A violência em Resende está obrigando os
moradores a investir cada vez mais
na instalação de cercas elétricas para proteger suas casas. No bairro
Elite,
por exemplo, pelo menos 30% das 300 moradias já contam com o equipamento
instalado sobre muros ou grades. O sistema emite cargas de até oito
mil
volts , mas não letais. O choque, chamado de "inibidor", é pulsativo,
ou
seja, a vítima não fica grudada nos fios, mas pode ser arremessada
a metros
de distância.
A medida adotada pela população foi discutida num encontro promovido
pelo
Movimento Paz e Vida, que reuniu, no Colégio Estadual Olavo Bilac,
300
líderes religiosos, comunitários, representantes do poder público,
das
polícias Civil e Militar, e do Ministério Público. Em pouco mais de
um mês,
seis pessoas foram assassinadas na cidade. No mesmo período, aconteceram
mais de 20 assaltos a lojas e residências.
Mutirão para conter onda de violência
De acordo com o advogado Eduardo Linhares, um dos líderes da campanha,
as
idéias debatidas vão se transformar num mutirão para conter a onda
de
violência. "Nosso objetivo é envolver toda a sociedade em iniciativas
que
resultem em mais segurança e paz para os moradores. Não é possível
mais
tolerar que pessoas de bem continuem trancafiados como prisioneiros
em suas
próprias casas", afirmou Linhares.
"Já sofremos 10 assaltos somente este ano em nossa distribuidora de
gás.
Para evitar que os bandidos entrem também na nossa casa, colocamos
a cerca
elétrica, que nos custou quase R$ 1 mil", justifica a comerciante
Janaína
Bianc, 30 anos.
O assunto, porém, está provocando polêmica. "Essa história de que
a cerca
elétrica não mata é muito relativa. Dependendo da estrutura física
do
indivíduo, mata sim. O dono da propriedade teria que responder por
homicídio
culposo. Trata-se de um método perigoso, que coloca vida de terceiros
em
perigo, e que, com certeza, não é a melhor maneira de combater a violência",
afirma o comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar (BPM), coronel
Renato
Hottz. "Apesar de não existir nenhuma lei que impeça a instalação
desse tipo
de cerca, nós desaconselhamos tal procedimento, que pode causar sérios
acidentes", completa o chefe da Divisão de Fiscalização do Código
de Postura
de Resende, Sullim Frenk.
Brasil ainda não tem lei específica
O sistema de choque pulsativo é utilizado no mundo todo há mais de
quarenta
anos, principalmente no campo, para conter animais em áreas determinadas.
O
Brasil não tem lei específica sobre o assunto.
Vários municípios brasileiros adotam leis aprovando o uso do sistema,
como
em Curitiba (PR). Para Jaime Laércio D'ávila, 45, outro morador do
bairro
Elite, a cerca elétrica é mais eficiente do que qualquer sistema de
alarme.
"Os outros equipamentos de proteção só entram em ação depois que o
bandido
já está dentro da propriedade", explica. Segundo Flávio Moreira, gerente
de
uma loja especializada no setor, as vendas aumentaram 80% nos últimos
três
anos em Resende.
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