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Jornal
Costa Verde
Editor:
Elmo Pedroso # Jornalista: Bete Santos
Fone 2637-1558
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Agosto/Setembro
de 2002 - Ano X - Nº 78
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Tomado pela consciência
do amor ao próximo e dever cumprido, o então jovem Paulo Guilherme
Duque, acostumado a surfar em ondas altas, naquela tarde de novembro
de 1987, nunca imaginaria que teria o seu nome marcado na história
do país, usando os seus dotes praticados com o prazer o esporte."Eu
estava passando com meu fusquinha, quando fui abordado por um comandante
do exército que me pedia auxílio para tirar um dos seus homens-
rãs do mar, levado por conta de um avião de teste que havia caido"
lembrou Paulo.
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A
chefe de reportagem, Bete Santos, foi em Ponta Negra e entrevistou
o pescador Alberto José e Paulo Guilherme Duque, os Herois de Maricá.
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O mar naquele dia, como dizem
os pescadores - não estava para peixe - e mesmo assim Paulo não teve
duvidas e imediatamente se prontificou a ajudar.
"Estávamos em Ponta Negra, próximo ao canal ,tivemos que seguir de
carro ate Jaconé entrando pela propriedade de Roberto Marinho, para
que eu pudesse cair no mar e resgatar aquele homem, a mais ou menos
1 quilometro e meio da areia. O outro oficial que foi comigo disse
que seria impossível, pois a correnteza estava grande. Coloquei uma
roupa de borracha, por causa do frio da água e entrei com uma prancha
grande.
Quando lá cheguei o rapaz de mais ou menos 19 anos, forte, já estava
todo roxo e sem mobilidade nenhuma nos membros inferiores. Coloquei
ele , uma parte, em cima da prancha, de frente para mim e fui remando
com os braços. As ondas fortes vieram, mas não larguei ele e graças
a Deus conseguimos, com muito esforço, chegar na areia", contou Paulo,
ainda com satisfação, como se um filme passasse em sua cabeça.
Já o experiente pescador, José Alberto, nascido e criado em Ponta
Negra, e acostumado desde os 12 anos com as artimanhas do mar disse
que nunca tinha visto um acidente como aquele, “mesmo assim
tentamos entrar duas vezes, eu e meu amigo Orcídio, com o nosso barco,
mas tivemos problemas no motor e foi então que o Paulinho foi encontrado
para ajudar", disse.
A Medalha de Distinção, criada através do Decreto n° 58, de 14 de
dezembro de 1889 é concedida por atos de bravura, de dois em dois;
anos, ficou paralisada, em 92 por seis anos e desde que foi criada
nunca condecorou um civil por salvamento a um militar, sempre foi
o contrario, segundo informou Paulo G.Duque. |
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"Na época o comandante não
colocou nosso nome na ata de operação, por isso demoramos tanto
tempo para montar este quebra cabeças e receber esta homenagem. Eu
na realidade acho que bastava o agradecimento do Gaúcho por termos
salvado sua vida e pronto. Mas graças ao meu pai Paulo Duque,
conseguimos resgatar esta historia, que ficara marcada nos anais de
Maricá. O Ministério do Exercito enviou dois representantes que ficaram
durante dois meses apurando os fatos", finalizou.
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O pescador
Alberto José exibe, na porta de sua casa com orgulho,
a medalha merecida.
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| Acima: 1 Medalha de Distinção
de 2ª Classe, recebida por José do Nascimento Neto, pelo ato
meritório praticado em novembro de 1987, em Maricá, quando buscou
com persistência, sob difíceis condições, salvar um militar
que se afogava; 2 - Medalha de Distinçao de 1ª Classe, conferida
a Paulo Guilherme Milward Duque, pelo ato de socorro extraordinário
e de subido valor praticado em novembro de 1987, na Praia de
Jaconé, em Maricá, quando, com risco da própria vida, salvou
um militar que se afogava; 3 - Diário Oficial da União instituindo
a premiação. Fotos: Claudio Soares
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