05/02//2002
Recebido de Sergio Mesquita - mesquita@redebrasil.tv.br
NERUDA
 
  Morre lentamente quem se transforma em escravo do
  hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
  quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e
  não fala com quem não conhece.
  Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.
 
  Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere
  o negro ao invés do branco e os pingos nos iis a um
  redemoinho de emoções, exatamente a que resgata o
  brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração aos
  tropeços.
 
  Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
  infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo
  incerto, para ir atrás de um sonho.
 
  Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma
  vez na vida, ouvir conselhos sensatos.
 
  Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não
  ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
 
  Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da
  sua má sorte, ou da chuva incessante.
 
  Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem
  não se deixa ajudar.
 
  Morre lentamente quem abandona um projeto antes de
  iniciá-lo, nunca pergunta sobre um assunto que
  desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre
  algo que sabe.
 
  Evitemos a morte em suaves porções, recordando
  sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o
  simples ar que respiramos.
 
  Somente com infinita paciência conseguiremos a
  verdadeira felicidade.  
  
PABLO NERUDA