19/03/2002
NÃO AO PETRÓLEO

                            

                                                                        José de Souza Soares*

 

                                          Esta rotina de cidade de interior que existe ainda aqui em Maricá, parece que em breve irá acabar. Alias, a cidade não é a mesma já há algum tempo, com o fluxo de pessoas que nos visita nos fins de semana e principalmente no período de férias, quando tudo fica diferente, inclusive com um número considerável de carros circulando pelas ruas estreitas da cidade, que por não contar com um sistema viário satisfatório, torna tudo muito mais difícil.

                                          Mas, uma outra coisa começa a nos preocupar neste nosso cotidiano. É sem dúvida, saber que nós temos petróleo em nossa costa, o que poderá transforma Maricá em uma Kuait brasileira, mesmo que seja excelente no que se refere à economia do município, tem um outro lado não muito interessante, que nos preocupa bastante, que é o de tirar o sossego da população e talvez até de expor a uma constante poluição de nossas praias, o que não seria nada agradável.

                                          Nossa cidade tem vocação turística, e sabemos que esta é uma atividade que não polui e rende muito dinheiro, quando bem explorada, o que não tem sido aqui, pois nossos dirigentes jamais atinaram para este segmento produtivo da cidade. Nunca pensaram em dar incentivos ao ramo de hotelaria criando condições melhores para que o turismo possa crescer, com grandes casas de espetáculos,com um melhor acesso aos locais de belezas naturais que o município tem e outras iniciativas simples que só viriam melhorar este setor. Porém, falta vontade política ou capacidade para enxergar este excelente segmento, que tem dado a outras cidades resultados surpreendentes.

                                         Sinceramente, eu não consigo aceitar esta cidade como sendo uma Kuait, fazendo parte da Opep e com clima de oriente médio. Bom, nós já temos um árabe, por sinal uma criatura da paz, com um comportamento bem maricaense, que certamente não sonha com esta cidade cheia de gringos esquisitos falando idiomas estranhos. O nosso árabe gosta mesmo é de vender seus quibes, suas esfihas e nada mais, dentro de uma tranqüilidade bem maricaense, que só nós conhecemos. Petróleo não está nos planos dos nativos desta terra de Domício da Gama.

                                          Talvez eu não entenda de economia e nem mesmo de modernidade. Mas Maricá cidade do petróleo não passa pela minha cabeça, e logo eu não gostaria de ver este marzão bonito da Barra repleto de plataformas, buscando nas águas profundas o chamado ouro negro, que vez por outra causa tantos conflitos. Posso ser um atrasado no tempo, porém este é o meu ponto de vista com relação a este tema. Porque o que eu quero mesmo é que  Maricá seja uma cidade turística e não cidade petrolífera.

 

 

                                                                                                                         *Jornalista e Escritor