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As duas maiores cidades
do Brasil demonstraram, nos últimos dias, uma preocupação maior
com os animais. Primeiro foi o Rio, que garantiu direitos trabalhistas
aos bichos. Agora é São Paulo, que passa a exigir carteira de identidade
de cães e gatos.
Daqui a seis meses, cachorro que andar sem documento vai ser levado
pela carrocinha. Vai ser preciso uma carteira de identidade para
cães e gatos de São Paulo. De um lado, os dados do dono. Do outro,
os do animal. O número da identidade tem que ficar na coleira.
"Essa lei responsabiliza o dono pelas atitudes do cachorro, o que
não existia antes", diz o vereador do PSDB, Roberto Tripode.
Ela regulamenta desde quantos bichos uma pessoa pode ter em casa,
até como eles devem ser tratados. E estabelece multas: sem documento
ou sem coleira, R$ 100. O mesmo para quem não avisar, com placa,
que a casa tem cão bravo. A maior multa é para propagandas que digam
que o pit bull, por exemplo, é um animal feroz - a difamação custa
R$ 2 mil.
Mas a sujeira das calçadas tem punição leve: só R$ 10. "Nós não
estamos preocupados com a multa, mas com que a população comece
a ficar mais conscientizada do que significa ter um animal", fala
Necira Armani, do Centro de Controle de Zoonoses.
Ela sabe bem. Dirige o departamento da prefeitura que recolhe os
bichos nas ruas. E sacrifica 300 cachorros por dia.
Tem mais cães e gatos em São Paulo do que moradores na maioria das
cidades brasileiras: 1,3 milhão. A lei não protege metade deles:
700 mil bichos sem teto e sem dono.
Como não há um método eficaz de identificação, a lei não vai parar
com uma crueldade: todos os dias, centenas de cães são abandonados
em São Paulo. E, e não forem adotados, são sacrificados.
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