ATA REUNIÃO REALIZADA
NO DIA 19/02/02, PELO CENTRO DE REFERÊNCIA DE JUSTIÇA AMBIENTAL
– CEREJA - NO AUDITÓRIO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE MARICÁ.
Em 19 de fevereiro de 2002, às 14:25 horas, no auditório da sede
da Prefeitura Municipal de Maricá, Centro de Maricá - RJ, teve
início reunião com os representantes da Prefeitura de Maricá,
representantes da sociedade civil e o CEREJA, para definir as
medidas do Poder Executivo local junto aos problemas identificados
no loteamento Recanto III (Morada das Águias), em Itaipuaçu.
O Sr. Gerhard Sardo, coordenador do CEREJA, inicia a reunião agradecendo
a presença e pedindo para que os componentes da mesa se apresentem.
Após apresentação dos participantes, dá-se o início da pauta da
reunião com a identificação dos principais problemas em Itaipuaçu.
Tendo em vista que a região do Vale da Penha não fará parte do
Parque Estadual da Serra da Tiririca, portanto, estará sob administração
do Município. Então, a comunidade deseja saber que providências
serão tomadas e em que tempo. Questionada à Prefeitura qual será
a medida em relação a ocupações irregulares, saneamento básico,
coleta de lixo, limpeza de ruas, drenagem, posto de saúde, arborização
pública, poço comunitário, questões que competem a Prefeitura.
Gerhard passa a palavra ao Sr. Luís Carlos Bittencourt Coelho,
secretário municipal de Planejamento, Desenvolvimento Sustentável
e Infra-Estrutura, que por sua vez solicita que o encaminhamento
inicial seja feito pelo Sr. Gentille, superintendente regional
de Itaipuaçu. Com a palavra o Sr. Gentille: “dentro do planejamento
da Prefeitura em 2002 consta limpeza e conservação das ruas.
O loteamento em Itaipuaçu foi feita de forma precária, pois as
ruas foram abertas pelos loteadores, em que no máximo é passada
uma camada de barro. Esta situação resistiu por algum tempo, enquanto
havia pouco movimento, hoje há muito movimento, e a demanda da
comunidade vai sendo atendida conforme sua solicitação. As ruas
com tráfegos mais pesados foram atendidas, mas defrontamos com
problemas de saibro. Deve-se fazer uma intervenção global no Recanto
III, com retirada de lixo, exame das ruas para se saber onde precisa
de aterro, verificando onde pode resolver o problema só com uma
máquina. Existem poucas máquinas e poucos recursos, a limpeza
e conservação se encontram neste quadro, não se tem idéia de prazo”.
Gerhard intervêm solicitando um cronograma com pequenas metas.
Sr. Gentille responde que tarefas que não foram executadas antes,
não tem um cronograma temporal. Pois podem surgir situações emergenciais
imprevistas que deslocam os recursos. Ressalta a diferença entre
coleta de lixo urbano e locais definidos para depósito de lixo,
há a preocupação com a dengue. Com relação ao saneamento básico,
está se tentando resolver o problema junto com a Cedae, pois Itaipuaçu
cresceu de forma desordenada, o sistema de drenagem tem dificuldades.
O superintendente de Obras e Serviço Público complementa a fala
do Sr. Gentille sugerindo uma parceria para colocar material no
sistema de drenagem de forma que a água escorra lateralmente.
Luis Carlos B. Coelho, secretário
municipal, exemplifica procedimentos errôneos de operários que
trabalham nas máquinas, pede ajuda a comunidade para fiscalizar.
Solicita que a comunidade organizada em associações protocolem
denúncias na Prefeitura, tirando uma foto da irregularidade. “Marica
ao contrário dos outros municípios, tem problemas sérios de vazão.
Foi feita a desativação de uma invasão feita por 5 pessoas à luz
do dia, através de uma denúncia se desbaratou a invasão. Em 5
anos se vê uma diferença muito grande, hoje a cidade recebe pessoas
que não tem ocupação. A postura do governo em relação aos camelôs
foi aloca-los num local adequado. O que têm ajudado a corrigir
as irregularidades são as denúncias. A imprensa não divulga os
pontos positivos. Há um mês e meio todos os sábados e domingos
em horário integral 3 fiscais de posturas e de obras saem de carro
para verificar as invasões. O poder público está presente em Itaipuaçu,
APA de Maricá, Barra de Marica, etc. Porém, o resultado é lento.
O governo atual herdou um problema crítico de invasões já que
os governos passados não deram atenção a esta questão, é necessário
um trabalho constante e foi largado. Em Maricá existe a cultura
de loteamento e não de condomínio, 80% do município foi
loteado, quando o loteamento é pequeno há uma certa organização,
já em casos de loteamentos grandes como ocorre em Itaipuaçu cada
um vai para o seu lado, as demandas são pulverizadas. É interesse
fazer o melhor possível, ninguém é candidato à nada, têm se feito
tudo para atender as demandas”.
Representante da comunidade
pergunta se a Prefeitura continua dando licença para 2 casas em
um terreno. Secretário municipal responde para se fazer denúncia,
na Barra de Marica foi feita uma cabeça de porco embarcada e não
respeitada, o caso está no Ministério Público Estadual. “Até
o carnaval passado as pessoas vinham com barracas e os ambulantes,
a Prefeitura não ganhava nada, agora se cobra taxa sobre o uso
do solo, se conseguiu arrecadar R$ 20.000,00 quanto antes não
se arrecadava nada”.
Secretário municipal
pede que traga o processo para verificar. Sr. Luís Roberto Sertã,
superintendente de Meio Ambiente, retruca que melhorou muito em
relação aos outros anos.
Gerhard
intervêm resgatando a questão da drenagem. Regina Rabello, da ONG
MEI, ressalta que o problema é mais complexo: “moramos em
lugares planos debaixo de uma montanha, a água desce sem filtragem,
foram anos de roubo de areia. Devemos discutir com a comunidade
e técnicos, pedir ajuda ao Estado”. Observa que “antes
de sair atropelando, queremos obras corretas, senão vamos gastar
um dinheirão que não vai adiantar em nada, teremos apenas obras
de maquiagem”. Pleiteia uma política pública para habitações
populares, pois “Maricá é simpático porque está perto do Rio
e Niterói, podendo trabalhar nestas duas cidades”.
Sr. Domingos Bonfim,
do Recanto III, intervêm lembrando do “relevo cheio de morros,
quando a chuva vem destrói tudo, a água desce com violência, escoamentos
de manilhas são soluções paliativas, não resolvem o problema”.
Gerhard indaga se a Prefeitura tem
orientação da Serla. Sr. Gentille responde que não, “as soluções
são paliativas, existe a preocupação de não transferir o problema.
Acha que em Itaipuaçu é certo um sistema de cintas para carregar
a água para o mar”. Regina Rabello, da ONG MEI, acha que a
primeira solução seria o estudo. Superintendente de obras acha que
a Serla devia ajudar a executar um serviço definitivo.
Gerhard propõe
que se a Prefeitura não dispõe de técnicos para executar as obras,
deve-se marcar para próxima quinta-feira reunião com a Serla.
Jussara Cândido Fontoura, presidente
da AMAVAPE, pede obra urgente mesmo que seja paliativa, aterro de
áreas alagadas, das valas abertas, até que se tenha o projeto definitivo.
Secretário municipal informa que se está se fazendo algumas ações
para a melhoria da Av. das Esmeraldas.
Alexandre Savalla, presidente
da ONG AMORADA, diz que as melhorias que foram feitas foi devido
a iniciativas da Associação de Moradores.
Secretário municipal diz que não
vai dizer um cronograma para Itaipuaçu, prometendo empenho na recuperação
de algumas áreas abandonadas, na melhoria de acesso a Itaipuaçu.
Propõe reuniões uma vez por mês, para daqui a um mês mostrar o quê
foi feito, para discutir resultados.
Maria do Anjos, da ONG MEI,
pergunta “quando um proprietário compra um terreno perto do
canal e assoreia o canal ele não é responsável por isso?”
Ela já conversou com ele sem resultado, “já pegou peixe dentro
de casa na última enchente devido a isto, ele deveria ser intimado
para consertar o que estragou”.
Ricardo Vieira, da ONG
AMORADA, sugere o exemplo do loteamento Morada Azul que mandou carta
para moradores que reclamaram do acesso, os moradores tiveram a
iniciativa de melhorar o acesso triplicando o preço dos imóveis.
“O governo vai acabar e vai acessar todos os locais, deve-se
freiar as invasões”. Sr. Gentille, superintende regional de
Itaipuaçu, diz que “ajudamos na limpeza, fornecemos contato
para entulho, a Prefeitura não tem recurso com periodicidade”.
Secretário municipal responde que não é contra as reivindicações,
pelo contrário.
Gerhard solicita para direcionar a atenção para o Recanto III, que
é o ponto mais crítico. Exemplifica que a Prefeitura de Niterói,
que tem mais recursos não resolve os problemas de drenagem de Itacoatiara,
que é uma região de com moradores de alto poder aquisitivo. Pergunta
se o Município de Maricá possui plano diretor. Secretário municipal
responde que tem plano diretor aprovado por lei e que vai ser feito
uma atualização. Diz que “não adianta ter se não cumpre, exige-se
um mínimo de trabalho com postura. Não tem resultado imediato, mas
é uma forma de repressão”. “Está sendo providenciada
a entrada de 20 fiscais de obras e de postura, 20 fiscais de tributos
e 2 topógrafos, a Prefeitura estará se aparelhando com a licitação
de 3 veículos para obras e posturas e 3 veículos para tributos.
Efetivamente haverá uma melhora a partir de março com a entrada
dos novos fiscais. Os agentes fiscais que hoje existem tem limitações,
enquanto os fiscais tem poderes legais para atuação. A idéia é alocar
os fiscais nos locais de forma descentralizada. Hoje é usado carros
de outras secretarias para fiscalização aos sábados e domingos,
quando estes não são usados”.
Regina Rabello, da ONG MEI,
indaga da possibilidade de obras a longo prazo. Secretário municipal
faz alusão a “estrada dos cajueiros onde há uma concentração
urbana e a comunidade será beneficiada com 4 km e 300 m com ponte.
Trabalho de drenagem dentro do 3º distrito comunidade de posseiros,
R$ 7 milhões que estão sendo colocados para melhoria do município”.
Gerhard intervêm dizendo que “a Prefeitura vêm mostrando que
tem vontade de resolver os problemas e a população está desesperada
para resolvê-los, mas temos que ter objetivos. Recanto III é o ponto
mais crítico, devemos reforçar as ações da Prefeitura e tentar cooperação.
Propõe que num prazo de 2 semanas, os atores sociais e políticos
envolvidos com os problemas da comunidade façam uma vistoria no
local em parceria com a Serla e IEF. Sugere o dia 07 de março (quinta-feira),
às 10 horas, para realizar nova reunião na da AMAVAPE, com a participação
da Serla e IEF. “Iremos formular uma comissão de ação para
trabalhar com a Prefeitura, fazer uma campanha de esclarecimento
ao público, formular um plano de metas, um planejamento urbano para
evitar as invasões irregulares.”
Sr. Gentille lembra que qualquer
planejamento requer levantamento de moradores. Gerhard diz que isto
vai ser feito pela comunidade através da constituição de Câmara
de Ação Voluntária a ser constituída por resolução da Secretaria
Extraordinária de Justiça. Sr. Gentille lança um desafio a comunidade
para refletir o que ela acha que vai acontecer daqui 1 ano, como
ordenar o crescimento da população.
Tendo se esgotado a pauta, o Sr.
Gerhard Sardo agradece a presença de todos e encerra a reunião às
16:27 horas.
Maricá, 19 de fevereiro de 2002.
Este é o conteúdo,
Gerhard Sardo
Coordenador do Centro de Referência de Justiça Ambiental
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