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O cacique xavante Mário Juruna, 58, morreu (dia 17/07) no hospital
Santa Lúcia, em Brasília, devido a complicações resultantes de uma
diabete crônica.
Juruna foi o primeiro e único deputado federal
índio do país. Elegeu-se pelo PDT do Rio, em 1982, com 31.904 votos.
Em 1986, porém, conseguiu apenas 10.747 votos e não conseguiu a
reeleição. Natural de Couto de Magalhães (MT), onde nasceu em 1943,
viveu até os 17 anos na floresta, sem contato com a civilização.
Tornou-se então cacique da aldeia xavante Namurunjá, em Barra do
Garça (MT).
Em 1977, tentou falar com o presidente Ernesto
Geisel para pedir agasalhos e sapatos para sua comunidade. Não teve
êxito, mas passou a perambular por Brasília, tentando falar com
qualquer autoridade que pudesse dar assistência aos índios. Logo
se convenceu que os "homens brancos" eram mentirosos e passou a
usar um gravador para registrar promessas dos políticos. A experiência
lhe serviu de base para publicar um livro, "O Gravador do Juruna".
Em 1980, a governo tentou impedir que ele fosse
ao 4º Tribunal Bertrand Russel, em Roterdã, na Holanda, como representante
dos índios brasileiros. Recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal)
e obteve permissão para viajar. Recebido em triunfo, foi escolhido
para presidir o tribunal. Voltou aos país fazendo críticas ao regime
militar.
Ingressou no PDT en 1981 e, no ano seguinte,
foi eleito deputado. Estreou na tribuna da Câmara no Dia do Índio,
19 de abril, pedindo a renúncia do presidente João Baptista Figueiredo
e de todo o ministério. Sugeriu o retorno dos militares aos quartéis
e pediu que a Funai (Fundação Nacional do Índio) fosse administrada
por índios. Em setembro, chamou vários ministros de corruptos e
ladrões.
Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda
das diretas e, em outubro, acusou o empresário Calim Eid de tentar
suborná-lo para que não votasse em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral,
em 1985. No dia 26 daquele mês, depositou no Banco do Brasil, em
favor de Eid, os Cr$ 30 milhões que teria recebido da campanha de
Paulo Maluf: "Agora estou com a consciência aliviada e vou votar
no Tancredo". Maluf negou o suborno.
Deixou o PDT após sua derrota. Tornou-se assessor
do Congresso. Tentaria voltar à Câmara em 1990 e 1994, sem êxito.
Em 2000, já bastante enfermo, desabafou: "Todos
me procuravam, diziam que eu falava bem. Muita gente subiu no meu
ombro. Muito homem branco se levantou assim. Depois de meu mandato,
fui abandonado".
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