04/04/2002

SE NÃO FOSSE A LUA...

 

                                                                       José de Souza Soares

 

                                   Se não fosse a Lua, nós aqui do Condado teriamos uma semana santa somente de trevas, visto que a CERJ não teve pena dos humildes e pontuais moradores, impondo a todos um apagão doloroso. A interrupção do fornecimento ocorria todos os dias, precisamente ao entardecer na boca da noite - como diz o poeta - nos privando de assistir os principais programas de Tv e de ouvir um som maneiro, bem no clima de um local aconchegante como é aqui o Condado. Como é má esta famigerada CERJ, a nossa Cruela Cruel, que tira verdadeiramente a gente do sério.

                                   Mas, a lua nossa amiga e companheira das noites de boemia, com todo seu lirismo fez com que nosso bom humor não fosse para o brejo, ou para os quintos do inferno. E gentilmente, sem cobrar nenhum centavo, nos forneceu sua luz maravilhosa e poética, fazendo com que a gente até esquecesse um pouco da escuridão imposta pela cruel concessionária de energia elétrica, que sem nenhum romantismo só nos faz ficar furioso.

                                   Foram, sem dúvida, noites lindas de Lua Cheia, que iluminando todo o bairro, numa claridade imensa, nos fazendo lembrar os versos e as canções de Candido das Neves e Chiquinha Gonzaga, que souberam retratar tão bem a Lua, ou de Orestes Barbosa na sua famosa Chão de Estrelas, quando ele diz: tu pisavas nos astros distraída sem saber que a aventura desta vida, é a cabrocha, o luar e o violão. O lirismo esteve presente neste pedaço de chão maricaense. E se por um lado a CERJ cruelmente quis nos sacrificar, por outro a Lua nos deu a alegria fornecendo a sua luz, sem precisar ligar para nenhum 0800, ou sem a necessidade de reclamar ao Procon. Tudo foi de graça, tudo foi romântico, com muito amor e  ao natural.

                                   A noite estava linda enluarada quando a voz já bem casada eu ouvi de um trovador... Talvez Candido das Neves – nosso saudoso Índio, como era chamado - já em uma de suas belas canções previa o que seria de nós, consumidores cansados de esperar por um bom serviço de uma concessionária de energia de nome CERJ.