José de Souza
Soares
Se não fosse a Lua, nós aqui do Condado teriamos uma semana
santa somente de trevas, visto que a CERJ não teve pena dos humildes
e pontuais moradores, impondo a todos um apagão doloroso. A interrupção
do fornecimento ocorria todos os dias, precisamente ao entardecer
na boca da noite - como diz o poeta - nos privando de assistir
os principais programas de Tv e de ouvir um som maneiro, bem no
clima de um local aconchegante como é aqui o Condado. Como é má
esta famigerada CERJ, a nossa Cruela Cruel, que tira verdadeiramente
a gente do sério.
Mas, a lua nossa
amiga e companheira das noites de boemia, com todo seu lirismo
fez com que nosso bom humor não fosse para o brejo, ou para os
quintos do inferno. E gentilmente, sem cobrar nenhum centavo,
nos forneceu sua luz maravilhosa e poética, fazendo com que a
gente até esquecesse um pouco da escuridão imposta pela cruel
concessionária de energia elétrica, que sem nenhum romantismo
só nos faz ficar furioso.
Foram, sem dúvida, noites lindas de Lua Cheia, que iluminando
todo o bairro, numa claridade imensa, nos fazendo lembrar os versos
e as canções de Candido das Neves e Chiquinha Gonzaga, que souberam
retratar tão bem a Lua, ou de Orestes Barbosa na sua famosa Chão
de Estrelas, quando ele diz: tu pisavas
nos astros distraída sem saber que a aventura desta
vida, é a cabrocha, o luar e o violão. O lirismo esteve presente
neste pedaço de chão maricaense. E se por um lado a CERJ cruelmente
quis nos sacrificar, por outro a Lua nos deu a alegria fornecendo
a sua luz, sem precisar ligar para nenhum 0800,
ou sem a necessidade de reclamar ao Procon. Tudo foi de graça,
tudo foi romântico, com muito amor e
ao natural.
A noite estava linda enluarada quando a voz já bem casada
eu ouvi de um trovador... Talvez Candido das Neves – nosso
saudoso Índio, como era chamado - já em uma de suas belas canções
previa o que seria de nós, consumidores cansados de esperar por
um bom serviço de uma concessionária de energia de nome CERJ.