Prezados Ambientalistas, Voluntários e Simpatizantes,
Aos dias 9 e 10
de outubro, participando da 67ª reunião ordinária do CONAMA (minha
primeira participação oficial), após os trâmites regimentais pré-estabelecidos
(abertura da sessão; posse dos novos conselheiros; discussão da
ata da 66ª reunião ordinária; votação e aprovação da ata
anterior; informes; apresentação de requerimento de urgência,
pedidos de inversão de pauta, vistas ou retirada de matéria) iniciou-se
a apreciação da ordem do dia. Na ordem do dia constavam 7 pontos
para análise, discussão e aprovação, contudo somente 1 ponto
foi à plenário. O tema, que consumiu os 2 dias de trabalho voluntário
(no tocante a representação da sociedade civil), resultou
na aprovação de proposta de resolução que dispõe sobre o licenciamento
ambiental da atividade de carcinicultra em zona costeira.
Devido a complexidade do processo
administrativo que foi estabelecido para apreciação dos temas,
o ministro José Carlos Carvalho sugeriu (e o plenário aprovou)
a realização de uma reunião extraordinária ao dia 29/10 para
aprovar novo regimento interno do CONAMA. Após a decisão, contudo,
algumas representações da sociedade civil colocaram em dúvida
a legitimidade da atitude uma vez que o atual governo dispõe de
menos de três meses para findar.
Durante as discussões, trabalhei
junto às representações da sociedade civil e Ministério Público
afim de estabelecer critérios de avaliação, proposição e intervenção
que garantisse o interesse público e ambiental. Formalizamos,
assim, um bloco das ONGs ambientalistas, avalizada por instruções
técnicas de promotores de Justiça e procuradores federais, para
questionar medidas e propostas lesivas a coletividade. Apesar
da força de argumentos, comprovei, em minhas iniciativas, que
as determinações governamentais (em especial aquelas oriundas
do Governo Federal) possuem apelo junto àqueles que
estão enquanto representantes de instituições públicas federais,
estaduais e municipais. Mesmo sob pressão política, as representações
das ONGs ambientalistas argumentaram a cada momento polêmico.
Mesmo estando em minha primeira missão
junto ao CONAMA, apresentei em plenário (muito qualificado,
por sinal) proposições, que, inclusive, foram aprovadas. A participação
da sociedade civil prevista no artigo 6º e o parágrafo único do
artigo 9º foram resultados obtidos através da intervenção da representação
da APEDEMA/RJ. Vale lembrar que as propostas de resolução que
chegam à apreciação do plenário costumam passar por minucioso
trabalho de câmaras técnicas para fim pré-estabelecido, tornando propostas
de alteração de conteúdo alvo de discussões quase intermináveis.
Percebí, ainda, que muitas intervenções (aleatoriamente)
eram motivadas por pura vaidade de alguns membros conselheiros.
Quanto às demandas de ONGs
do Estado do Rio de Janeiro, notadamente de Angra dos Reis e Região
dos Lagos, esclareço que foram tratadas dentro do estabelecido
no regimento interno. O descumprimento do TAC da Ilha Grande
(em princípio seria uma Moção de apelo aos órgãos governamentais)
foi levado enquanto ponto de pauta para a próxima reunião ordinária, proposta
apoiada por 12 representações de ONGs. Já o projeto-de-lei em
tramitação no Congresso Nacional que dispõe sobre uso e ocupação
de áreas de marinha e aterros artificiais em rios (claramente
prejudicial ao meio ambiente) está sendo analisado pelos representantes
do Ministério Público para posterior argumentação.
Apesar das controvérsias oferecidas
pelo Governo Federal, e endossadas pelos Governos Estaduais, posso
afirmar que a socidade civil têm em suas representações junto
ao CONAMA uma boa oportunidade de tornar a gestão ambiental brasileira
verdadeiramente transparente e democrática.
Para melhor compreensão
dos resultados da última reunião ordinária do CONAMA, encaminho
em anexo texto da proposta de resolução sobre carcinicultura aprovada
e relatório desenvolvido pelo representante das ONGs da
Região Sul.
Lembro, também, que a
APEDEMA/RJ faz parte de algumas câmaras técnicas, como Ecossistemas,
Ecoturismo, Assuntos Econômicos e Proteção à Fauna, sendo
possível, quando solicitado por quem de direito, e aprovado pela
coordenação da APEDEMA/RJ, a delegação (ato que compete a minha
pessoa) a outrem para participar de suas reuniões e grupos de
trabalho (com passagens aéreas e ajuda de custo custeadas
pelo Ministério do Meio Ambiente). Quanto as reuniões ordinárias,
ou extraordinária, do CONAMA não posso abdicar de meu dever, estando,
contudo, a disposição de todos os ambientalistas para apresentar
propostas, sugestões, críticas e trabalhos que sejam de caráter
ambiental em nível nacional.
Ao amigos e companheiros,
um forte abraço,
Gerhard Sardo
Representante das ONGs da
Região Sudeste (mandato da APEDEMA/RJ) no CONAMA
Tel.(21) 2722-6020 / Cel.(21)
9999-4953