06/12/2002
RESTINGA: APA DE MARICÁ EM RISCO
(Texto resumo dos debates que estão acontecendo na PMM)
HISTÓRICO DA PROPRIEDADE

As áreas remanescentes da Fazenda de São Bento da Lagoa, situada da restinga de Maricá, vem sendo objeto de estudos por parte da FUNDREM instituição do Governo do Estado que foi extinta, desde 1975, quando seu proprietário, senhor Lucio Thomé Feteira, deu entrada na Prefeitura Municipal no Projeto de Urbanização da cidade de São Bento da Lagoa, encaminhado a Fundação para exame e parecer.
São Bento

CRONOLOGIA DOS TÍTULOS DE DOMÍNIO DA FAZENDA DE SÃO BENTO DE MARICÁ
1635 Na cidade do Rio de Janeiro o Sr Capitão Governador dá aos reverendos padres , em nome de sua majestade , as terras que pedem , não prejudicando a terceiros.
1675 Escritura de compra da Sesmaria dos Mourões, pelo Mosteiro São Bento
1675 Escritura de venda de D. Isabel Pedrosa ao mosteiro
1848 certidão da sesmaria de Frei Romano ratificando as terras
1856 declaração de terras que o Mosteiro de São Bento possui na freguesia de Maricá

1874 escritura de limites de terras, entre o Mosteiro São Bento e Dona Bárbara Rosado Paraíso
Marcos da nossa pré-história na APA
1880 escritura no Rio de Janeiro da venda que faz o Mosteiro de São Bento a D. Maria Feliciana Custodia de Castro
1903 escritura de venda por Dona Maria Jorgina de Conceição a Joaquim Mariano Alvares de Castro Junior que citava domínio útil lagoa brava
1913 registro no cartório do Rio de Janeiro venda de terras do Mosteiro de São Bento ao Coronel Joaquim Mariano de Castro Junior
1919 registro de titulo realizado em Niterói de propriedade do Mosteiro São Bento
1919 escritura de venda feita pelo Mosteiro de São Bento ao Coronel Joaquim Mariano Alvares de Castro Junior
19... Joaquim Mariano de Azevedo de Castro herda do Coronel Joaquim Mariano Alvares de Castro Junior e D. Isabel Franca Alvares de Castro
1943 Joaquim Mariano de Azevedo e Castro vende a fazenda São Bento de Maricá a Companhia Vidreira do Brasil COVIBRA
Liolaemus, cada vez mais ameaçado
1943 diversas averbações na venda supracitada foram realizadas como para a Comercio e Industria Atlântico S/A COMINAT
1948 COVIBRA arquiva a planta geral da Fazenda de São Bento
1970 venda da Cia Vidreira do Brasil a SEAI - Sociedade de Exploradores Agrícolas e Industriais S/A
1972 Lucio Thomé Feteira compra da Cia Urbanizadora São Bento da Lagoa a Sociedade de Exploradores Agrícolas e Industriais - SAEI

1976 Lucio Thomé Feteira hipotecou a São Bento Urbanização e Turismo Ltda. a área que resolveram designar " ventura property" para nela ser constituída uma comunidade denominada Cidade São Bento da Lagoa
Habitante legítmo da Restinga
1978 Cancela a hipoteca que grava o imóvel acima descrito e termo de responsabilidade de preservação da floresta feita pelo Sr Lucio Thomé Feteira
1984 termo de obrigações SERLA arquivado em cartório em nome Lucio Thomé Feteira

1989 LUCIO THOMÉ FETEIRA realiza promessa de Venda para CR ALMEIDA com transferência de 50% em troca ela realizaria as obras de infra estrutura para divisão da totalidade da área em lotes.
Marcos da nossa história

2000 LUCIO THOMÉ FETEIRA vende para TERRA OURO TERRENOS E INVESTIMENTOS LTDA
2000 Terra Ouro Terrenos e Investimentos S/A averba ter conhecimento termo de responsabilidade da preservação da floresta e termo de obrigações

Rara Pitanga branca

DEBATE SOBRE O HISTÓRICO APRESENTADO PELA PREFEITURA

Os Caminhos do Plano Diretor da APA:
1975 - Diretoria da FUNDREM recomenda medidas de preservação. Solicitação da FUNDREN não foi atendida pelo empreendedor.
1976 - FUNDREM elabora o Plano Diretor para o Município.
Maricá é um município turístico mas o município não tem oficialmente nem 1 cm de área de preservação. Em 75 a Câmara declarou que 70% do município e área urbana ou de expansão urbana o que precisa ser mudado.

A APA é Estadual e seu interesse extrapola os meros limites do município.
A APA é de interesse fundamental para esse município ser turístico.
1984 - PDU - Plano Des. Urbano de Maricá torna a área "non aedificandi".
Em 83 os vereadores por unanimidade aprovaram essa área correspondente a APA como sendo  "non aedifcandi", o que permitiu o Decreto 7230 de 84 que manteve a área agora APA, como "Non Aedifcandi".
P. D. U. Sub-Seção VII das zonas das zonas "Non-aedificandi".
APA paga imposto agrário.
Proposições Finais do Plano Urbanístico
Parcelamentos e ocupação do solo na Zona Especial da Restinga.
Sistema Viário Básico da Restinga.
Localização de Espaços e Equipamentos Públicos
Enquanto as ONGs brigam pela preservação, os "do poder econômico" menosprezam de todo jeito a APA

COMPLEMENTAÇÕES  AO HISTÓRICO
1981 - O IBDF oficiou a FUNDREM a intenção de criar um parque natural.
1983 - Novo projeto para a área elaborado pela empreendedor.
1983 - FEEMA considera o projeto inadequado. 1983 - Estabelecida a Área de Proteção Ambiental. APA de Maricá criada pelo decreto n° 7230 de 23/01/84 Averbações de Obrigações Dec. 7230/84 ?
Saneamento - Planos PDU Maricá = " non aedificandi" APA ?
Dr. Antonio Pires, representante do Sr. José Cintra

Art. 63° - Áreas consideradas como Non-edificandi" serão mantidas livres. podendo ser usadas como praças, jardins e outros tipos de áreas livres verdes para o uso recreacional e terão corno finalidade precípua:
a)evitar a erosão de terras
b)proteger sítios de beleza

c) abrigar exemplares da flora e fauna ameaçados de extinção

Drª Mey, uma memória viva da cidade
Art. 64° As áreas de elevação e coroas de morros em todo município, serão consideradas “Non-aedificandi" de proteção de encosta (ZNA) a partir da cota  100.

Art. 66º - Serão consideradas ZNA ..., assim corno as restingas, que funcionem como fixadores de dunas ou estabilizadores de mangues.

1988 - Vereadores Orpheu e Alberto Pinto anulam a área Non Aedificandi da APA infringindo o decreto estadual 7230 que criou a APA.
1988 - Última versão do Plano Diretor foi aprovada pela CECA em 29/08/88 Projeto de Loteamento pelo proprietário
1987 - Movimento Ambiental em Maricá
Drª Mey e seus muitos documentos que comprovam a ilegalidade da venda e de construções na Restinga
1991 - Após pressão da Comunidade a CECA torna sem efeito sua última deliberação.
1995 - SEMA, hoje SEMADES, elaboram novo plano diretor da APA.
- Sesmaria não tem aforamento quebra de cadeia sucessória (apurar sobre Jorgina) e o aforamento se ele existe, titulação terras do Mosteiro São Bento são contestatórias.  (importante para desapropriações, indenizações)
-
Segundo a FEEMA, 95% da APA é de preservação Ambiental por efeito da lei, segundo grupo de trabalho da APA Maricá (pela portaria CECA n° 1 de 21/06/95).
A Área florestal da APA é lavrada em cartório.
 
Jornal Território Livre, 05/12/2002
APA DE MARICÁ - Com a presença de representantes da Apalma, Amadec, Amea, Amabarra, Crea, Drª. Mey, Amea, Amabarra, PMM alem de mais representantes e sociedade civil, aconteceu dia 05/12/2002 de manhã no auditório da prefeitura municipal, um debate com essas entidades sociais e ecológicas do município, dando continuidade ao plano de elaboração do Plano Diretor da APA de Maricá, a nossa amada Restinga. No debate mediado por Franklin Coelho, a presença do Dr. Antonio Pires, representando a Terra Ouro, do Sr. José de Souza Cintra, que adquiriu de Tomé Feiteira a APA de Maricá, serviu para esclarecer alguns pontos, porem a louvável franqueza deste, não deixou dúvidas aos presentes que ao milionário dono da cervejaria e loteador de muitas paragens mais, não interessa a preservação sem lhe trazer retorno financeiro. O assunto vai continuar, aguardem que vem muita coisa aí.
NOTAS ZERO - É triste essa coisa de se depreciar algo que nem se conhece o suficiente. Entre as notas zeros dada hoje para algumas frases ouvidas no auditório da prefeitura referentes à Restinga e vindas dos defensores do poder econômico, alem do menosprezo destes pelas vidas ali existentes usaram o estado em que se encontra a área para tentar ridicularizar os trabalhos científicos que ali já foram feitos. Aparentemente para esses senhores, já que existe destruição tem-se mais é que destruir tudo, ou seja, se você encontrar alguém atropelado não o socorra, e sim passe de carro mais vezes sobre a vítima para completar o serviço, pois é mais cômodo.
Jornal Território Livre, 06/12/2002
...............Coluna de São José
APA E SUAS DISCUSSÕES - Aconteceu ontem mais uma rodada das discussões sobre o Plano Diretor da APA, promovida pela prefeitura enquando PDU. Apesar do "detalhe" de que esta (APA) é uma atribuição do Estado e não do Município, as ongs participantes não desistem de lutar pelos direitos ambientais de todos nós, alertas a qualquer nuance mais "engraçada" , como foi, por exemplo, a participação do representeante da Cintra, dona da restinga, que mostrou a tal empresa como a maior das interessadas desinteressadas. Novo round marcado para o dia 18 de dezembro, às 9 horas da matina, no auditório da Prefeitura. Com o slogan: LOTEAR A RESTINGA, JAMAIS!!!