17/02/2002
Prefeitura de São Paulo passa a exigir carteira de identidade de cães e gatos
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  As duas maiores cidades do Brasil demonstraram, nos últimos dias, uma preocupação maior com os animais. Primeiro foi o Rio, que garantiu direitos trabalhistas aos bichos. Agora é São Paulo, que passa a exigir carteira de identidade de cães e gatos.

Daqui a seis meses, cachorro que andar sem documento vai ser levado pela carrocinha. Vai ser preciso uma carteira de identidade para cães e gatos de São Paulo. De um lado, os dados do dono. Do outro, os do animal. O número da identidade tem que ficar na coleira.

"Essa lei responsabiliza o dono pelas atitudes do cachorro, o que não existia antes", diz o vereador do PSDB, Roberto Tripode.

Ela regulamenta desde quantos bichos uma pessoa pode ter em casa, até como eles devem ser tratados. E estabelece multas: sem documento ou sem coleira, R$ 100. O mesmo para quem não avisar, com placa, que a casa tem cão bravo. A maior multa é para propagandas que digam que o pit bull, por exemplo, é um animal feroz - a difamação custa R$ 2 mil.

Mas a sujeira das calçadas tem punição leve: só R$ 10. "Nós não estamos preocupados com a multa, mas com que a população comece a ficar mais conscientizada do que significa ter um animal", fala Necira Armani, do Centro de Controle de Zoonoses.

Ela sabe bem. Dirige o departamento da prefeitura que recolhe os bichos nas ruas. E sacrifica 300 cachorros por dia.

Tem mais cães e gatos em São Paulo do que moradores na maioria das cidades brasileiras: 1,3 milhão. A lei não protege metade deles: 700 mil bichos sem teto e sem dono.

Como não há um método eficaz de identificação, a lei não vai parar com uma crueldade: todos os dias, centenas de cães são abandonados em São Paulo. E, e não forem adotados, são sacrificados.