21/08/2002
 
Recebemos hoje a informação abaixo vindo do Alfredo Vieira Castinheiras, que serve para ilustrar um dos muitos dramas, que o grupo de protetores de animais de Maricá diariamente enfrenta, sem ter qualquer tipo de apoio público, nem condições mínimas de abrigo ou mesmo fonte de renda que possibilite encarar tudo que em desgraça animal acontece.

RISCO DE DOENÇAS NO JARDIM ATLÂNTICO


Na Rua 80, Quadra 413, Lote 36, Jardim Atlântico, Itaipuaçu, Maricá, há 15 cães semi abandonados, sem qualquer higiene, e quase sem água nem comida. Nenhum é esterelizado nem vacinado. Do terreno exala cheiro de urina e fezes pois os animais, que eram em número maior, fazem as necessidades e ninguém limpa, há meses.
 
No local residia um casal . Ela se diz professora do estado e ele diz ser professor aposentado da UFF; mas, como tiveram a eletricidade cortada pela CERJ há meses, não têm luz nem água. Sempre que me pediam, eu dava água a eles.
 
Há várias semanas, o casal só aparece por algumas horas, aos sábados, pedem baldes d'água a vizinhos e deixam um pouco de ração e somem, por uma semana. Os animais magérrimos, iam morrendo de fome, sede e doenças. No dia 31/7/2002, percebi que nasceram 3 cachorrinhos. Como não havia comida, para que os maiores não devorassem os recém-nascidos, resolvi alimentar a todos. Comecei a jogar 5 kilos de ração, todos os dias, por cima do muro. Diariamente, também subia no muro e, com uma corda, descia um balde d'água. Não consegui proteger os recém-nascidos. Eles foram devorados. Os demais foram melhorando o aspecto, ficando menos raquíticos e conseguindo andar - pois nem todos conseguiam andar bem, de fraqueza. No dia 14/8/2002, vi dois animais mortos. No dia seguinte, como os donos não apareciam e urubus estavam rondando, resolvi serrar o cadeado do portão e, com algumas testemunhas, entrei no terreno, apanhei os corpos e os enterrei.
 
Em 19/8/2002, denunciei os fatos à Vigilância Sanitária da Prefeitura de Maricá. Fui atendido pelo sr. Igor, quem disse que tomaria as providências cabíveis, não sabendo precisar se pela Vigilância Sanitária ou pela Vigilância Ambiental. Explicou Igor que seriam enviadas multas. Esclareci que no local não há sequer caixa de correio. Como eles raramente aparecem, nem tomarão conhecimento das penalidades administrativas e financeiras. A ÚNICA SOLUÇÃO PARA ELIMINAR O RISCO DE PROLIFERAÇÃO DE LEPITOSPIROSE E VÁRIAS OUTRAS DOENÇAS É A PREFEITURA COMPARECER, COM ORDEM JUDICIAL E FORÇA POLICIAL, PARA CORTAR O NOVO CADEADO, ABRIR O PORTÃO, APREENDER OS ANIMAIS, LEVÁ-LOS DAQUI E DESINFECTAR O TERRENO.
Alfredo Vieira Castinheiras

Entre tudo que tem sido tentado pelo grupo de protetores de Maricá, para de algum jeito deter o problema da superpopulação animal, está um pedido desesperado de que NÃO SE APROVE PROJETOS QUE INSIRAM O USO DA CARROCINHA, para que não venha a ocorrer uma matança bárbara e indiscriminada de animais neste município. Assim sendo, que se faça junto com um apoio da Prefeitura, uma castração prévia e em grande escala dos mesmos, visando principalmente os animais da faixa mais carente da população, evitando assim o aumento futuro da população destes animais nas ruas do município, visto que, ser esse o método já internacionalmente reconhecido e recomendado pela sua eficácia em conter o aumento indiscriminado de cães e gatos.
Para quem não sabe, as carrocinhas são os "AuAuSchivitz" modernos, onde o animal somente imobilizado, vai muitas vezes vivo direto para o fogo.
A falta de responsabilidade não é só com os vira-latas: Um Husky Siberiano abandonado propositalmente por sua "dona" no centro de Maricá semana passada, ainda continua vagando sem rumo.

Veja na página da Suipa, o quanto de desespero e falta de recursos existe na questão.

www.suipa.org.br