18/07/2002
Jornal A TOCHA : Esporte, Cultura e Notícia
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REFLEXÃO

 Eis uma narrativa bem interessante e que serve para reflexão.
 
  Na vida profissional, fala-se muito na necessidade de mudança, na quebra  de paradigmas, em reconstrução e em reengenharia. E isso pode ser bom, mas   também pode ser uma armadilha.
  Foi o que aconteceu com a pulga.
 
  Duas pulgas estavam conversando e uma disse para a outra:
 
  Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí,   nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas no mundo: moscas voam.
 
  E elas tomaram a decisão de aprender a voar.Contrataram uma mosca como   consultora, entraram num programa intensivo e saíram voando. Passado algum   tempo, a primeira pulga falou para a outra: Sabe? Voar não é o   suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro. Portanto, o   nosso tempo de reação é menor do que a velocidade da coçada dele. Temos   que aprender a fazer como as abelhas, que sugam e   levantam vôo rapidamente.
 
  E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes   ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. Porque, como a primeira pulga explicou: Nossa bolsa para armazenar sangue é muito pequena, por isso temos que ficar sugando por muito tempo. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando adequadamente. Temos que   aprender com os pernilongos como é que eles ! conseguem se alimentar com   mais rapidez.
 
  E um pernilongo lhes prestou uma consultoria sobre como incrementar o   tamanho do abdômen. E as duas pulgas foram felizes. Por poucos minutos.
 
  Como tinham ficado muito maiores, sua aproximação era facilmente percebida   pelo cachorro. E elas começaram a ser espantadas antes mesmo de conseguir   pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha dos velhos tempos:
 
  Ué, o que aconteceu com vocês? Vocês estão enormes! Fizeram plástica?
 
  Pois é, nós agora somos pulgas adaptadas aos grandes desafios do século   XXI. Voamos ao invés de saltar, picamos rapidamente e podemos armazenar  muito mais alimento.
 
  E por que é que vocês estão com essa cara de subnutridas?
 
  Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai  nos ensinar a técnica do radar. E você?
 
  Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sacudida.
 
  Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as duas   pulgonas não quiseram dar a pata a torcer: Mas você não está preocupada   com o futuro? Não pensou em uma consultoria?
 
  E quem disse que eu não tenho uma? Contratei uma lesma como consultora.
 
  Hã? O que lesmas têm a ver com pulgas?
 
  Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês. Mas ao invés de dizer para a  lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse bem a situação e me  sugerisse a melhor solução. E ela ficou ali três dias, quietinha, só  observando o cachorro, tomando notas e pensando. E então a lesma me deu o  diagnóstico da consultoria: "Você não precisa fazer nada radical para ser
  mais eficiente. Muitas vezes, uma 'grande mudança' é apenas uma simples  questão de reposicionamento".
 
  E isso quer dizer o quê?
 
  O que a lesma me sugeriu fazer: "Sente-se no cocuruto do cachorro. É o  único lugar que ele não consegue alcançar com a pata".
 
  (Max Gehringer)