Representante da APEDEMA/RJ (ONGs da Região Sudeste)
no CONAMA
Relatório Reunião CONAMA
CTT Assuntos Econômicos
GT para desenvolvimento de estudos relacionados com análise econômica
da
aplicabilidade das decisões do CONAMA e proposição de mecanismos
econômicos para a maior eficácia e eficiência da gestão ambiental.
1ª REUNIÃO 23/10/2002 10:00 h
7o andar sala de reuniões Ministério do Meio Ambiente
Solicitado pelo Secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável,
Joaquim Carlos Freire, foi instalado pelo Ilmo. Ministro do MA,
José Carlos Coutinho. Em seu discurso encerra o “ciclo de
C&C”, inaugurando uma nova era de implementação de instrumentos
econômicos para o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais
do país. O país depende a utilização dos seus recursos naturais
para o desenvolvimento e não pode ficar atrelado a mecanismos restritivos,
mas, sim, ao uso daqueles de maneira sustentável. Freire assume
a condução dos trabalhos lendo um discurso onde realça a necessidade
dos IE’s, sem deixar de lado as necessidades de C&C, entendendo
a dificuldade de atribuir valor aos danos e benefícios do uso do
meio ambiente em sua tríplice função econômica. IE’s para
gerar receitas vinculadas. Esforços vêm sendo direcionados para:
Ø Internalização dos custos ambientais,
incentivos econômicos no nível de prêmios ou facilidades (financiamento,...)
ou preços (PPP).
Ø Tentativas de sensibilização da
Receita Federal do tipo redução de IPI para a compra de resíduos
a serem reprocessados (PET’s, alumínio).
A diretora do CONAMA (61-317-1433) transmite as diretrizes operacionais
dos GT’s, temporários (6 meses prorrogáveis), compostos por
número indeterminado de pessoas, devendo, porém, formar-se um grupo
fixo para a continuidade do desenvolvimento do trabalho, com um
coordenador que deve ser Conselheiro do CONAMA, e um Relator. A
Sra. Maria do Carmo em seu discurso breve conclui que o GT venha
a fazer uma avaliação das Resoluções do CONAMA para aferir a sua
aplicabilidade econômica, sem especificar em que momento isso se
daria, e que conflitos de competência teria com outros GT’s
ou grupos regulatórios. Paulo Haddad destaca os impactos das diversas
Resoluções aprovadas e seus impactos no Orçamento Anual ou Plurianual
do Ministério, ou, também, nos diversos setores produtivos. Repercussões
econômicas que provocam outros tipos de impactos: desemprego, variações
de rentabilidades,... Destaca a necessidade de implementação de
um RIR – Relatório de Impacto da Resolução, a ser submetido
à CT e posteriormente ao CONAMA, não deixando claro se o trabalho
já está pronto, ou se é a CT quem vai elaborar os mecanismos/instrumentos
que julgar necessário. Um segundo produto seria o elenco de diversos
mecanismos de IE’s, e respectivas avaliações, a serem
aplicados pelo CONAMA, até mesmo prbopostas de projeto de lei para
submissão ao Congresso.
Comentário: Seguiu-se a apresentação de transparências, onde também
não fica claro se IE’s devem conviver com C&C, parecendo
que não ! Outra dúvida parece sugerir que o trabalho já está elaborado,
não ficando claro o nível de participação do GT na sua elaboração
final.
Concluindo o discurso, Haddad afirma que com a adoção dos IE’s
o Brasil se coloca no primeiro plano de países que utilizam esses
mecanismos.
Ao final, uma rodada de comentários em geral elogiosos, destacando-se
a fala do representante da APEDEMA/RJ que ressaltou a importância
do trabalho, acreditando, entretanto, que mecanismos de C&C
devem estabelecer bases e metas para o que chamou de Instrumentos
Econômico – Ecológicos – IEE’s – híbrido
da junção IE + C&C, entendendo que o conhecimento da capacidade
de suporte de cada ecossistema deve balizar os incentivos ou penalidades
para minimizar os efeitos do Princípio do Poluidor Pagador –
PPP. Destacaram-se também as argumentações por uma Câmara Técnica
Permanente do Meio Ambiente e Economia, da gestão dos IE’s,
uma composição matricial da CT incluindo representantes de Ministérios,
da qualificação da demanda para os programas que envolvam benefícios
para financiamentos via IE’s. Finalizando o consultor Paulo
Haddad ficou de sugerir 5 a 6 modêlos de RIR, disponibilizando à
CT o documento preliminar e um fichamento dos principais IE’s
por volta de 11 de novembro.
Prof. Sérgio de Mattos Fonseca, M.Sc. sergio@aprec.org.br
Resultado 39ª e 40ª extraordinárias
CONAMA
Prezados Ambientalistas, Voluntários e Simpatizantes,
Com o objetivo de findar os destaques originados
pela realização da 67ª reunião ordinária do CONAMA, realizada aos
dias 9 e 10/10 (que resultou na aprovação de Resolução sobre carcinicultura),
foram convocadas a 39ª e 40ª reuniões extraordinárias, que foram
realizadas aos dias 29 e 30/10 na sede nacional do IBAMA, em Brasília-DF.
Pela realização da 39ª reunião extraordinária,
iniciada às 10h10 (prevista para iniciar às 9h), após introdução
regimental, foram colocadas para apreciação e aprovação da plenário
do CONAMA conteúdo de quatro propostas de Resolução e vinte e um
processos de multas para reavaliação enquanto última instância legal.
Tendo como "metologia de trabalho", aprovada
pela maioria dos membros do CONAMA, a aprovação ou não de encaminhamento
de proposições de Resoluções, para depois votar destaques
em separado, foi oferecido para avaliação proposta "sobre
procedimentos e critérios para funcionamento de sistemas de tratamento
térmico (incineração) de resíduos". Apenas a APEDEMA/RJ (ONGs Região
Sudeste), a CEA (ONGs Região Sul) e Água Viva (ONGs Região Sul)
votaram contra o encaminhamento do texto para o plenário, considerando
recomendação oferecida por representantes de ONGs ambientalistas
do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (CONSEMA-SP).
Após a manifestação favorável ao encaminhamento formal da maioria
dos conselheiros, a ASPOAN (ONGs Região Nordeste), também seguindo
orientação dos integrantes do CONSEMA-SP, e em comum acordo com
os demais representantes de ONGs ambientalistas no CONAMA, ofereceu
substitutivo de redação para alterar nível de emissão de dioxinas
e furanos de 0,50 ng/Nm3 (TEXTO ORIGINAL) para 0,10 ng/Nm3. A proposta
obteve apenas nove votos (dos representantes de ONGs). A manutenção
do texto original oferecido pelo Ministério do Meio Ambiente descumpre
protocolos já estabelecidos desde a Convenção de Estocolmo para
a erradicação desses poluentes tóxicos. Contudo, há indícios de
que o promotor de Justiça Antônio Herman Benjamin, representante
da ONG Planeta Verde (indicado pelo presidente da República) no
CONAMA, motivará ação de inconstitucionalidade pela nulidade dos
efeitos legais da referida Resolução.
Com a aprovação da primeira proposta de Resolução,
foram apresentados para apreciação vinte e um processos de multas
aplicadas pelo IBAMA para julgamento do CONAMA enquanto última
instância de recurso legal. Felizmente todas as multas foram mantidas,
de forma a combater a impunidade ambiental.
Voltando à pauta original, foram aprovas três
novas propostas de Resolução, sendo: "dispõe sobre o registro de
produtos destinados a remediação" (efeito de aplicação de "produto,
constituído ou não por microrganismos, destinado à recuperação de
ambientes e ecossistemas contaminados, tratamento de efluentes e
resíduos"), que obteve 38 votos favoráveis; "estabelece novas etapas
para o Programa de Controle de Emissões Veiculares - PROCONVE",
que obteve 41 votos favoráveis; "dispõe sobre o Inventário Nacional
de Resíduos Sólidos Industriais (revisão da Resolução CONAMA nº
006/88), que obteve 33 votos favoráveis.
Findando as discussões sobre novas Resoluções
CONAMA, o representante da APEDEMA/RJ (ONGs Região Sudeste). atendendo
às demandas oferecidas por ONGs ambientalistas dos estados do Rio
de Janeiro e de São Paulo, encaminhou oficialmente à Secretaria
Executiva do CONAMA propostas de Moção sobre a necessidade do cumprimento
de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) sobre a Ilha Grande (compromisso
assumido pelo Ministério do Meio Ambiente, Ministério Público Federal,
IBAMA, Secretaria de de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
do Governo do Estado do RJ, Ministério Público Estadual, FEEMA,
IEF/RJ, UERJ e Prefeitura de Angra dos Reis, que ainda não foi implementado)
e a suspensão imediata por parte do Ministério do Meio Ambiente
de licença ambiental prévia que autoriza a abertura e rodovia federal
(Régis Bitencourt) em área de reserva florestal no Estado de São
Paulo. Os destaques, subscritos pelos representantes de ONGs ambientalistas
das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Nacional
e, ainda, comunidades tradicionais e povos indígenas, serão
colocados na pauta de discussão da 68ª reunião ordinária do CONAMA,
prevista para os dias 4 e 5/12.
No dia seguinte, pela realização da 40ª reunião
extraordinária, também na sede nacional do IBAMA, foi apresentada
proposta do Ministério do Meio Ambiente (a partir de trabalho desenvolvido
pelo GT Repensando do CONAMA) de nova redação para o Regimento Interno
do CONAMA. Aprovado, após intensa discussão e intervenção dos representantes
das ONGs ambientalistas membros do CONAMA, o novo Regimento Interno,
entre outras coisas, prevê, por exemplo, a indicação (eleição) de
um segundo suplente, a instituição de órgão de assessoramento batizado
de Comitê de Integração de Políticas Ambientais (alvo de profundo
debate em plenária), e a total reformulação das Câmaras Técnicas
existentes para: Biodiverdidade, Fauna e Recurso Pesqueiros; Florestas
e Atividades Agrossilvopastorais; Unidades de Conservação e demais
Áreas Protegidas; Gestão Territorial e Biomas; Controle e Qualidade
Ambiental; Saúde, Saneamento Ambiental e Gestão de Resíduos; Atividades
Minerárias, Energéticas e de Infra-Estrutura; Economia e Meio Ambiente;
Educação Ambiental; Assuntos Econômicos; e Assuntos Jurídicos (única
mantida na íntegra, e que deverá ser composta apenas por bacharéis
em Direito, advogados e juristas). A composição das novas Câmaras
Técnicas provavelmente serão definidas em negociações vindouras.
Ao final das discussões, com o apoio de oito
representações de ONGs ambientalistas, comunidades tradicionais,
povos indígenas e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a APEDEMA/RJ
encaminhou proposta de Proposição do CONAMA para o presidente da
República reavaliar o Decreto Federal nº 4.411/02, que "dispõe
sobre a atuação das Forças Armadas e da Polícia Federal nas unidades
de conservação", objetivando suprimir a afirmativa "sempre que possível"
do parágrafo 2º. O destaque também será apreciado na 68ª reunião
ordinária do CONAMA.
Vale destacar o árduo trabalho voluntário de
todos os representantes de ONGs ambientalistas, que persistiram
exaustivamente no aprimoramento das discussões paralelas, mesmo
após o final das reuniões oficiais do CONAMA, para ajustar e aprimorar
o discurso e defesa de teses comuns. Minhas sinceras considerações
aos bravos e nobres companheiros do CONAMA.
Um forte abraço,
Gerhard Sardo
Representante da APEDEMA/RJ (ONGs da Região Sudeste)
no CONAMA (Portaria MMA nº 421, de 03 de setembro de 2002)
Tel.(21)2722-6020 / Cel.(21)9999-4953 /
E-mails:
gerhard.sardo@terra.com.br
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