22/04/2002
TURISMO RURAL
Sebrae apóia Turismo Rural em Araruama

Foi-se a época em que a atividade no campo era restrita ao exercício da agricultura e pecuária. Os tempos modernos vêm transformando o meio rural em espaço de pluriatividades, tendo o TURISMO RURAL despontado como atraente alternativa, tornando-se cada vez mais o preferido por grande contingente de pessoas com motivos de sobra - destacando-se o estresse resultante da vida atribulada nos grandes centros urbanos – para escolher lugares mais tranqüilos nas férias, feriados e/ou finais de semanas. A iniciativa surge em boa hora como expediente sob medida para os proprietários rurais face as idiossincrasias da economia agropecuária.

Através do Planejamento Estratégico de Turismo, o SEBRAE/RJ, em parceria com o Sindicato Rural, Emater, Turisrio, Associação Comercial e Prefeitura Municipal, está elaborando o PROJETO DE TURISMO RURAL visando criar um Circuito Turístico no município, cuja inauguração se programou para o dia 25 de maio deste ano. Reuniões neste sentido vêm acontecendo desde o final do ano passado contando com a participação de palestrantes e consultores do SEBRAE.

A idéia do projeto foi apresentado dia 21 de março em reunião na Casa de Cultura de Araruama com cerca de 80 parceiros e produtores, evento que teve a presença do prefeito Francisco Ribeiro. É a cidade empenhada em oferecer a seus visitantes a oportunidade de viver novos conceitos e valores, levando a efeito novos produtos turísticos e melhorando a qualidade de vida do cidadão.

Na busca por dados sobre a experiência na atividade, diversas visitas foram realizadas a localidades que já estão colhendo bons frutos, destacando-se o Circuito Ponte Branca localizado em Nova Friburgo (RJ) e o Vivenda Nova dos Imigrantes no estado do Espírito Santo.

Para o Circuito de Araruama a área escolhida situa-se entre o Morro Grande e São Vicente, estendendo-se por quase 20 km onde, num primeiro levantamento cadastral, foram diagnosticados 12 produtores envolvidos diretamente. O circuito será objeto de convênio com clientes potenciais da França que, aliás, já iniciaram o estabelecimento de parcerias com entidades brasileiras.

A indústria do turismo de um modo geral, como se sabe, transformou-se numa das atividades mais dinâmicas e promissoras do planeta, revelando índices de crescimento surpreendentes, sobrepondo-se ao poderoso mercado internacional de petróleo, de veículos automotores e de equipamentos eletrônicos. Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo trata-se do setor com maior participação – 8% – no Produto Bruto Mundial. Dados divulgados pela OMT (Organização Mundial do Turismo), organismo ligado à ONU, indicam que o setor deverá se tornar a principal fonte geradora de riquezas do século XXI.

Com relação ao Turismo Rural, tornou-se uma realidade ainda mais atraente, espécie de pedra de toque do segmento. Compreende o AGROTURISMO, onde o visitante aprecia e participa do modo de vida do ambiente rural, e o ECOTURISMO, utilização do patrimônio natural de forma sustentável, buscando sua conservação e a formação de uma consciência ambientalista. A lista de benefícios é extensa: nova fonte de renda, redução da rotatividade de pessoal, ampliação da capacidade de re-investimento na atividade produtiva, aquisição de novos clientes, divulgação do município e região, criação de oportunidades para novos negócios, criação de uma consciência ecológica, resgate da cultura local e regional, ampliação de investimentos em infra-estrutura, diversificação de renda, geração de empregos, preservação do patrimônio natural e cultural, melhoria da qualidade de vida local, melhoria da formação educacional do homem do campo, desenvolvimento do espírito de participação e parceria, diminuição do êxodo rural, diminuição dos problemas decorrentes do isolamento do homem do campo, diversificação dos pólos turísticos e tantos outros.

Estatísticas do Sul do Brasil demonstram que cada turista que se dirige à propriedade rural apenas para uma visita deixa em média R$ 15,00/dia e, caso permaneça por 24 horas, gasta R$ 50,00 (incluindo refeições). Como 76% dos turistas viajam em família, seus gastos diários podem chegar a R$ 200,00.

O segredo é mostrar ao turista o que ele quer ver. Conforme o diagnosticado nas pesquisas, as principais atrações ficam por conta da gastronomia típica, saborosa e higiênica, atividades produtivas que caracterizem a propriedade, a beleza natural, opções de atividades para acompanhar a rotina da propriedade, contacto com a cultura e tradição local, acesso fácil e possibilidades de compras de produtos típicos. Em suma ele deseja o rústico das instalações, desde que haja higiene.

Em Araruama, dentre as possíveis iniciativas a serem oferecidas destacam-se, no agroturismo, a observação e aquisição de produtos agroindustriais ou artesanais, no ecoturismo a integração com o meio onde a paisagem é o principal componente, no cultural o aproveitamento de recursos naturais e de costumes, no de aventura as atividades que mexam com a emoção, e no turismo esportivo prática de tais atividades em áreas rurais. Em termos de produtos e serviços destaque para o restaurante rural, hotel fazenda, pousada, chácara de lazer, pesque e pague, casa de chá, museu rural, atividades eqüestres, casa de repouso e trilhas.

Mas embora a esteira de possibilidades, o Turismo Rural não é empreitada simples. Exige o domínio de tecnologia e competência dos proprietários ou outros administradores que devem contar com assessoria de especialistas seja no que tange a planejamento, seja no processo de implantação e implementação. Araruama está contando com o apoio do SEBRAE local que vem oferecendo apoio técnico para a implantação do projeto, bem como cursos de artesanato e agronegócios e treinamento empresarial.

Iva Maria Carvalhaes
Ass. de Comunicação do Sebrae