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Um pouco do Nafta
para entender a ALCA
Em vigor desde 1994,
o Nafta é um acordo firmado entre Estados Unidos, México e Canadá
e serve de exemplo para demonstrar o que acontece quando países
em situações econômicas, sociais e tecnológicas muito diferentes
organizam um bloco de livre circulação de investimentos e mercadorias.
Depois de sete anos
em vigor, segundo análise do Economic Policy Institute, de Washington,
os resultados foram piores para o México, mas também trouxe derrotas
para os trabalhadores estadunidenses. Empresas dos Estados Unidos
fecharam e foram instalar-se no México, onde a mão-de-obra era mais
barata e as leis trabalhistas mais “flexíveis”. Nos
EUA, 766 mil postos de trabalho foram eliminados na indústria.
O maior estrago,
entretanto, não foi causado pela instalação de fábricas no México
– as chamadas maquiladoras, que são imunes às leis trabalhistas.
Segundo a ONU, são as que mais empregam mão-de-obra infantil no
planeta, colocando o país como campeão mundial da categoria: 5 milhões
de crianças menores de 14 anos estão trabalhando. São as maquilas
as únicas que, estatisticamente, trouxeram mais empregos. De 1999
à 2000, cresceram 13,4% e ocupam 1,3 milhão de pessoas. Essa indústria
é hoje responsável por 47% do total das exportações mexicanas.
O salário dos mexicanos
foi, de fato, o que mais encolheu após o Nafta. Em 1994, era em
média US$ 2,10 por hora na indústria manufatureira, caindo para
US$ 1,90 por hora em 1999. E apesar do trabalho informal –
os chamados camelôs – ter aumentado, a renda individual caiu
40% em média, já que não é possível haver espaço nem mercado para
tantos camelôs que foram demitidos do trabalho formal.
Nos primeiros três
meses de vigência do Nafta, as exportações mexicanas cresceram 25%,
mas suas importações aumentaram 73%. Ao invés das prometidas 600
mil vagas de emprego, ao final do primeiro trimestre havia 105.225
empregos a menos no país, segundo cifras oficiais.
Mesmo para o Canadá,
mais próximo em desenvolvimento dos EUA, os resultados de um tratado
de livre comércio foram discutíveis. O país, em 1988, fez um acordo
bilateral com a Casa Branca. Esperavam-se na ocasião 500 mil empregos.
Em 1993, quando os efeitos da integração comercial já eram claros,
mais de 400 mil empregos haviam desaparecido
Os EUA, enquanto
isso, comemoraram: as exportações de carro para o México cresceram
cinco vezes em comparação com o mesmo período de 1993.
Ainda assim, o último
relatório do Banco Mundial sobre o México recomenda a “flexibilização”
de sua legislação trabalhista, para que possa “atrair mais
investimentos”.
Fontes:
México em Transe, Igor Fuser, ed. Scritta, 1995.
Alca - quem ganha e quem perde
com o livre comércio das Américas,
Kjeld Jackobsen e Renato Martins,
ed. Perseu Abramo, 2002
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