15/04/2002

 POR FAVOR, RESPEITEM AS PRAÇAS

  

                                                           José de Souza Soares     

 

                                   A praça é do povo, como o céu é do condor. Assim diz o poeta e com toda razão. Porque a praça tem que ser um espaço sempre livre para todos os seres vivos de uma cidade e jamais poderá ter a sua área mutilada, mesmo sob a alegação de que está sendo feito em benefício do povo. Pobre povo! Em seu nome muitos são os desmandos cometidos pelos governos em todos os níveis. Colégios, Espaços Culturais, Bibliotecas e outros prédios públicos que sempre são erguidos  diminuindo brutalmente o tamanho as praças.

                                   Nenhum governante quer ter o trabalho de procurar um terreno livre que pertença ao poder público quando quer construir algum prédio novo, o qual ele diz ser em benefício do povo. Mas, a praça é logo sacrificada por ser um local mais fácil de mostrar o novo monumento demagógico e populista de sua gestão. E a praça é, sem dúvida, o pulmão de uma cidade. É através dela que sua população respira, mesmo que seja um ar poluído, o que pouco importa para o governante.

                                   Cidades como Niterói, Rio de Janeiro e agora Maricá estão sendo violentadas com essas obras eleitoreiras, que por um lado tem a promessa de beneficiar a população, por outro tira a sua qualidade de vida, num momento de tanta agressão ao meio ambiente. Mas o governante pensando na mídia, ignora o dia de amanhã de sua cidade, pois o que lhe interessa é o hoje.

                                   Estou assim falando, é porque foi construído numa das mais importantes praças de Maricá - a da Câmara - um prédio para abrigar o projeto Casa do Futuro, que tem o objetivo – segundo seus idealizadores - preparar o jovem para o amanhã. Não se discute aqui a boa intenção do projeto, mas uma pergunta cabe no momento: Numa cidade de enorme extensão territorial como a nossa, será que não tinha um local melhor para erguer o referido prédio, a ponto de ser preciso sacrificar esta importante praça? Acho que a moçada do poder público ficou com preguiça de procurar um outro local na cidade, deixando que fosse mutilado este importante espaço de lazer.

                                   Que façam a Casa do Passado, a Casa do Presente, ou até mesmo a Casa do Futuro, pois não tenho nada contra, desde que não sacrifiquem tanto assim as nossas praças. Como diz o velho ditado:Isso é o mesmo que despir um Santo para vestir o outro. Pouco adianta uma preparação profissional avançada, sem que o ser humano tenha uma boa qualidade de vida onde habita.