04/09/2002

                

                       O CONTADOR DE PIADAS

                                                                                  José de Souza Soares

                                    Tenho falado bastante das belezas, das riquezas naturais e das figuras maravilhosas que vivem neste espaço fantástico que é o  Condado de Maricá, lugar que escolhi para viver e sentir o tudo que a vida oferece de bom e de graça, sem nada exigir  em troca.

                                        Aqui têm os canários de cantos maviosos, os galos que são eficientes despertadores, uma vegetação linda que tanto encanta os nossos olhos e nos proporciona um ambiente agradabilíssimo de viver. E ainda temos o privilégio de contar com profissionais de quase todos os segmentos da sociedade, que formam uma população bem diversificada. Pessoas que muito se destacam, pela dedicação as causas não só do bairro, como também do município em geral.

                                       A única coisa que não se vê neste bairro, é a presença do poder público municipal, que parece ter o prazer de se fazer ausente, só para atormentar nossos dias. Porque aqui falta limpeza pública (a coleta de lixo é precaríssima); falta conservação das ruas; falta limpeza dos bueiros; e falta uma iluminação adequada nos principais logradouros. A Prefeitura de Maricá demonstra claramente  não gostar muito do Condado, embora paguemos nossos impostos da mesma maneira que os outros munícipes.

                                       Porém, o que eu quero realmente falar agora, é de um carioca do bairro de Botafogo, que esta morando há pouco tempo aqui neste agradável espaço territorial. O Carlos Alberto, o Betão, que conheci num churrasco na casa da Tereza e do Ewerton Pinciara, um casal também morador novo do bairro e que adora viver em clima de festa nos fins de semana, sempre reunindo amigos para bater um bom papo, degustar uma picanha na brasa e saborear uma cerveja bem gelada. Foi num desses encontros que me  apresentaram o Carlos Alberto, o Betão, que ali estava com a sua esposa Marly.

                                       Gostei bastante, porque passei a conhecer  este humorista  nato, pois ele tem um jeito todo especial de contar uma piada com todo aquele requinte e espontaneidade que tanto engrandece a dita. Sua performance e o seu vasto e bem selecionado repertório (E que repertório!!!), nos proporcionou a todos ali presentes, sem dúvida nenhuma, uma tarde agradabilíssima.

                                       Em alguns cantos deste país que visitei, encontrei muitos contadores de piadas - que eu acho ser um dom divino - mas igual ao Betão conheci poucos, dado sua arte de encená-las sempre com os mínimos detalhes, que só um artista do seu quilate pode oferecer ao público que o assiste. Ele vive cada personagem que compõe a piada, com sotaque, gestos e tiques.

                                      Na verdade, o Betão, este ser amigo e brincalhão, que já contribuiu bastante com o seu trabalho para o engrandecimento deste país, certamente não encara a vida como se ela fosse uma grande piada, mas como um veículo para risos e muita alegria,  fazendo com que ela se torne mais suave e mais interessante de se viver, contribuindo para que esqueçamos os fantasmas, a violência e as incompreensões do dia-a-dia,  usando a graça e o humor que só uma piada bem contada oferece a todos nós seres humanos, mesmo que seja somente por alguns instantes. Até mesmo nós aqui do Condado, conseguimos com o seu humorismo, esquecer da grande piada de mau gosto que é o poder público municipal de Maricá, sempre ausente no nosso bairro.

                                 Bom, depois de conhecer todo esse seu talento, estou certo de que se o Betão passar pela porta do Projac, sem dúvida nenhuma, ele será contratado.