22/03/2002
ATA DA 1a. SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE JUSTIÇA AMBIENTAL
            Em 27 de fevereiro de 2002 às 10:30 horas, no Palácio Nilo Peçanha, Niterói-RJ, teve início a 1a. sessão extraordinária com os membros do CEREJA. O Sr. Gerhard Sardo, coordenador do CEREJA, abre os trabalhos informando que por motivos das demandas apresentadas na 5ª  reunião ordinária do CEREJA realizada no dia 20/02/02, convocou-se a 1ª sessão extraordinária para discutir os seguintes assuntos de pauta: epidemia de dengue, solicitada pela SAPLAM; implantação da torre celular em Itacoatiara, solicitada pela SOAMI; Consórcio Baía Azul e termelétrica de carvão de Itaguaí, solicitada pela APREC.
            Com a palavra a Dra. May Terrel, da ONG SAPLAM, que traz para discussão relatórios e pesquisas realizadas por ela a respeito da dengue: “a dengue não pode ser tratada por qualquer médico, pois se exige um caráter emergencial”. Denuncia o plano nacional de erradicação da dengue “vem de um modelo estrangeiro que a exemplo de Cuba houveram casos de intoxicações por produto químico”. “Querem implantar aqui a borrificação aérea não percebendo as pessoas alérgicas, o mosquito da dengue tem que ser combatido na larva, pois em 30 dias de vida útil do mosquito este pode contaminar 300 pessoas. A viremia de dengue causa efeitos colaterais, deve-se evitar a picada. Existe muita intoxicação e pouca informação”.  Sugere a distribuição de areia para as comunidades colocarem nos pratos das plantas. “O dinheiro gasto em veneno proibido no mundo para ser colocado aqui pode-se encontrar soluções eficazes e de baixo custo. Estão colocando produto altamente tóxico em caixas d’água. Fumacê também não adianta pois 80% dos mosquitos são resistentes, existe apenas o efeito psicológico do governo está fazendo alguma coisa. Os cemitérios são lugares foco da larva do mosquito.  As ações devem ser preventivas: usar ar condicionado pois o mosquito não gosta de temperatura abaixo de 18 graus, ou um bom ventilador que desequilibra o vôo do mosquito. Os pacientes de dengue devem ser isolados e não ficarem em filas de hospitais. Deve-se combater a alergia, pois a dengue tipo I e II acarreta dengue hemorrágica. A dengue não está sendo tratada corretamente pelos seus sintomas se confundir com outras doenças como gripe, sarampo, etc.”. Dra. May solicita ao CEREJA que analise o relatório e encaminhe aos órgãos competentes.
            Gerhard se compromete encaminhar aos órgãos para medida cautelar, apelo ou protesto. Luiz Eduardo Rocha, da Feema, sugere se fazer uma avaliação, trazer pessoas qualificadas para identificar problemas colaterais, que tipo de interferência se cria na cadeia. Hilton Jordão se propõe a remeter cópia do parecer da Dra. May para médico da Fiocruz amigo e professor. Vera Lúcia de Sá B. Perem, da AMAITA, sugere chamar peritos para parecer para futura ação cautelar. Luiz Eduardo Rocha, da Feema, acha que deve-se descobrir para cada situação um procedimento eficaz . “O que é preciso ser feito? Questão é emergencial? Busca-se soluções alternativas? Não tem um fio condutor para análise da situação, não adianta ter reações políticas e emotivas, deve-se usar a inteligência aberta”. Gerhard intervêm perguntando a Dra. May o quê deseja, “um encaminhamento ao governador?” Dra. May responde que sim para este encaminhar ao secretário de saúde e meio ambiente, e mudar o modelo.
            Com a palavra a Tenente Rosa, do BPFMA, diz que “é possível mudar o modelo a exemplo do caso da PMERJ na formação de monitores ambientais em grêmios de cada colégio, onde se fornece cursos de iniciação de chefia e liderança. Direcionando as ações a faixa etária de crianças e adolescentes, movimentando esta massa se tem resultado a médio prazo. Formar convênio com prefeituras. Sugere colocar a questão da dengue no programa desenvolvido por ela de forma acessível.
            Dra. May Terrel solicita uma ação impeditiva em relação as borrificações aéreas. Gerhard responde que vai analisar e fazer proposta de moção em Diário Oficial na próxima reunião.
            Luiz Eduardo Rocha, da Feema: “a epidemia tem uma velocidade de expansão, é possível uma ação do governo, mas é essencial a informação para um conjunto de medidas. Exemplo de solução preventiva barata que foi recebida pela internet de uma acadêmica de São Paulo é aplicação da borra de café. A sociedade está organizada em associações de classe, usá-las para distribuição de cartilhas com opinião das universidades e instituições de pesquisa. Divulgação através das escolas públicas e privadas, internet, etc.”.
            Omar Serrano de Abreu, do SOS Lagoa: “existem instâncias distintas para se trabalhar, preventiva e emergencial, documento simplificado para formadores de opinião e uma cartilha de lado prático para população, buscando consenso de orientação acadêmica”. Gerhard pede a colaboração de todos na busca dos técnicos.
            Com a palavra a representante da Associação de Moradores de Itacoatiara que fala sobre a disseminação de torres de antenas de celulares: “Alerta sobre o problema de que crianças e velhos não podem ficar expostos a irradiação. Não existe uma legislação específica em Niterói, mas através de informações buscados em sites de instituições de pesquisa da Alemanha existem indicações de que estas torres causam dano a saúde da população. Pode-se colocar um medidor que qualquer órgão ou associação pode monitorar. A distância legal de uma antena para outra é de 500 m, estão sendo colocadas a menos de 100 m. O quê o CEREJA pode fazer legalmente para impedir a colocação da antena?”
            Gerhard responde que desconhece regulamento que imponha a proibição da colocação das antenas. O Ministério Público está tendo dificuldade de encaminhamento. O CEREJA pode intermediar a aprovação de uma lei com urgência na Assembléia Legislativa. Vera Lúcia de Sá da AMAITA intervêm dizendo que na duna de Itaipu, colocaram uma antena. Foi feito um abaixo assinado em Itacoatiara, as ações não andam.
            Jorge  Sutter, da SOAMI, se referencia a legislação em Brasília tramitando na Câmara de Deputados, existe legislação própria em Londrina/PR. O caso específico de Itacoatiara e Itaipu é de que desrespeita leis ambientais, as antenas estão em área de proteção ambiental.
            Luiz Eduardo Rocha, da Feema: “Trabalhou 30 anos em telecomunicações (Embratel), o sistema de telefonia celular opera supondo que uma base de celulares. A capacidade de atendimento depende das antenas, conforme a pessoa se desloca passa para outra antena. Não tem jeito do serviço funcionar sem a antena”. A representante da Associação de Moradores de Itacoatiara diz que nos E.U.A existem instaladas nos prédios mas na área residencial é proibido. Luiz Eduardo responde que há uma preocupação de monitorar a irradiação, mas devido ao caráter econômico-financeiro no mundo não tem como conter o avanço tecnológico.” Jorge Sutter, da SOAMI: “a exemplo do cigarro onde se provou ser prejudicial à saúde, existem leis em diversos países. As antenas de Itacoatiara e Itaipu devem ser questionadas pelo impacto ambiental.”
            A representante da Associação de Moradores de Itacoatiara diz que através da pressão popular de devolução dos telefones fixos a Telefônica recuou em instalar uma antena, foi argumentado que a população que utiliza celular é flutuante e de curta duração. Itacoatiara é uma praia de surfistas e estes não usam celular.
            Capitão Rebello, da CECA, se pronuncia: “normalmente a antena é instalada no terreno que alguém cede por contrato particular. Se não pode ter antena próxima a residência, tem que subsidiar as informações, discutir mais o problema, checar as informações e apresentar proposta, ter instrumentos para agir.”
            A representante da Associação de Moradores de Itacoatiara diz que: “uma antena de 30 m num prédio de 10 andares não precisa criar uma lei específica, existe a lei de invasão do espaço aéreo. Leis ambientais, foi levantada toda a documentação mais um documentário da TV Senai com médicos sobre irradiação de celulares.”
            Omar Serrano de Abreu, da SOS Lagoa, diz: “precisa considerar o Plano Diretor que prevê a área residencial. Pessoas que tem compromisso fiscal de IPTU se cede para comércio, como foi feita esta cessão? Houve desmembramento? Deve-se pagar pelo lucro extraordinário. É preciso um estudo de pacto de vizinhança.”
            Dra. May Terrel exemplifica o “Plano Diretor de Maricá, permite antenas a 2 ou 3 m das casas, tem fotos comprovando, a lei permite a 500 m. Existem problemas sérios de saúde, possui documentação com todos os danos, área da lagoa toda ilegal. As antenas estão atraindo raios, causando problemas. A Embratel instalou em local correto, área isolada e preparada, esta poderia ser usada pelas outras e não ficar colocando onde quer.”
            Gerhard diz que irá somar informações e fazer o encaminhamento. Informa a pauta da próxima reunião: termoelétrica de carvão e Sepetiba II, e do encaminhamento para publicação em Diário Oficial a Câmara Técnica das Lagoas com seus componentes. Comunica audiência pública no dia 12/03/02 no Engenho do Mato e dia 14/03/02 em Itaipuaçu sobre a delimitação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Intermediação das ONGs na carta de intenções com ADEMI, com o testemunho do Secretário de Justiça e o Promotor de Justiça, assumindo seis compromissos com as ONGs.
Tendo se esgotado a pauta, o Sr. Gerhard agradece a presença de todos e encerra a reunião às 12:20 horas.
 
Niterói, 27 de fevereiro de 2002.
 
Este é o conteúdo,
 
GERHARD SARDO
COORDENADOR DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE JUSTIÇA AMBIENTAL
 
 
ParticipantesÓrgão/Instituição
1.      Tenente RosaBPFMA
2.      Não identificadoBPFMA
3.      Solange MattosCEREJA
4.      Gerhard SardoCEREJA
5.      Hilton JordãoCEREJA
6.      Omar Serrano de AbreuSOS Lagoa
7.      Nestor Prado JrABE – Assoc. Brasileira de Ecologia
8.      Lúcia Regina T. MendesIEF/RJ
9.      Alberto PimentaDGAC/RJ
10.  Dra. May Terrel EirinSAPLAM
11.  Vera Lúcia de Sá B. PeremAMAITA
12.  Leila Maria Walter de Medeiros BrunoSOAMI
13.  Ana Maria Campos PalhermoSERLA
14.  Jorge SutterSOAMI
15.  Kátia ValladoSOAMI
16.  Luiz Eduardo da RochaFEEMA
17.  Valdemir Rebello CortáSEMADS/CECA
18.  Ricardo Hallais Walsh-
19.  Orlando Caputo JrCEREJA

 
 
Elaborada por: Solange Maria S. Nunes Mattos (Assessora da Coordenação do CEREJA).